Tu tu tu.


– Te ligo.
– Vou esperar.

E até agora eu tô aqui sentada esperando a porra do celular tocar. Não é como se eu não tivesse mais o que fazer e só ficasse esperando a tal ligação. Eu já lavei uma pia de prato, enxuguei e guardei. Lavei roupa, estendi e já secou. Tomei banho, lavei o cabelo, sequei o cabelo. Li vários capítulos do meu livro novo que, por sinal, estou achando bem desinteressante. Estudei para a prova do inglês, vi vários episódios de seriados, dormi um pouco, assisti um filme que vinha adiando a séculos, vi a novela e as únicas vezes que o celular tocou foram com as notificações das conversas no Whatsapp.

Isso tudo por causa de uma não-ligação? Isso tudo por causa de uma ligação que, nesse contexto, vem carregada de significado. Não é drama desnecessário, nem coisa à toa, é um misto de despontamento e incompreensão que permeia minhas certezas agora. Não é como se eu tivesse te conhecido ontem e essa fosse a primeira ligação que você não me fazia, mas depois de tantos desencontros e tantas chamadas perdidas, significaria muito mais do que você, com certeza, acha que significa se você me ligasse hoje a a gente se encontrasse exatamente hoje. Ou amanhã, quem sabe, não sou tão irredutível assim.

O sentimento que fica é o mesmo que já veio e foi embora diversas vezes, entre os nosso tempo juntos-e-separados. Aquele pensamento chato que assombra a mente vezemsempre de que eu não pertenço a sua vida, a sua rotina, a você. Quando se trata de estar do seu lado, eu acabo ficando sempre do lado de fora da porta, sentada na calçada, esperando você voltar de algum bar com os amigos cheirando a álcool.