O que fica.

E finalmente vem a coragem de se aproximar e deixar o outro te aproximar. Porque, vezemquando, conseguimos atrair essas coisas que fazem bem pra gente. Por mais raro que essas coisas aconteçam, ainda acontecem. Os lindos sempre se vão para assombrar a memória, mas continuam lindos e sem machucar a gente.

Transparente feito um copo d'água, só que sem a tempestade. Dois signos de terra. Leve e doce, dos que eu estava precisando. Com carinhos, assim. Mão na mão. O vento traz o abraço pra perto e o perfume pra camisa. Me beija os olhos. Deposita ali um punhado de estrelas quentes que escorregam, se penduram nos meus cílios e fecham minhas pálpebras. Te beijo. 

E foi azul. Tal qual sua íris. Me fez bem.

doismiledoze

E pra 2O12? Prometi que não ia prometer nada. Essas promessas de virada de ano vão embora junto com as sete ondas puladas, só sobra você com os pés sujos de areia. Mas que mal há em querer? É sempre a opção mais despreocupada e é disso que as nossas vidas estão precisando tanto. A minha, principalmente.

Falando em precisar, né? Desatar os nós cegos estão no topo da lista. Laços me bastam. Bonitos e leves. Vou juntando todos na mesma caixinha decorada que estão as lembranças-de-sempre. O cotidiano não cabe em vinteequatro horas, pulsa desajustado, quase transbordando pela noite. Acumulo nasceres e pores-de-sol enquanto a vida acontece.

Não sei, aprendi a ajeitar as coisas de maneira que elas sempre se encaixem em mim. E eu nos outros. Porque às vezes, e só às vezes, percebo que despenco em queda-livre, cheia de ausência, vazia de tudo. Aí eu fecho os olhos e desejo baixinho: eu quero muito azul e alguns vermelhos de paixão. E volta, o dia, as pessoas, as batidas cardíacas aceleradas.