Abril fez tanto calor!

Não sei ser pela metade, muito menos sentir. Essa coisa de acho-que-gosto-de-você, ou meio-que-me-sinto-bem-ao-seu-lado.. não dá pra mim. Eu te gosto. Não pelas mão dadas, pela mesa pronta do café, pelo sofá arrastado comigo em cima; não te gosto pelo gosto musical, por você dançar comigo, por me carregar no colo por aí. De todas essas coisas eu gosto, mas eu te gosto justamente pelo além disso, vê? Te gosto porque, como você mesmo me disse, quando duas pessoas estão juntas como devem estar, o lado bom de cada uma se ilumina. Te gosto pela pessoa que eu sou do seu lado, pela pessoa que você é comigo. Porque é bonito, tudo isso, ainda que (amar)gue no final. Te gosto, gosto do nós, dos laços e dos abraços. Sabe que meus olhos de cigana não chegam nem perto de ficarem como os de Capitu - de ressaca, oblíquos e dissimulados - perto de ti? E tudo isso eu percebi nesse mês quente de abril, quando a gente de repente ficou nublado, choveu o limite esperado do ano todo e ainda trovejou.