Até lá..

Ela é desses piratas que usam tapa-olho e carregam uma bússola quebrada no peito. Navega os sete mares atrás de ninguém sabe o quê, escondido não se sabe onde. Vai se guiando pelo vento que a viagem é breve e não há de demorar. Vive, como se não tivesse escolha, condenada a ser um viajante errante. Terra ela avista aos montes, mas lhe falta coragem pra ancorar. Vem de longe, sempre forasteira, passageira e mais logo se vai - que ela não pode se dar ao luxo de ninguém se acostumar. É perigoso. Causa simpatia, carinho, apego e coisa muito pior. Não, ela prefere ir embora. Só fica na lembrança. De um que ela enxugou a lágrima, de outro que a tirou pra dançar e do que não precisou pedir um abraço pra ganhar. Ela vai, mas sempre volta pra assombrar a memória. Ou não. Mas eu sei, você sabe e ela também: um dia ela cansa de ir e decide ficar. Numa rede, num balanço de parque ou numa cama bagunçada. Um dia ela joga a âncora e vai remando de bote até a margem.

4 comentários:

Maay Reeis disse...

Adorei o seu texto..como sempre!
Sempre mergulho nas tuas linhas e imagino cada situação!
Parabéns..
boa sexta.
grande beijo.sz

Thaís. disse...

Oi, menina Brenda, como vai? Fazia tempo que eu não aparecia por aqui, não é? Senti saudade desse mundo da escrita e do compartilhar ela por aqui. Isso faz parte de mim.
Como sempre, seu texto tirou um sorriso do meu rosto. Muito, muito bonito. Eu volto mais vezes, viu?
Até! Um beijo, @pequenatiss.

Jhessica Fonseca disse...

lindoo brendinha...saudades ^^

Carla Dias disse...

Brenda, me identifiquei com cada trechinho. Às vezes dói, né?! Essa coisa de viajante errante. Toda ida é um vazio, mas toda chegada é uma surpresa. Todo mundo tem o momento de ancorar, não se apresse, curta as viagens.

Beijos, sua linda!