Minha dor.

Em parceria com a bonita da Pâmela, do Pedaços.
Minha Madô,

O nosso veredito final vem do filme que nos uniu: Eu sou a Summer. A gente assistiu agarradinho no sofá da sala comendo pipoca, mal suspeitando que, meses depois, seríamos nós nos lugares dos protagonistas. Devíamos ter percebido os sinais, as expectativas se distinguindo da realidade, as coisas não-ditas. Sempre as coisas não-ditas ficam a assombrar a mente.

Ma dor. Teu nome me dizia que eu teria que ter coragem pra ficar contigo, teria que ser forte pra carregar o peso do sentir no ombro. E eu fui covarde, me amedrontei com a intensidade que teus olhos projetavam em mim, eles são sempre tão intrigantes que até hoje eu não consigo dizer o que tu tá pensando quando deita e repousa eles num ponto fixo do horizonte. Assustei e corri.

É, eu não sou nenhum garoto de 10 anos de idade, já passei dos 20, eu sei. Tenho consciência do peso e das consequências das minhas ações, mas eu não sou perfeito... eu errei, meu bem. Errei em não ter percebido antes que eu estava, no mínimo, quebrado em cacos e os cacos quebrados em cacos menores e todos esses espalhados pela casa e embaixo dos móveis empoeirados.

Eu entendo que não tem como você me entender, mas eu fiz isso porque te gosto. Do contrário eu ficava contigo, saía junto de mãos dadas, te exibia pra os meus amigos. Mas não é isso que eu quero - se é que eu sei o que é. Eu só te peço um tempo pra esfriar a cabeça, mas não peço que me espere - só me perdoa pelos danos que lhe causei. 


Te carrego no peito,
Léo.

Inconstância

Assim fica complicado, vê? O problema é que você me bagunça e tumultua tudo em mim. E me faz bembembem, mas ficar contigo desse jeito, te ter sem certeza que você é meu é só martírio. Eu nunca tive desprendimento suficiente pra ser assim, você sabe. Por algumas vezes eu quase esqueci desse monstrinho bruto e possessivo que se esconde em mim, mas eu não consigo aplicar o keep your expectations low, nem suporto essa coisa de não saber se devo ligar, se posso passar na sua casa, se eu tô incomodando. (...)

Eu quero saber de cor seus horários e te ligar até no meio da madrugada só pra te dizer oi - e pedir desculpas por ter te acordado, depois - porque eu sei que tenho autonomia pra isso. Eu não abro mão de certezas, ou fica ou vai embora. Ou quer ou não (me) quer. Se tem uma coisa que me tira do sério é inconstância. Odeio em caixa alta e letreiro vermelho piscante.

Você precisa de ver, um dia eu fico louca de saudade e vontade de se possível só ouvir sua voz me chamando e você me abraçando com o olhar, no outro eu tô respirando fundo me perguntando o porquê de você ter dito aquelas palavras, ou porque raios ainda não me ligou. E eu odeio sentir isso.

Então, vamos combinar uma coisa: Não vamos tentar formar amor na borda do prato fundo com a sopa de letrinhas. Não é assim que funciona, nenhuma barra deve ser forçada só pelo querer. Mas esquece isso, vem cá, vem.. deita aqui, me dá um abraço, me conta do seu dia. Como você tá, tudo certinho?

Oh, crap, i'm in love again.

Ouvi muito deles, os céticos, essas coisas desconfiadas que insistimos em não dar ouvidos. Lembra quando eles diziam que a gente não pode mergulhar de vez nessas coisas de relacionamento? Que tem que ir com calma, que você ainda é muito nova pra se prender a alguém, que não ter apego evita muito sofrimento. Aconteceu, como sempre acontece antes de você se espatifar no chão duro, frio e cheio de ladrilhos da piscina. Eu não mergulhei de cabeça, eu pulei direto de um salto ornamental de 30 metros direto na água azul piscina, mas antes que eu chegasse lá, ela esvaziou.

O tombo foi feio, teve arranhão no joelho, braço engessado e pedacinho de coração pra tudo que é lado. Foi daquelas sacudidas brabas que a vida te dá pra você acordar e não dormir no ponto tão cedo. O que ninguém entende é aquilo que o Cícero canta: Ninguém vai dizer/ Que foi por amor/ Todos vão chamar de derrota. Nenhum deles entende o porquê eu ainda te gostar, apesar de. Mas não preciso que entendam, o nós só interessa a mim e a você e isso basta. Você me abraça e eu sinto uma coisa bem bonita ali, me embaça tanto o óculos que eu só consigo ver você na minha frente, os outros apenas se movimentam atrás desfocados, o seu calor provoca a minha cura.


Carta do bem

Sabe qual é o seu problema, garota? Olhe, vou te falar só uma vez e não é pra esquecer: Seu problema é que você é bonita demais e não sabe disso. Ou sabe e esquece quando deixa o espelho, ou finge que não sabe só pra tentar passar despercebida - porque conseguir você jamais conseguirá, ou tu sabe que é bonita e tal, mas parece que, sei lá, a ficha não cai, ce parece que não entende, não sei qual é a tua.

Linda, linda, linda. Sabia que você é linda, linda? Tô repetindo assim que é pra ver se você se toca. Como assim? Assim, com esse jeitinho meigo que você tem, toda pequenininha, com esse sorriso bobo que eu adoro fazer aparecer contando qualquer-coisa-sem-graça, com esses olhos amendoados de cigana. Só por causa disso tudo você me deixa desse jeito, meio desestruturado, meio perdido, meio indefeso. Meio assim, desse jeito.

Aí o que acontece? Você vai e se esconde atrás desse óculos gigante de lentes quadradas, se coloca dentro duns shorts folgados e dessas blusas de lona de xadrez, pra quê, menina? Parece até que tem medo que te achem bonita. Te achem é gentileza minha, porque poutaquepariu, tu é linda demais! Continuo dizendo e não vou parar - parece que nunca é suficiente externar isso.

Então, entendeu, né? Linda e fim. Só precisa internalizar toda manhã pra não perigar esquecer, ô cabeça de vento!

Com gostar,
Seu Bem.