Ele mora em uma sensação.

De encontro em encontro a gente vai suportando a ausência, mas não há quem esqueça que a noite vem dura e fria cheia de lembranças bonitas-doídas-já-idas. É de abraço em abraço que se vai ocupando o mesmo espaço - o de antes, que hoje tá vazio, todo bagunçado ou recebendo visita de qualquer alguém. Entre uma conversa e outra a gente vai se desculpando e desculpando o outro, afinal... ninguém tem culpa da vida acontecer do jeito dela. 

Ela acontece. And so should you. Ela não para pela dor de ninguém, não fica vivendo de flash-backs, apenas segue indo junto com as coisas, com ou sem pessoas. Aí reclamamos, achamos injusta, não aceitamos... acho mais é que devíamos aprender com ela. A vida tá certa, só você não percebeu isso ainda.

Sobre isso de prosseguir: é uma merda, cheio de processos e estágios e noites de insônia com olheiras no dia seguinte. Uma coisa sobre o dia seguinte: ele sempre chega. Enquanto isso, cá dentro do peito... ele mora em uma sensação que eu só tenho ao lado dele, mas ele não mora mais em mim. Que pena, meu bem  não está mais aqui, ele foi pra longe-longe-longe - repetido três vezes, com ideia de eco que é pra perceberem a distância.

Até lá..

Ela é desses piratas que usam tapa-olho e carregam uma bússola quebrada no peito. Navega os sete mares atrás de ninguém sabe o quê, escondido não se sabe onde. Vai se guiando pelo vento que a viagem é breve e não há de demorar. Vive, como se não tivesse escolha, condenada a ser um viajante errante. Terra ela avista aos montes, mas lhe falta coragem pra ancorar. Vem de longe, sempre forasteira, passageira e mais logo se vai - que ela não pode se dar ao luxo de ninguém se acostumar. É perigoso. Causa simpatia, carinho, apego e coisa muito pior. Não, ela prefere ir embora. Só fica na lembrança. De um que ela enxugou a lágrima, de outro que a tirou pra dançar e do que não precisou pedir um abraço pra ganhar. Ela vai, mas sempre volta pra assombrar a memória. Ou não. Mas eu sei, você sabe e ela também: um dia ela cansa de ir e decide ficar. Numa rede, num balanço de parque ou numa cama bagunçada. Um dia ela joga a âncora e vai remando de bote até a margem.

O certo e o incerto, a gente vai saber?

A vida é uma caixinha de incertezas. Surpresas? Também. Boas e ruins, algumas mais frequentes que outras. Que certeza a gente pode ter na vida, me diz aí? Que Deus é amor, que tudo no mundo é passageiro e que essa vida é cheia de transbordar pela tampa de incertezas. E só.

Vou, saio andando com as pernas bambas, tropeçando nas calçadas do acaso, sujando a barra da calça no desatino do destino. A vida tem essas de dá nó de repente e pra desatar tem que ser com jeitinho, paciência e o tempo que for preciso que ele periga cegar ao menor sinal de deslize. 

É que eu meio que acabo escorrendo pelos cantos quando sinto algo forte, todo mundo já devia ter notado. Fujo, não-vou, viajo, evito, me escondo dentro de mim mesma e fecho a porta. Eu diria que é um meio de proteção, mas eu nunca escrevo me camuflando, então digo que é covardia, mesmo. Do pior tipo.

E dessa vez nem fui eu que fugi. Se eu estava com medo? Estava, demais. Sempre tenho. Mas, pela primeira vez, eu me permiti de verdade. Pena ter durado pouco, pena não ter durado. Foi brisa então, alguns podem presumir, veio e passou leve, sem ter com o que segurar depois. Engano triste. Foi furacão, veio com tudo, bagunçou a casa toda e cessou.

E é inevitável eu não ter a sensação de tudo meio inacabado. Mas é que essas coisas a gente vai processando devagarinho, meu bem, que o coração é um daqueles processadores velhos bem lentos e cheios de poeira, sabe? Se tentar fazer pegar no tranco, trava. 

Eis o motivo de tanto medo: quando os abraços se vão e as promessas esfriam, a gente fica só. A dorzinha fina vem nos dias frios, logo antes de dormir. Não tem ninguém pra enxugar a lágrima morna no desespero da madrugada. Guarda a incerteza no bolso e vive, garota. Tu há de conseguir.

Versus

A expectativa é a mãe da merda. Estava escrito em uma dessas imagens compartilhadas no Facebook. Achei a maior verdade lida esse ano. Expectativa - s.f. Esperança fundada em promessas, viabilidades ou probabilidades; Ansiedade, esperança. Ter expectativa ferra com tudo. Esperar a tal ligação no celular: ferra com tudo. Ter quase uma síncope quando ele fica online no chat: ferra com tudo. Ficar ansiosa porque ele vai viajar pra te encontrar: ferra muito com a coisa toda. Associar músicas, cantores e filmes com a pessoa: ferrou, danou-se, já era. "Sem expectativa, sem decepções", ouvi de um amigo e fiquei me perguntando: Como? Quem conseguir tem mais do que obrigação de disponibilizar um passo-a-passo em pdf, porque pra mim tá impossível de entender. Expectativa não é desapego. Desapego - s.m. Falta de apego; desafeição, desamor; desinteresse. Coisas totalmente diferentes e eu não sei qual é a pior. É, expectativa sucks, mas não sei não ter - e aposto que vocês não sabem também. Expectations x Reality - vão ser sempre diferentes. Queira Deus que o segundo supere o primeiro. Que me desculpem os céticos, os descrentes, os pessimistas, mas.. Veja bem, como é sequer possível?

ter fé e ver coragem no amor.

Show de Los Hermanos em Salvador.

Precisa dizer mais? PRECISO. Sabe quando você compra o ingresso do show em janeiro e espera ansiosamente pra maio chegar e você poder -finalmente- ver a banda? Então, essa foi minha expectativa pro show dos Hermanos.

 (pausa pra foto dos ingressos)

Viajei 7hr pra chegar em Salvador e fiquei na casa de uma amiga. Dia do show: chegamos na fila 15hr e o horário estava marcado pra 19hr. Momento tietagem total meu, porque a fila tava super no início quando chegamos. E, de qualquer forma, quando abriram os portões do Teatro foi um Deus-nos-acuda, um corre-corre louco até chegar ao 2º portão. Acidente nº 1: caí na escada. Ainda conseguimos ficar na frente da fila, que nessa altura já estava imensa. Espera mais um tempo e o 2º portão abriu. Multidão enfurecida saiu correndo como se não houvesse Brenda na frente pra atropelar. Acidente nº 2/3/4: Quando eu dei por mim já tinha rodado 180º e tava andando (ou melhor: tropeçando em pés, pernas e objetos que foram derrubados no chão pelos monstros fanáticos) de costas. Não foi fácil, amigos. Mas conseguimos ficar na 2ª fila da arquibancada, bem no meio, bem na frente deles. ♥

(pausa para a foto dos lindos)

Sobre o show eu nem preciso falar que eu chorei desde que começaram com "O Vencedor" e terminaram com "Pierrot", né? Ah, gritei, pulei, suei, AMEI. Ps.: ganhei uma gripe maldita assim que pisei em salvador e tava quase morrendo de tanto tussir. :( Gente, sem comentários, valeu a pena cada minuto de espera e cada lágrima porque eu morri de amores.

Vai aí o set list pra vocês:



 Levo a vida devagar pra não faltar amor.