Em raiva, ou em rima.

da série: textos antigos nunca publicados.

Fade out, e uma tempestade do lado de fora da janela. Cena de cinema, cê precisava de ver. Amanheceu garoando, o céu cinza, a vista embaçada, duas nuvens castanhas carregadas - era chove-não-chove. Tinha Cícero cantando Los Hermanos e tinha Gabito vivendo minha vida em algum universo paralelo e escrevendo sobre ela. 

Eu te quero leve, te quero brisa, te quero laço - mas apertado num abraço, que é pra não soltar fácil. Acredita em mim, que eu te quero muito bem e te cuido direitinho. Olha, cicatriz só volta a latejar se levar pancada de novo, a gente vai ficar calminho, sem fazer movimentos bruscos, tá? Com cuidado, com carinho, devagar... que é pra não calejar o coração. – Foi o que eu te disse, Bem. Tá lembrado? E você disse que eu era um achado – eu lembro.

Foi ali, naquela fala, naquela frase, naquela constatação. "Ela foi um achado", você disse. "É isso", eu pensei. Ele também era um achado. Tudo que era dúvida se esvaiu, se findou. Fazia tempo, meu amor, eu não me permitia ninguém. Que ninguém me despertava uma coisa tão bonita, só que ao mesmo tempo tão doída. E eu odiei tanto ter sido você que me fez sentir assim. É a minha única raiva, believe me.

Se eu der beijinho, passa? E me der inteira na intenção de te fazer ficar? Queria eu que qualquer coisa assim funcionasse agora. Mas. Tempo, né? É sempre tempo a solução.

(...)

Passou. E rimou.


3 comentários:

Deise Lima disse...

É bom quando a gente quer e consegue, quando a gente acha e pode ficar com aquele achado por muito tempo. Ai ai esse texto me deu uma vontade de achar, rsrrsrs
Abraço!

sobrefatalismos disse...

Um achado, uma raridade e tanto. A identificação que temos com o outro surge de maneira espontânea e bela, concorda?
Vivo um momento assim.
Abraços. Bom 2013.

Erica de Paula disse...

Tudo lindo por aqui!

Te visito há tempos, agora seguindo oficialmente!

Bjos!