Eu quero paz

Você tenta, tenta, tenta. Se permite, se doa, faz de um tudo em prol daquilo. E nada. Necas de pitibiriba. O outro não tenta o suficiente, nem se esforça em mais nenhum nível em razão disso. Uma hora cansa. E essa hora chegou pra mim, chega pra todos um dia. É igual a infância em vários sentidos, quando travamos aquelas competiçõezinhas de: "aposto que eu consigo prender a respiração mais tempo debaixo d'água", "quem der o tapa mais forte, ganha", ou "vamos ver quem chupa limão sem fazer careta". 

Cansei de brincadeirinha de criança. De gente adulta que ainda age como se fosse uma. Eu cansei de ter as pessoas pela metade, sabe? Não quero um sentimento meio bonito, um jantar meio romântico, uma música que meio que me lembra alguém. Quero inteiros, quero corpo e alma, quero as velas no jantar e meia dúzias de banda relacionadas a tudo. Alguém que aceite meus erros, meus acertos, meus abismos e picos repentinos de euforia.

Recuso essas condições impostas por uns desacreditados no amor que vagam por aí com o coração despedaçado trancado num baú. Não aceito ficar de mãos atadas vendo o sentimento bater na porta e eu aqui no quarto me torturando em um eterno posso-não-posso ou deixo-não-deixo. Quero estar com alguém que goste o suficiente de mim parar querer estar só comigo, mesmo tendo uma fila indiana de escolhas. Que, enquanto estivermos juntos, sejamos só nós dois.

O que falta é essa entrega. Um viver com o outro, sem deixar de viver sua própria vida. É muito prático acontecer uma briga, uma chateação e pronto. Já é motivo para sair, encontrar outra pessoa que a única função vai ser preencher um certo vazio que só existe porque não há essa entrega. Amar é fácil, difícil é amar certo. E sentimento nenhum pela metade vai preencher um coração inteiro.

Só te peço: Me deixa em paz. Mas fica. Me deixa com essa sua paz, me faz esse bem.

 

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