O começo



feliz dia oficial do começo de uma história azul encantada feito o canto da sereia do mar.

feliz dia oficial do começo regado a café que já se fincou na morada da memória.

feliz dia oficial do começo dos goles que nhonhô deu.

 feliz dia oficial do começo de quando você chegou em mim.

feliz dia oficial do começo do cuidar fim do meu ar e meu chão.

feliz dia oficial do começo do tempo em que nem mesmo haverá segundos e que os minutos foram reavaliados e que pra cada suspiro serão 10 contados.

feliz dia oficial do começo dos bons ventos que as entidades do tempo sopraram ao nosso favor.

feliz dia oficial do começo da nossa roda de malemolência.

feliz dia oficial do começo da construção da minha casa no seu cangote.

feliz dia oficial do começo da nossa va-ga-ro-sa chegada.

feliz dia oficial do começo do bocejo que já pegou.



26/11/2013

Você ficou me devendo e eu não fui cobrar.


Beijo no meiozinho da testa.
Um beijo na palma da mão esquerda e outro no olho do mesmo lado.
Vontade de cuidar. Aquele gostar de querer cuidar.
Um beijo pra sarar a dor de dente.
Vontade de um abraço.
Cheiro no pé-do-ouvido.
Um beijo em cada olho, outro no nariz e outro (...).
Uma ruma de beijo do pé das costas até o pescoço - pra aproveitar a roupa de praia.
Um beijo na boca mesmo. Ha.
Um beijo bem azul.
Uma ótima noite e um monte de cheiros.
Beijo... bem demorado. Na boca! Com um cheiro no final.
Um monte de beijinhos no nariz mais lindo desse mundo.


Ô, Garçom! Põe na conta da vida, faz o favor, que ela é cliente fiel e paga na datat!


Gosto de café.

Um café, um dia chuvoso e um bem-querer. Mais café, arco-íris e um gostar-de-você. Um eu e um você com gosto de café e cheirinho de canela. Abraço apertado pra ela. Um cheiro no pé do cangote dele. Te mordo e te envolvo num lençol de acarinhar. Devoro vo-cê. E te quero de novo e outra vez e dessa vez não te solto, viu?

Eu quero me espalhar pelo lado esquerdo da sua cama e do seu peito. Ocupar seu coração. Sincronizar nossas respirações e nossos planos. Me aninhar no teu colo e me proteger com seu abraço. É no espaço apertado dos teus braços o meu lugar preferido do mundo, vês? Qualquer lugar onde tenha você junto de mim. E seu olhar estonteante. E teu cheiro tão familiar. Acho que já te encontrei antes.

"Se encontraram no momento certo", diz o universo em resposta serena. Malandro. Sabe das coisas tudo e fica lá guardando segredo. Deixa eu te contar um segredo? Tô com uma urgência de você, do seu gosto, de te ter pra mim. Dá você pra mim, seu moço? Diz que sim, diz? Vem provar do meu café...


Inverteu. (com Igor Marques)


Subvertemos sim. Colocamos tudo em estado de desordem. Bagunça e caos reinavam em cada toque, cada palavra mal dita (malditas palavras!) e cada pensamento mais profundo. Desse tempo eu pouco me lembro. Nem o porquê, nem um pra quê. Uns pensamentos tresloucados me passavam pela cabeça. Me parece que esse encontro aconteceu em outra vida, de tão distante que se mostra. De tão embaixo de entulhos que se esconde. Outros corpos, outro eu, outro você. Passo as mãos no cabelo, despenteio o fio de pensamento. Hoje somos como dois estranhos, completos desconhecidos que apenas se percebem pelo caminho e seguem o dia. Se essas almas ao menos tivessem se encontrado um dia.

A vida é uma ciranda dissonante. o que nos resta é escolher bem a quem dar às mãos, e mais ainda: saber a hora de soltá-las. não sou mais aquele pássaro, batendo asas (des)orientado. Afiei minhas garras, aprumei meu ninho, minhas penas, meu canto. Com um punhado de trovão nos olhos, vivo de encantamento. Minhas guerras são outras. Distraído em meus fascínios, despercebo a sua presença pequena e inútil. Seu rastejo langoroso. seu veneno matinal. Presta atenção. Quem nunca voou na asa de um pássaro não pode sentir cor de liberdade. Presta atenção. Presta atenção. Presta atenção. “Lugar de cobra é no chão”.

Invertemos. Eu, passarinho que sou, agora passo sozinho. E não te preciso mais. E sou livre, leve e vôo. Vou. Vou embora. Vou indo, voando, voltando pra casa. Desapega de todo nó cego, de todo nó na garganta, de todo nós. Isso só fez pesar em você, engasgar, te perder de você. Agora, adeus. Levo na mala um punhado de sonhos bons e minha dor de estimação pra cuidar, pra sarar. E prometo fazê-lo. Agora, veja, bem: não precisa se preocupar comigo. Periga eu beber demais, voltar a fumar e procurar umas pessoas vazias por aí. Mas eu to cuidando de mim por você, to achando quem cuide.


Eu quero paz

Você tenta, tenta, tenta. Se permite, se doa, faz de um tudo em prol daquilo. E nada. Necas de pitibiriba. O outro não tenta o suficiente, nem se esforça em mais nenhum nível em razão disso. Uma hora cansa. E essa hora chegou pra mim, chega pra todos um dia. É igual a infância em vários sentidos, quando travamos aquelas competiçõezinhas de: "aposto que eu consigo prender a respiração mais tempo debaixo d'água", "quem der o tapa mais forte, ganha", ou "vamos ver quem chupa limão sem fazer careta". 

Cansei de brincadeirinha de criança. De gente adulta que ainda age como se fosse uma. Eu cansei de ter as pessoas pela metade, sabe? Não quero um sentimento meio bonito, um jantar meio romântico, uma música que meio que me lembra alguém. Quero inteiros, quero corpo e alma, quero as velas no jantar e meia dúzias de banda relacionadas a tudo. Alguém que aceite meus erros, meus acertos, meus abismos e picos repentinos de euforia.

Recuso essas condições impostas por uns desacreditados no amor que vagam por aí com o coração despedaçado trancado num baú. Não aceito ficar de mãos atadas vendo o sentimento bater na porta e eu aqui no quarto me torturando em um eterno posso-não-posso ou deixo-não-deixo. Quero estar com alguém que goste o suficiente de mim parar querer estar só comigo, mesmo tendo uma fila indiana de escolhas. Que, enquanto estivermos juntos, sejamos só nós dois.

O que falta é essa entrega. Um viver com o outro, sem deixar de viver sua própria vida. É muito prático acontecer uma briga, uma chateação e pronto. Já é motivo para sair, encontrar outra pessoa que a única função vai ser preencher um certo vazio que só existe porque não há essa entrega. Amar é fácil, difícil é amar certo. E sentimento nenhum pela metade vai preencher um coração inteiro.

Só te peço: Me deixa em paz. Mas fica. Me deixa com essa sua paz, me faz esse bem.

 

Direito x Esquerdo

Não sei até onde vocês entendem de cérebro, tudo que eu sei é que se escreve com "r" e não com "l". Mas essa semana, uma pessoa bonita, de coração palpitante e entendida dessa tal de medicina e afins me contou uma história.   

É mais ou menos assim: nosso amigo cérebro é dividido em duas partes: o hemisfério direito e o hemisfério esquerdo. Acho que mais ou menos a gente com isso de razão e coração. O lado direito é o todo misterioso, Senhor dos nossos sentimentos, ele guarda bem guardadinho todas aquelas coisas que achamos inexplicáveis e culpamos o coração. Você já perguntou algo pro seu hemisfério direito? (Já sim, que eu aposto.)

Por que você gosta daquela certa pessoa? Ou do cheiro da pele dela? Ou do sorriso estonteante? Ou do olhar que, não existe comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos. Parafraseando Machado. E você tem resposta? Pois é, mas não é culpa dele não. Não ensinaram o hemisfério direito a falar. Quem abre o bico aqui é o esquerdo.

Enquanto isso eu fico de cá respondendo todas essas perguntas com um "Gosto porque sim". Mas "porque sim" não é resposta... ou é? Porque era ela, porque era eu. Responderia Chico.


Quereres.



Quero. 
Queres. 
Quer. 
Queremos. 

Que mal há em querer? Quero leve, quero fita, quero laço, quero um abraço apertado e não soltar fácil. Quero mais encontros que despedidas, quero mais beijos e mais mordidas. Quero um vinho, um whisky, um copo de café, desde que você também queira. Quero a tua mão na minha, a minha mão na tua... boca. A tua boca na minha e a minha no teu... pescoço. O ossinho do quadril a mostra e o arrepio se espalhando, tomando conta do corpo. Um corpo, dois... um de novo. Quero teu corpo junto ao meu, pele com pele. Quero chegadas esperadas e esperas demoradas só se for na mesa de jantar, esperando a comida ficar pronta enquanto devoro você. Quero fugir num carro velho em direção ao mar. Quero o mar, a maré, o amarelo, o elo entre o azul e o amarelo. Quero adormecer assim, do teu lado, sem nem me dar conta que o sono misturou sonho e realidade. Quero um abajur com uma luz vermelha, um incenso de sândalo queimando no chão, a leitura das cartas apaixonadas que o Vinícius de Moraes escreveu pro seu primeiro amor e uma bebida quente. Quero você, quero aqui e quero agora. 

São tantos quereres...


Faxina.

Acordei com o celular caindo no chão de tanto tocar. Quem poderia ser? Ainda são 10:30hr da manhã. Que sono. Tateei o chão na procura do bendito. Achei. 3 ligações perdidas e 1 sms.

"Chego em breve."

O número era desconhecido, mas eu nem precisei pensar pra saber quem era. Hora de levantar e arrumar a casa. Pulei da cama.

Os móveis ainda estavam do mesmo jeito de sempre, só que agora mais empoeirados. Limpei todos, coloquei no sol e mudei eles de lugar. Lavei a pia de pratos e panelas que estava acumulada na cozinha. Coloquei o lixo pra fora. Arrumei a cama, usei a coberta que tinha comprado e tinha ficado guardada no canto do guarda-roupa. Joguei fora as roupas que não usava a mais de seis meses. Abri as caixas cheias de coisas velhas e lembranças antigas. O que for importante, fica. O que atacar a alergia e a gastrite, vai embora.

Agora sim, parece até outra casa. E, pensando bem, é. Aquela não é a mesma casa escura e cheia de mofo de alguns meses atrás. É outra que eu, dentro dela, me reconheço igualmente diferente.

Abri a porta do coração. 

"Trouxe comida pra gente"


— A casa é sua, pode entrar.

A volta.

Tinha acabado de entrar no chuveiro. O dia tinha sido o mais estressante da semana, pretendia ficar ali debaixo da ducha quente por bastante tempo. O celular começou a tocar incessantemente. Deixa tocar. Ninguém é tão importante agora. Uma, duas, três, sete chamadas perdidas.A campainha tocou 3 vezes seguidas. Várias batidas na porta. Céus! Quem faz tanta questão de me atormentar o juízo logo hoje? Amarrei a toalha na cintura, os cabelos ainda encharcados, saíram molhando a casa inteira. Abri a porta. Inacreditável. Era a Dora. Ela voltou.

— E aí, Dom Juan? 

Foi entrando em casa e jogando a mochila no sofá.

— João, Dora, é João.

Bati a porta a contragosto, a última pessoa que eu podia ver hoje era ela.

— Larga de ser chato... Cadê a garrafa de vinho que a gente deixou pela metade?
— Faz três meses que você me deixou. Já bebi ela e mais doze.

Ela mascava um chiclete chato, a boca abrindo de um jeito mal educado e sexy.

— Ah, João. Você já teve mais senso de humor. O que aconteceu, hein?

A resposta para essa pergunta era muito dura. Preferi desconversar.

— Não aconteceu nada, não...

Fui na cozinha, ainda tinha metade da décima terceira garrafa de vinho na geladeira. Da sala vinha o som do violão, ela deve ter puxado do canto da parede. "Desculpe o auê" de Rita Lee. Maldição.

—  Senti saudades. - Disse depois do segundo gole.

— Eu também. - Queria mais que tudo estar mentindo, mas não.

(...)

Só dormimos quando o dia clareou. Acordei e no lado dela da cama tinha um bilhete em cima do travesseiro dizendo:

"Eu não queria magoar você".