Do que fiz.

Escrevo agora porque preciso, exatamente às 01:11 do início da madrugada dessa segunda-feira. Tava um frio retado, tu viu? Tinha esse vento com cheiro de semente de cacau queimada que a cidade tem e esse gelo entre nós. E tudo isso só porque eu fui muito inconsequente. Só, né? Foi muita coisa, eu sei. Sei também que exatamente agora você deve tá nutrindo uma coisa não-muito-bonita por mim aí dentro, acertei?

Eles me dizem essas coisas de que eu to crescendo, virando gente, tenho que aprender a pensar nas consequências dos meus atos. Eu penso, penso sim, só que às vezes a gente quer tanto viver que acaba tropeçando nos quereres, caindo dentro dos poços sujos do pensamento e se perdendo no meio da estrada. O atalho nunca é o caminho certo. É isso, boy, a adolescência passou, a gente já tá na faculdade, na luta pelo primeiro emprego e buscando um amor de verdade. Um dia a gente acha tudo isso aí. Enquanto isso, vamos vivendo.

Não espero que meras palavras escritas façam algum efeito por aí. Eu quero que tu não me queira mal, que não guarde mágoa doída de mim. Faz mal pra você, faz mal pra mim se eu souber que você embolou tudo e jogou num canto escuro e empoeirado da casa. Faz isso não, tá? Peço pelo bem e pelo gostar que eu te tenho - e é bastante. Agora eu parei, que você não deve tá querendo me ver, muito menos me ler. Mas, ó, boa noite, viu? Beijo.

A história do moço que caiu de amores

I've Just Seen A Face by Across the Universe cast on Grooveshark


Crianças, essa é a história da moça que fez o moço cair de amores por ela. A moça era bonita, suas feições tão delicadas quanto poderiam ser, seus cabelos longos e ondulados andavam sempre presos numa trança bagunçada, mas o que prendia mesmo a atenção eram os dois buracos-negros que ela carregava nos olhos. Que olhos aqueles eram. Intimidadores. Intimistas e cheios de dores. Se a moça assim desejasse, só de olhar pra alguém já seria suficiente para conseguir o que quisesse.

Inevitável, eu diria. Inevitavelmente inevitável que o moço não se apaixonasse por ela. Aconteceu no dia em que ela passou do lado dele na rua - seu andar que de tão leve nem parecia que estava pisando na calçada, seu vestido floral na metade da coxa e seu perfume - era o conjunto necessário para fazer aquele moço desiludido da vida e do amor ressuscitar. Aí ele virou o pescoço para acompanhá-la, logo depois virou o corpo todo e seguiu o caminho junto dela.

"Louco, perturbado, psicopata" ela deve ter pensado. Eles foram conversando.. pra falar a verdade a conversa era mais um monólogo recitado por ele no qual ela concordava com alguns "hm", "ah" ou vez ou outra uma risada sem-graça. Ele ficou no pé dela dias a fio até que ele conseguisse um aval de "tá, eu saio com você". Foi mais uma procura pela saída de emergência dali, dele sendo todo insistente e querendo demais.


Foi nessa procura desesperada por uma saída que ela o encontrou. Justo quando havia parado de procurar, quando havia aberto mão de amor&outrasdrogas, justo ali e justo ele. Então, ela desistiu de tentar desistir e se entregou ao moço. Essa foi a história do moço que caiu de amores pela moça que caiu de amores por ele depois.