De porco espinho e gente espinha

Uma vez me sussurraram a história do porco-espinho e eu vou sussurrar de volta pra vocês. Acontece todo inverno, quando faz aquele frio de lascar, os porcos espinhos precisam achar uma forma de se aquecer. Os porquinhos vão chegando um perto do outro, outro perto de um, eles se aproximam e se amontoam devagarinho.

É difícil, o espinho desse espeta o de lá, o de lá espeta aquele dali e é um espeta-espeta-de-espinhos que não acaba mais. E não acaba mesmo. Os bichinhos vão se ajeitando até acharem um meio de ficarem perto o suficiente para não morrerem de frio e longe o bastante para não se machucarem. O porco-espinho que se afasta dos outros morre de frio.

Gente é bastante porco-espinho, eu penso. Eu preciso de você tanto.. e te espeto. E você não se afasta. E vice-versa. Não atravessar a linha tênue que existe entre se aconchegar no calor do outro e fazer um movimento brusco que o fira é, para mim, o desafio de viver. E a gente, eu, você, ele, todos nós, precisamos urgentemente aprender a viver. 

6 comentários:

Deise Lima disse...

Eu já tinha ouvido essa história, mas ainda não tinha atentado para esse lado que ela mostra. Realmente, concordo com vc, somos bem porcos-espinhos as vezes e temos sim que aprender a viver todos os dias, para que nossa vida seja motivo de alegria para outras pessoas!
Abraço\0(... com a aproximação certa para não espetar, rsr)

Adna Martins disse...

Perfeito.

Rick disse...

Até os porcos-espinhos arranjam um jeito para estarem próximos uns dos outros. Ainda que em algum momento essa proximidade seja dolorida.

Acredito que o segredo pra manter um relação é ir muito além desses momento de espetadas, porque ninguém fará o outro feliz todo tempo, pra sempre. Sempre haverá momentos de decepções, de infelicidades, e se você decidir ficar mesmo na vida desse outro, é bom ter em mente que momentos difíceis também viram.

Nunca tinha ouvido essa historia. Parei e pensei. rs!
Bjws moça, até breve; • Sem Guarda-Chuvas •

sobrefatalismos disse...

Ontem fiquei sabendo de uma história parecida e interessante, mas que vai fazer você chorar:
Numa família de esquimós o pai faz a caça e a função da mãe é aproveitar toda a carne. Os dentes dela servem para triturar a carne mais dura - que, ao amolecer, será destinada as crianças. Quando os dentes dessa mulher caem, ela vai para o frio e dorme até não acordar mais. Pode parecer estranho para nós, mas isso significa sobrevivência.
Na mesma família de esquimós, se a mãe tiver a primeira filha mulher, ela precisa entregar a criança para outra família de esquimós que já tenham filhos homens. Quando essa criança crescer, casar-se-á com o esquimó pai após a morte de sua mãe adotiva.
Triste, mas talvez necessário. Fiquei sabendo disso ontem, numa aula de literatura russa. Espero ter contado certo. Abraços.

cronica tijucana disse...

muito legal. gostei.

gabriela m. four disse...

Ah, que historia bonitinha '-' HIHI
Triste e bonitinha e verdadeira.