Uma rosa azul.

Seria um dia cinza e nublado como outro qualquer como todos que haviam se passado ultimamente, mas então aconteceu. Choveu. Uma chuva fina daquelas que, particularmente, eu não me importo de caminhar com ela pingando nos ombros, era daquelas que prometiam um arco-íris de todas as cores no céu. Chuva assim é boa pra regar os sonhos, pensei.

Viagem marcada, você sobe no ônibus com uns pensamentos tresloucados na cabeça, o estado de espírito é um. Essa coisa de sair de um lugar para outro, mesmo que por pouquinho tempo, tem poder de expandir horizontes e abrir mentes. Te faz ver que existem outros jardins além do seu, além dos que você já conhece, alguns jardins desesperadamente carentes de um jardineiro, outros os distribuindo de bom grado. Bonito de se conviver.

Você volta e lá está ela. Uma rosa azul bem no meio do seu jardim de cactos rosa. O botão nasceu depois da chuva, junto com o arco-íris, muito lindo que já é. Falta desabrochar ainda, mas ele ali, quebrando o padrão de espinhos e petálas de uma só cor, já é tão inesperadamente cheio de esperança que eu ficaria observando da janela pra sempre sem reclamar.