Escala de cores

São três tipos de pessoas e de cores: vermelho, verde e azul. Essas são as cores primárias e, não diferente delas, existem as pessoas primárias.

Pessoas-vermelhas. Elas te esquentam, te aquecem quando preciso, mas queimam se você tenta se aproximar muito. Chamam a atenção, se exibem todos, viram fogo. E apagam, um tempo depois. Enquanto elas ainda estão vermelhas, vocês tomam café, cozinham juntos – nachos, lasanha, macarrão, jogam poker, assistem filmes enrolados debaixo do cobertor. Alguns abraços, alguns amassos, mas não passa daí. O que se ama aqui é a idealização, o tipo de relação que vocês possuem, não a relação em si. Você ama os bares freqüentados, os filmes assistidos e as muitas risadas juntos. Depois fica tudo incrivelmente entediante. Você faz questão de estar sempre perto, mas uma hora só restam cinzas.

O lema é "seja leve, leve, me leve, leve o coração". Acontece naturalmente, vê? Essas são as pessoas-verdes, aquelas que você sente que conhece a anos-luz, desde a infância, ou de vidas passadas e se pega pensando como-não-tinha-conhecido-antes. Desde então, independente de estudar na mesma faculdade, ou viver na mesma cidade, vai durar. Podem ficar separados por meses, anos, extintos de contatos por celular ou Facebook, mas o reencontro vai acontecer e, acredite, será sincero. Porque é assim que elas são... verdadeiras. Pessoas de verdade.

Elas são pedaços de nuvens que têm desenhos engraçados, as pessoas-azuis. Com elas – e apenas com essas pessoas – é que você consegue ser totalmente você. Da cor que for. Vocês podem se abraçar bêbados, dormirem abraçados e passar protetor solar um no outro sem estragarem as coisas. Podem sentir ciúmes do primeiro que tentar chegar mais perto - ou tão perto - quanto você, brigar cons.tan.te.men.te por causa de ciúmes e ainda acordar no dia seguinte com um desejo de “bom dia” sonolento. Acontecem beijinhos despretensiosos na boca, pés entrelaçados e várias e várias poesias inspiradas. Íris na íris, mão na mão e abraço de urso. É azul, é permitido acontecer.

É colorido e é bonito, é só chegar.

Devagarinho

Andei cheia de meninice por esses últimos tempos. Coisa de enrolar lenço na cabeça, andar de touquinha de crochê por aí, sapato azul no pé. Avoada um tiquinho, também. Inevitavelmente nuvem. Sabe como é? Meio num mundo aqui, noutro lá. Distraída como sempre, tropeçando em pensamentos mais do que nunca. Eu só fico de cá lembrando, analisando, pensando e trepensando a vida. Que é bonita, apesar de tanto pesar. Eu penso também que não se pode deixar ela ir se perdendo assim, só dentro da nossa cabeça, aí paro de pensar e vou lá pra fora. Tem que se deixar ser levado pelo vento, mas levando sempre o guarda-chuva na mão em caso de tempestade - elas sempre chegam de surpresa, assustando quem não tá preparado... e nunca estamos, né? 

Se quiser, vem comigo que eu arranjo até um guarda-sol pra não chover na gente.