Eu quero paz

Você tenta, tenta, tenta. Se permite, se doa, faz de um tudo em prol daquilo. E nada. Necas de pitibiriba. O outro não tenta o suficiente, nem se esforça em mais nenhum nível em razão disso. Uma hora cansa. E essa hora chegou pra mim, chega pra todos um dia. É igual a infância em vários sentidos, quando travamos aquelas competiçõezinhas de: "aposto que eu consigo prender a respiração mais tempo debaixo d'água", "quem der o tapa mais forte, ganha", ou "vamos ver quem chupa limão sem fazer careta". 

Cansei de brincadeirinha de criança. De gente adulta que ainda age como se fosse uma. Eu cansei de ter as pessoas pela metade, sabe? Não quero um sentimento meio bonito, um jantar meio romântico, uma música que meio que me lembra alguém. Quero inteiros, quero corpo e alma, quero as velas no jantar e meia dúzias de banda relacionadas a tudo. Alguém que aceite meus erros, meus acertos, meus abismos e picos repentinos de euforia.

Recuso essas condições impostas por uns desacreditados no amor que vagam por aí com o coração despedaçado trancado num baú. Não aceito ficar de mãos atadas vendo o sentimento bater na porta e eu aqui no quarto me torturando em um eterno posso-não-posso ou deixo-não-deixo. Quero estar com alguém que goste o suficiente de mim parar querer estar só comigo, mesmo tendo uma fila indiana de escolhas. Que, enquanto estivermos juntos, sejamos só nós dois.

O que falta é essa entrega. Um viver com o outro, sem deixar de viver sua própria vida. É muito prático acontecer uma briga, uma chateação e pronto. Já é motivo para sair, encontrar outra pessoa que a única função vai ser preencher um certo vazio que só existe porque não há essa entrega. Amar é fácil, difícil é amar certo. E sentimento nenhum pela metade vai preencher um coração inteiro.

Só te peço: Me deixa em paz. Mas fica. Me deixa com essa sua paz, me faz esse bem.

 

Direito x Esquerdo

Não sei até onde vocês entendem de cérebro, tudo que eu sei é que se escreve com "r" e não com "l". Mas essa semana, uma pessoa bonita, de coração palpitante e entendida dessa tal de medicina e afins me contou uma história.   

É mais ou menos assim: nosso amigo cérebro é dividido em duas partes: o hemisfério direito e o hemisfério esquerdo. Acho que mais ou menos a gente com isso de razão e coração. O lado direito é o todo misterioso, Senhor dos nossos sentimentos, ele guarda bem guardadinho todas aquelas coisas que achamos inexplicáveis e culpamos o coração. Você já perguntou algo pro seu hemisfério direito? (Já sim, que eu aposto.)

Por que você gosta daquela certa pessoa? Ou do cheiro da pele dela? Ou do sorriso estonteante? Ou do olhar que, não existe comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos. Parafraseando Machado. E você tem resposta? Pois é, mas não é culpa dele não. Não ensinaram o hemisfério direito a falar. Quem abre o bico aqui é o esquerdo.

Enquanto isso eu fico de cá respondendo todas essas perguntas com um "Gosto porque sim". Mas "porque sim" não é resposta... ou é? Porque era ela, porque era eu. Responderia Chico.


Quereres.



Quero. 
Queres. 
Quer. 
Queremos. 

Que mal há em querer? Quero leve, quero fita, quero laço, quero um abraço apertado e não soltar fácil. Quero mais encontros que despedidas, quero mais beijos e mais mordidas. Quero um vinho, um whisky, um copo de café, desde que você também queira. Quero a tua mão na minha, a minha mão na tua... boca. A tua boca na minha e a minha no teu... pescoço. O ossinho do quadril a mostra e o arrepio se espalhando, tomando conta do corpo. Um corpo, dois... um de novo. Quero teu corpo junto ao meu, pele com pele. Quero chegadas esperadas e esperas demoradas só se for na mesa de jantar, esperando a comida ficar pronta enquanto devoro você. Quero fugir num carro velho em direção ao mar. Quero o mar, a maré, o amarelo, o elo entre o azul e o amarelo. Quero adormecer assim, do teu lado, sem nem me dar conta que o sono misturou sonho e realidade. Quero um abajur com uma luz vermelha, um incenso de sândalo queimando no chão, a leitura das cartas apaixonadas que o Vinícius de Moraes escreveu pro seu primeiro amor e uma bebida quente. Quero você, quero aqui e quero agora. 

São tantos quereres...


Faxina.

Acordei com o celular caindo no chão de tanto tocar. Quem poderia ser? Ainda são 10:30hr da manhã. Que sono. Tateei o chão na procura do bendito. Achei. 3 ligações perdidas e 1 sms.

"Chego em breve."

O número era desconhecido, mas eu nem precisei pensar pra saber quem era. Hora de levantar e arrumar a casa. Pulei da cama.

Os móveis ainda estavam do mesmo jeito de sempre, só que agora mais empoeirados. Limpei todos, coloquei no sol e mudei eles de lugar. Lavei a pia de pratos e panelas que estava acumulada na cozinha. Coloquei o lixo pra fora. Arrumei a cama, usei a coberta que tinha comprado e tinha ficado guardada no canto do guarda-roupa. Joguei fora as roupas que não usava a mais de seis meses. Abri as caixas cheias de coisas velhas e lembranças antigas. O que for importante, fica. O que atacar a alergia e a gastrite, vai embora.

Agora sim, parece até outra casa. E, pensando bem, é. Aquela não é a mesma casa escura e cheia de mofo de alguns meses atrás. É outra que eu, dentro dela, me reconheço igualmente diferente.

Abri a porta do coração. 

"Trouxe comida pra gente"


— A casa é sua, pode entrar.