Em raiva, ou em rima.

da série: textos antigos nunca publicados.

Fade out, e uma tempestade do lado de fora da janela. Cena de cinema, cê precisava de ver. Amanheceu garoando, o céu cinza, a vista embaçada, duas nuvens castanhas carregadas - era chove-não-chove. Tinha Cícero cantando Los Hermanos e tinha Gabito vivendo minha vida em algum universo paralelo e escrevendo sobre ela. 

Eu te quero leve, te quero brisa, te quero laço - mas apertado num abraço, que é pra não soltar fácil. Acredita em mim, que eu te quero muito bem e te cuido direitinho. Olha, cicatriz só volta a latejar se levar pancada de novo, a gente vai ficar calminho, sem fazer movimentos bruscos, tá? Com cuidado, com carinho, devagar... que é pra não calejar o coração. – Foi o que eu te disse, Bem. Tá lembrado? E você disse que eu era um achado – eu lembro.

Foi ali, naquela fala, naquela frase, naquela constatação. "Ela foi um achado", você disse. "É isso", eu pensei. Ele também era um achado. Tudo que era dúvida se esvaiu, se findou. Fazia tempo, meu amor, eu não me permitia ninguém. Que ninguém me despertava uma coisa tão bonita, só que ao mesmo tempo tão doída. E eu odiei tanto ter sido você que me fez sentir assim. É a minha única raiva, believe me.

Se eu der beijinho, passa? E me der inteira na intenção de te fazer ficar? Queria eu que qualquer coisa assim funcionasse agora. Mas. Tempo, né? É sempre tempo a solução.

(...)

Passou. E rimou.


Um ano por amor.

Vagalumes Cegos by Cícero on Grooveshark

O último mês do ano chegou e junto com ele aquela reflexão de clichê de todo fim de ano. Dois mil e doze foi o ano mais diferente que eu já vivi, tudo que aconteceu esse ano nunca tinha me acontecido antes. Nunca mesmo, foi um ano completamente inusitado, o início de um ciclo, talvez. Onze meses depois eu penso que tudo que aconteceu tinha que acontecer, do contrário eu seria uma outra brenda hoje. As pessoas que chegaram, entraram e ficaram... assim tinha que ser. As que chegaram, entraram e saíram... também. Umas voltaram, sejam bem-vindas de novo, sintam-se em casa. Por mais difícil que seja, ainda acredito que por trás de todas as coisas existe um propósito Divino.

Mas esse é aquele momento que só você entende o significado maior por trás de tudo isso... Ninguém vai dizer que foi por amor que você foi racional e pensou "com distância é mais difícil"; Ninguém vai dizer que foi por amor que você insistiu meses e meses na coisa mais incerta e inconstante que existiu; Ninguém vai dizer que foi por amor que você teve tanto medo de machucar que acabou machucando ainda mais; Vão dizer várias coisas, inventar outras maiores ainda... mas você eu sei de mim, você sabe de mim, ele também. Quem tem que saber, sabe.

Amei demais, amaram por mim, sofri mais ainda, sofreram por mim. Foram uns meses cheios de aprendizado, caras quebradas, corações partidos, laços reatados, perdões distribuídos... e, enfim, acredito que ele não poderia estar acabando de uma forma melhor. Renovo, paz e felicidade pra esse restinho de dias que ainda está por vir e um novo ano melhor ainda.


Uma rosa azul.

Seria um dia cinza e nublado como outro qualquer como todos que haviam se passado ultimamente, mas então aconteceu. Choveu. Uma chuva fina daquelas que, particularmente, eu não me importo de caminhar com ela pingando nos ombros, era daquelas que prometiam um arco-íris de todas as cores no céu. Chuva assim é boa pra regar os sonhos, pensei.

Viagem marcada, você sobe no ônibus com uns pensamentos tresloucados na cabeça, o estado de espírito é um. Essa coisa de sair de um lugar para outro, mesmo que por pouquinho tempo, tem poder de expandir horizontes e abrir mentes. Te faz ver que existem outros jardins além do seu, além dos que você já conhece, alguns jardins desesperadamente carentes de um jardineiro, outros os distribuindo de bom grado. Bonito de se conviver.

Você volta e lá está ela. Uma rosa azul bem no meio do seu jardim de cactos rosa. O botão nasceu depois da chuva, junto com o arco-íris, muito lindo que já é. Falta desabrochar ainda, mas ele ali, quebrando o padrão de espinhos e petálas de uma só cor, já é tão inesperadamente cheio de esperança que eu ficaria observando da janela pra sempre sem reclamar.

Não sai da cabeça

Não conseguia dormir, a insônia tá braba por esses dias. A cabeça deitada em um travesseiro, o outro abraçado contra o corpo suado. Fazia o maior calor de noite, caso de ar-condicionado no quarto, mas o ventilador é que tinha que dar conta do recado. Felipe levantou, lavou o rosto e tomou o tarja preta. De volta pra cama.

Deitou de bruços, puxou o edredom e se encobriu. Aquela coisa de tá-calor-mas-não-durmo-sem-me-encobrir e tal. O cheiro dela ainda estava impregnado no canto direito da cama, dava pra sentir em cada inspiração. Maldita empresa que faz uma fragrância tão gostosa — duradoura. Damn you, Chanel Nº 5!

Dona de todos os seus sorrisos, preocupações e noites mal dormidas, era ela... Dora. De uns dias pra cá, deitar sem uma enxurrada de pensamentos contendo ela como assunto principal era tarefa impossível, assim como dormir. Lembrava agora involuntariamente dela, do seu amor tão doce, seu rosto tão lindo, seu corpo perfeitamente proporcional e seu cheiro — não mais o do perfume, aquele que era só dela e fragrância nenhuma nunca chegaria perto.

Agora sorria. A Dora era a maior graça no banho, aquela bobinha. Não parava quieta no lugar e ainda reclamava que toda vez o cabelo saía encharcado, ju-ra-va que não deixava mais eu dar banho. Bobagem um cabelo molhado, pensava. Ainda pensava demais nela, era verdade...

Uma dor forte começou e foi se intensificando. Finalmente sentia o nó na garganta e o buraco no peito de que tanto ouvia falar. Parecia ter um liquidificador com qualidades de buraco negro no meio do peito — nem no lado esquerdo, no meinho mesmo. Triturava e absorvia tudo, as borboletas no estômagos foram as primeiras, depois o nó na garganta, agora os pensamentos... um a um pra dentro do liquidificador-negro. Adormeceu, o cansaço falava mais alto que a insônia às vezes.


Post-it.


Dance Me To The End Of Love by Madeleine Peyroux on Grooveshark

Meu post-it rosa neon continuava colado ali na sua parede branca, no lugarzinho que eu deixei. Orgulho. Toda vez que passava por lá eu olhava de canto de olho dando uma conferida. Ali. Com um recadinho simples. Ele sempre esteve ali, quando nem mesmo eu estava. Aquele mesmo tempo que demorou e demorou, mas me levou até ti, te trouxe de volta pra mim. Dizem que o mundo dá voltas, mas quer coisa que dá mais volta que o relógio? O tempo passa, graças a Deus.

Nosso blues voltou. Dance me to the end of love. Aquela melodia gostosa que, segundo você, é-muito-eu. Pra mim ela é todinha você. Aquela associação música-pessoa, álbum-pessoa, cantor-pessoa, ritmo-pessoa. Desse jeitinho. Foi mais ou menos assim: Você me tirou pra dançar e me levou pro meio do salão. Socorro, baby, tá todo mundo olhando e essa música tá cheia de contratempo. Se tu me ensina, eu vou. Se tu me conduz, eu continuo. Não ligo que pagar de boba, desengonçada, coisa qualquer... os outros pensem o que quiser. Os outros são os outros.

Me importa você. Como você se sente, como eu te faço sentir, essas coisas que envolvem você, sua vida e seus sentimentos. Te quero bem e não quero te cansar. Parafraseei. Na minha To Do List eu já acrescentei: ( ) be a better girl.



402.

Ia bagunçando vidas e camas por onde passava. A Dora era um furacão de mulher. Revirava meio mundo de corações quando chegava e a outra metade quando saía. Se ela percebia? Captava no máximo uma olhada mais demorada aqui, um cochicho rápido dali. Sorria involuntariamente, era engraçado esse efeito que tinha nas pessoas. Não só ela, achava de um todo engraçado o efeito que as pessoas tinham umas nas outras.

Ela, fã incondicional dos Hermanos, achando que vive em "O Velho e o Moço", vai alternando entre gostar do gasto e do estrago. Coisa cruel de se dizer, apesar de, para ela, ser mais pro lado do tragicamente engraçado do que o cruel em si. Murphy, inferno astral, órbita dos planetas ou só muita má sorte, mesmo. Ou tudo isso junto numa onda de azar que a persegue desde sempre. 

De uns dias pra cá a Dora anda meio desanimada pra rir da própria desgraça. É muita risada que tem que dar, dói até a mandíbula. Sobra tempo pra mais nada. Rir por graça já nem lhe convinha mais. Alguma coisa - e quando digo alguma coisa eu, você e todos nós sabemos que eu quero dizer alguém - doía de latejar nela. A menina ficava com o nariz feito pimentão vermelho toda vez que brotava na memória aquele café tão mais gostoso que o dela.

A Dora precisa achar um cara, dono de outro apartamento sem elevador, que represente tudo que esse de antes representava a ela. Um daqueles legais e quase extintos, sabem? Que converse pelos cotovelos conversas que dá gosto de ouvir. E  que goste de mordidas. Tem que gostar de mordida.

Escape.

Já aviso de antemão que o texto terá alguns xingamentos. Daqueles que eu não externo na presença de gente nenhuma, mas que penso e praguejo em voz alta quando estou sozinha no quarto. Quem me lê desde os primórdios da minha escrita-como-válvula-de-escape sabe que quando o caso necessita das palavras mais fortes - os ditos palavrões - é porque a coisa tá feia.

I.
Putaquepariu, como você é burra, menina. Tá chegando na casa dos vinte e parecendo que voltou a ter dez anos de idade, que é isso, hein? A culpa é sua, todinha sua e de mais ninguém, nem adianta querer dividir com um ou outro, não vai adiantar. 

II.
Que desgraça de mania de se martirizar é essa? Errou? Errou e feio, por sinal. Mas já foi, o tempo não volta e o mundo não para pra você ficar lamentando o que passou e não foi do jeito que deveria ter sido. Ergue a cabeça e segue em frente...

III.
Por que raios existe essa merda desse orgulho ferido? E o ego, então? Cacete, esse monte de sentimentos mesquinhos e egoístas que a gente faz questão de ostentar num letreiro brilhante na cabeça só sabem ferrar com a gente. "Meu orgulho está ferido, não fale comigo" ou "Meu ego é maior que eu, mantenha distância" fica piscando na testa da pessoa.

IV.
Eu, capricorniana com ascendente em câncer, orgulhosa e rancorosa no mundo, acho mais fácil dizer: "Eu não tô bem e tá doendo pra caralho, mas eu vou melhorar". Só disfarço o que sinto quando me é conveniente ou necessário, do contrário eu sou é bem transparente - meus amigos de longa data que bem sabem.

Sinceridade ao lidar com as pessoas, ser mais brando ao falar o que pensa, pensar - sobretudo - que a vida é muito mais do que isso, esse aqui-e-agora. Na próxima década eu provavelmente não vou saber contar o porquê fiz isso ou aquilo, ou como esse e outro me machucaram, nem nada do que hoje é tão absurdamente sentido e vivido. Acredito que vou estar muito ocupada vivendo o que não saberei contar na década depois dessa próxima, também.

De porco espinho e gente espinha

Uma vez me sussurraram a história do porco-espinho e eu vou sussurrar de volta pra vocês. Acontece todo inverno, quando faz aquele frio de lascar, os porcos espinhos precisam achar uma forma de se aquecer. Os porquinhos vão chegando um perto do outro, outro perto de um, eles se aproximam e se amontoam devagarinho.

É difícil, o espinho desse espeta o de lá, o de lá espeta aquele dali e é um espeta-espeta-de-espinhos que não acaba mais. E não acaba mesmo. Os bichinhos vão se ajeitando até acharem um meio de ficarem perto o suficiente para não morrerem de frio e longe o bastante para não se machucarem. O porco-espinho que se afasta dos outros morre de frio.

Gente é bastante porco-espinho, eu penso. Eu preciso de você tanto.. e te espeto. E você não se afasta. E vice-versa. Não atravessar a linha tênue que existe entre se aconchegar no calor do outro e fazer um movimento brusco que o fira é, para mim, o desafio de viver. E a gente, eu, você, ele, todos nós, precisamos urgentemente aprender a viver. 

Um cacto rosa.

 Vêem aquela rosa ali no meio do jardim? A de pétalas escuras, viram? Ela é uma lindeza que só, não é? 

 É sim, muito bonita a rosa, mas olha como ela tá amarrada naquela estrutura de madeira. O que aconteceu com ela?

 Ela tá desse jeito que é pra não despencar de vez. Aquilo ali foi o jardineiro que não soube cuidar direito, estava andando distraído quando pisou na rosa. A pobrezinha agora só consegue ficar em pé amarradinha assim. 

 É uma pena. 

 Nem tanto, sabe? Ela já machucou muita gente, essa rosa. Rosas como ela são feitas para serem admiradas de longe, chegar um tantinho perto e sentir seu perfume e, muito de vez-em-nunca, acarinhar as suas pétalas vermelho-sangue. Nunca o caule, fiquem longe o quanto puderem dele, os espinhos lá são quase imperceptíveis, mas pontiagudos e afiadíssimos. Quem sabe assim, tão debilitada aos olhos de quem vê, todos vocês não tomam mais cuidado ao tocá-la? É preciso ir desprovido de euforia, ausente de afagos, sem amor demais  principalmente sem isso. Pior do que ter suas pétalas arrancadas e amassadas é a dor de ferir com espinhos quem só está ali pra te cuidar. Pobre do jardineiro. Eu havia de preferir ser só caule: verde e feio. Por caule puro ninguém se interessa, não ocorre a ninguém amá-lo sem o botão da rosa no topo. 

 Ninguém precisa de um cacto rosa no meio do jardim, o que ela ainda tá fazendo ali?

 (...) 

Olhou fixamente para os dedos das mãos cheios de marcas e curativos e respondeu:

 Eu ainda gosto dela.

Do que fiz.

Escrevo agora porque preciso, exatamente às 01:11 do início da madrugada dessa segunda-feira. Tava um frio retado, tu viu? Tinha esse vento com cheiro de semente de cacau queimada que a cidade tem e esse gelo entre nós. E tudo isso só porque eu fui muito inconsequente. Só, né? Foi muita coisa, eu sei. Sei também que exatamente agora você deve tá nutrindo uma coisa não-muito-bonita por mim aí dentro, acertei?

Eles me dizem essas coisas de que eu to crescendo, virando gente, tenho que aprender a pensar nas consequências dos meus atos. Eu penso, penso sim, só que às vezes a gente quer tanto viver que acaba tropeçando nos quereres, caindo dentro dos poços sujos do pensamento e se perdendo no meio da estrada. O atalho nunca é o caminho certo. É isso, boy, a adolescência passou, a gente já tá na faculdade, na luta pelo primeiro emprego e buscando um amor de verdade. Um dia a gente acha tudo isso aí. Enquanto isso, vamos vivendo.

Não espero que meras palavras escritas façam algum efeito por aí. Eu quero que tu não me queira mal, que não guarde mágoa doída de mim. Faz mal pra você, faz mal pra mim se eu souber que você embolou tudo e jogou num canto escuro e empoeirado da casa. Faz isso não, tá? Peço pelo bem e pelo gostar que eu te tenho - e é bastante. Agora eu parei, que você não deve tá querendo me ver, muito menos me ler. Mas, ó, boa noite, viu? Beijo.

A história do moço que caiu de amores

I've Just Seen A Face by Across the Universe cast on Grooveshark


Crianças, essa é a história da moça que fez o moço cair de amores por ela. A moça era bonita, suas feições tão delicadas quanto poderiam ser, seus cabelos longos e ondulados andavam sempre presos numa trança bagunçada, mas o que prendia mesmo a atenção eram os dois buracos-negros que ela carregava nos olhos. Que olhos aqueles eram. Intimidadores. Intimistas e cheios de dores. Se a moça assim desejasse, só de olhar pra alguém já seria suficiente para conseguir o que quisesse.

Inevitável, eu diria. Inevitavelmente inevitável que o moço não se apaixonasse por ela. Aconteceu no dia em que ela passou do lado dele na rua - seu andar que de tão leve nem parecia que estava pisando na calçada, seu vestido floral na metade da coxa e seu perfume - era o conjunto necessário para fazer aquele moço desiludido da vida e do amor ressuscitar. Aí ele virou o pescoço para acompanhá-la, logo depois virou o corpo todo e seguiu o caminho junto dela.

"Louco, perturbado, psicopata" ela deve ter pensado. Eles foram conversando.. pra falar a verdade a conversa era mais um monólogo recitado por ele no qual ela concordava com alguns "hm", "ah" ou vez ou outra uma risada sem-graça. Ele ficou no pé dela dias a fio até que ele conseguisse um aval de "tá, eu saio com você". Foi mais uma procura pela saída de emergência dali, dele sendo todo insistente e querendo demais.


Foi nessa procura desesperada por uma saída que ela o encontrou. Justo quando havia parado de procurar, quando havia aberto mão de amor&outrasdrogas, justo ali e justo ele. Então, ela desistiu de tentar desistir e se entregou ao moço. Essa foi a história do moço que caiu de amores pela moça que caiu de amores por ele depois.

Minha dor.

Em parceria com a bonita da Pâmela, do Pedaços.
Minha Madô,

O nosso veredito final vem do filme que nos uniu: Eu sou a Summer. A gente assistiu agarradinho no sofá da sala comendo pipoca, mal suspeitando que, meses depois, seríamos nós nos lugares dos protagonistas. Devíamos ter percebido os sinais, as expectativas se distinguindo da realidade, as coisas não-ditas. Sempre as coisas não-ditas ficam a assombrar a mente.

Ma dor. Teu nome me dizia que eu teria que ter coragem pra ficar contigo, teria que ser forte pra carregar o peso do sentir no ombro. E eu fui covarde, me amedrontei com a intensidade que teus olhos projetavam em mim, eles são sempre tão intrigantes que até hoje eu não consigo dizer o que tu tá pensando quando deita e repousa eles num ponto fixo do horizonte. Assustei e corri.

É, eu não sou nenhum garoto de 10 anos de idade, já passei dos 20, eu sei. Tenho consciência do peso e das consequências das minhas ações, mas eu não sou perfeito... eu errei, meu bem. Errei em não ter percebido antes que eu estava, no mínimo, quebrado em cacos e os cacos quebrados em cacos menores e todos esses espalhados pela casa e embaixo dos móveis empoeirados.

Eu entendo que não tem como você me entender, mas eu fiz isso porque te gosto. Do contrário eu ficava contigo, saía junto de mãos dadas, te exibia pra os meus amigos. Mas não é isso que eu quero - se é que eu sei o que é. Eu só te peço um tempo pra esfriar a cabeça, mas não peço que me espere - só me perdoa pelos danos que lhe causei. 


Te carrego no peito,
Léo.

Inconstância

Assim fica complicado, vê? O problema é que você me bagunça e tumultua tudo em mim. E me faz bembembem, mas ficar contigo desse jeito, te ter sem certeza que você é meu é só martírio. Eu nunca tive desprendimento suficiente pra ser assim, você sabe. Por algumas vezes eu quase esqueci desse monstrinho bruto e possessivo que se esconde em mim, mas eu não consigo aplicar o keep your expectations low, nem suporto essa coisa de não saber se devo ligar, se posso passar na sua casa, se eu tô incomodando. (...)

Eu quero saber de cor seus horários e te ligar até no meio da madrugada só pra te dizer oi - e pedir desculpas por ter te acordado, depois - porque eu sei que tenho autonomia pra isso. Eu não abro mão de certezas, ou fica ou vai embora. Ou quer ou não (me) quer. Se tem uma coisa que me tira do sério é inconstância. Odeio em caixa alta e letreiro vermelho piscante.

Você precisa de ver, um dia eu fico louca de saudade e vontade de se possível só ouvir sua voz me chamando e você me abraçando com o olhar, no outro eu tô respirando fundo me perguntando o porquê de você ter dito aquelas palavras, ou porque raios ainda não me ligou. E eu odeio sentir isso.

Então, vamos combinar uma coisa: Não vamos tentar formar amor na borda do prato fundo com a sopa de letrinhas. Não é assim que funciona, nenhuma barra deve ser forçada só pelo querer. Mas esquece isso, vem cá, vem.. deita aqui, me dá um abraço, me conta do seu dia. Como você tá, tudo certinho?

Oh, crap, i'm in love again.

Ouvi muito deles, os céticos, essas coisas desconfiadas que insistimos em não dar ouvidos. Lembra quando eles diziam que a gente não pode mergulhar de vez nessas coisas de relacionamento? Que tem que ir com calma, que você ainda é muito nova pra se prender a alguém, que não ter apego evita muito sofrimento. Aconteceu, como sempre acontece antes de você se espatifar no chão duro, frio e cheio de ladrilhos da piscina. Eu não mergulhei de cabeça, eu pulei direto de um salto ornamental de 30 metros direto na água azul piscina, mas antes que eu chegasse lá, ela esvaziou.

O tombo foi feio, teve arranhão no joelho, braço engessado e pedacinho de coração pra tudo que é lado. Foi daquelas sacudidas brabas que a vida te dá pra você acordar e não dormir no ponto tão cedo. O que ninguém entende é aquilo que o Cícero canta: Ninguém vai dizer/ Que foi por amor/ Todos vão chamar de derrota. Nenhum deles entende o porquê eu ainda te gostar, apesar de. Mas não preciso que entendam, o nós só interessa a mim e a você e isso basta. Você me abraça e eu sinto uma coisa bem bonita ali, me embaça tanto o óculos que eu só consigo ver você na minha frente, os outros apenas se movimentam atrás desfocados, o seu calor provoca a minha cura.


Carta do bem

Sabe qual é o seu problema, garota? Olhe, vou te falar só uma vez e não é pra esquecer: Seu problema é que você é bonita demais e não sabe disso. Ou sabe e esquece quando deixa o espelho, ou finge que não sabe só pra tentar passar despercebida - porque conseguir você jamais conseguirá, ou tu sabe que é bonita e tal, mas parece que, sei lá, a ficha não cai, ce parece que não entende, não sei qual é a tua.

Linda, linda, linda. Sabia que você é linda, linda? Tô repetindo assim que é pra ver se você se toca. Como assim? Assim, com esse jeitinho meigo que você tem, toda pequenininha, com esse sorriso bobo que eu adoro fazer aparecer contando qualquer-coisa-sem-graça, com esses olhos amendoados de cigana. Só por causa disso tudo você me deixa desse jeito, meio desestruturado, meio perdido, meio indefeso. Meio assim, desse jeito.

Aí o que acontece? Você vai e se esconde atrás desse óculos gigante de lentes quadradas, se coloca dentro duns shorts folgados e dessas blusas de lona de xadrez, pra quê, menina? Parece até que tem medo que te achem bonita. Te achem é gentileza minha, porque poutaquepariu, tu é linda demais! Continuo dizendo e não vou parar - parece que nunca é suficiente externar isso.

Então, entendeu, né? Linda e fim. Só precisa internalizar toda manhã pra não perigar esquecer, ô cabeça de vento!

Com gostar,
Seu Bem.

Ele mora em uma sensação.

De encontro em encontro a gente vai suportando a ausência, mas não há quem esqueça que a noite vem dura e fria cheia de lembranças bonitas-doídas-já-idas. É de abraço em abraço que se vai ocupando o mesmo espaço - o de antes, que hoje tá vazio, todo bagunçado ou recebendo visita de qualquer alguém. Entre uma conversa e outra a gente vai se desculpando e desculpando o outro, afinal... ninguém tem culpa da vida acontecer do jeito dela. 

Ela acontece. And so should you. Ela não para pela dor de ninguém, não fica vivendo de flash-backs, apenas segue indo junto com as coisas, com ou sem pessoas. Aí reclamamos, achamos injusta, não aceitamos... acho mais é que devíamos aprender com ela. A vida tá certa, só você não percebeu isso ainda.

Sobre isso de prosseguir: é uma merda, cheio de processos e estágios e noites de insônia com olheiras no dia seguinte. Uma coisa sobre o dia seguinte: ele sempre chega. Enquanto isso, cá dentro do peito... ele mora em uma sensação que eu só tenho ao lado dele, mas ele não mora mais em mim. Que pena, meu bem  não está mais aqui, ele foi pra longe-longe-longe - repetido três vezes, com ideia de eco que é pra perceberem a distância.

Até lá..

Ela é desses piratas que usam tapa-olho e carregam uma bússola quebrada no peito. Navega os sete mares atrás de ninguém sabe o quê, escondido não se sabe onde. Vai se guiando pelo vento que a viagem é breve e não há de demorar. Vive, como se não tivesse escolha, condenada a ser um viajante errante. Terra ela avista aos montes, mas lhe falta coragem pra ancorar. Vem de longe, sempre forasteira, passageira e mais logo se vai - que ela não pode se dar ao luxo de ninguém se acostumar. É perigoso. Causa simpatia, carinho, apego e coisa muito pior. Não, ela prefere ir embora. Só fica na lembrança. De um que ela enxugou a lágrima, de outro que a tirou pra dançar e do que não precisou pedir um abraço pra ganhar. Ela vai, mas sempre volta pra assombrar a memória. Ou não. Mas eu sei, você sabe e ela também: um dia ela cansa de ir e decide ficar. Numa rede, num balanço de parque ou numa cama bagunçada. Um dia ela joga a âncora e vai remando de bote até a margem.

O certo e o incerto, a gente vai saber?

A vida é uma caixinha de incertezas. Surpresas? Também. Boas e ruins, algumas mais frequentes que outras. Que certeza a gente pode ter na vida, me diz aí? Que Deus é amor, que tudo no mundo é passageiro e que essa vida é cheia de transbordar pela tampa de incertezas. E só.

Vou, saio andando com as pernas bambas, tropeçando nas calçadas do acaso, sujando a barra da calça no desatino do destino. A vida tem essas de dá nó de repente e pra desatar tem que ser com jeitinho, paciência e o tempo que for preciso que ele periga cegar ao menor sinal de deslize. 

É que eu meio que acabo escorrendo pelos cantos quando sinto algo forte, todo mundo já devia ter notado. Fujo, não-vou, viajo, evito, me escondo dentro de mim mesma e fecho a porta. Eu diria que é um meio de proteção, mas eu nunca escrevo me camuflando, então digo que é covardia, mesmo. Do pior tipo.

E dessa vez nem fui eu que fugi. Se eu estava com medo? Estava, demais. Sempre tenho. Mas, pela primeira vez, eu me permiti de verdade. Pena ter durado pouco, pena não ter durado. Foi brisa então, alguns podem presumir, veio e passou leve, sem ter com o que segurar depois. Engano triste. Foi furacão, veio com tudo, bagunçou a casa toda e cessou.

E é inevitável eu não ter a sensação de tudo meio inacabado. Mas é que essas coisas a gente vai processando devagarinho, meu bem, que o coração é um daqueles processadores velhos bem lentos e cheios de poeira, sabe? Se tentar fazer pegar no tranco, trava. 

Eis o motivo de tanto medo: quando os abraços se vão e as promessas esfriam, a gente fica só. A dorzinha fina vem nos dias frios, logo antes de dormir. Não tem ninguém pra enxugar a lágrima morna no desespero da madrugada. Guarda a incerteza no bolso e vive, garota. Tu há de conseguir.

Versus

A expectativa é a mãe da merda. Estava escrito em uma dessas imagens compartilhadas no Facebook. Achei a maior verdade lida esse ano. Expectativa - s.f. Esperança fundada em promessas, viabilidades ou probabilidades; Ansiedade, esperança. Ter expectativa ferra com tudo. Esperar a tal ligação no celular: ferra com tudo. Ter quase uma síncope quando ele fica online no chat: ferra com tudo. Ficar ansiosa porque ele vai viajar pra te encontrar: ferra muito com a coisa toda. Associar músicas, cantores e filmes com a pessoa: ferrou, danou-se, já era. "Sem expectativa, sem decepções", ouvi de um amigo e fiquei me perguntando: Como? Quem conseguir tem mais do que obrigação de disponibilizar um passo-a-passo em pdf, porque pra mim tá impossível de entender. Expectativa não é desapego. Desapego - s.m. Falta de apego; desafeição, desamor; desinteresse. Coisas totalmente diferentes e eu não sei qual é a pior. É, expectativa sucks, mas não sei não ter - e aposto que vocês não sabem também. Expectations x Reality - vão ser sempre diferentes. Queira Deus que o segundo supere o primeiro. Que me desculpem os céticos, os descrentes, os pessimistas, mas.. Veja bem, como é sequer possível?

ter fé e ver coragem no amor.

Show de Los Hermanos em Salvador.

Precisa dizer mais? PRECISO. Sabe quando você compra o ingresso do show em janeiro e espera ansiosamente pra maio chegar e você poder -finalmente- ver a banda? Então, essa foi minha expectativa pro show dos Hermanos.

 (pausa pra foto dos ingressos)

Viajei 7hr pra chegar em Salvador e fiquei na casa de uma amiga. Dia do show: chegamos na fila 15hr e o horário estava marcado pra 19hr. Momento tietagem total meu, porque a fila tava super no início quando chegamos. E, de qualquer forma, quando abriram os portões do Teatro foi um Deus-nos-acuda, um corre-corre louco até chegar ao 2º portão. Acidente nº 1: caí na escada. Ainda conseguimos ficar na frente da fila, que nessa altura já estava imensa. Espera mais um tempo e o 2º portão abriu. Multidão enfurecida saiu correndo como se não houvesse Brenda na frente pra atropelar. Acidente nº 2/3/4: Quando eu dei por mim já tinha rodado 180º e tava andando (ou melhor: tropeçando em pés, pernas e objetos que foram derrubados no chão pelos monstros fanáticos) de costas. Não foi fácil, amigos. Mas conseguimos ficar na 2ª fila da arquibancada, bem no meio, bem na frente deles. ♥

(pausa para a foto dos lindos)

Sobre o show eu nem preciso falar que eu chorei desde que começaram com "O Vencedor" e terminaram com "Pierrot", né? Ah, gritei, pulei, suei, AMEI. Ps.: ganhei uma gripe maldita assim que pisei em salvador e tava quase morrendo de tanto tussir. :( Gente, sem comentários, valeu a pena cada minuto de espera e cada lágrima porque eu morri de amores.

Vai aí o set list pra vocês:



 Levo a vida devagar pra não faltar amor.

Abril fez tanto calor!

Não sei ser pela metade, muito menos sentir. Essa coisa de acho-que-gosto-de-você, ou meio-que-me-sinto-bem-ao-seu-lado.. não dá pra mim. Eu te gosto. Não pelas mão dadas, pela mesa pronta do café, pelo sofá arrastado comigo em cima; não te gosto pelo gosto musical, por você dançar comigo, por me carregar no colo por aí. De todas essas coisas eu gosto, mas eu te gosto justamente pelo além disso, vê? Te gosto porque, como você mesmo me disse, quando duas pessoas estão juntas como devem estar, o lado bom de cada uma se ilumina. Te gosto pela pessoa que eu sou do seu lado, pela pessoa que você é comigo. Porque é bonito, tudo isso, ainda que (amar)gue no final. Te gosto, gosto do nós, dos laços e dos abraços. Sabe que meus olhos de cigana não chegam nem perto de ficarem como os de Capitu - de ressaca, oblíquos e dissimulados - perto de ti? E tudo isso eu percebi nesse mês quente de abril, quando a gente de repente ficou nublado, choveu o limite esperado do ano todo e ainda trovejou.

Escala de cores

São três tipos de pessoas e de cores: vermelho, verde e azul. Essas são as cores primárias e, não diferente delas, existem as pessoas primárias.

Pessoas-vermelhas. Elas te esquentam, te aquecem quando preciso, mas queimam se você tenta se aproximar muito. Chamam a atenção, se exibem todos, viram fogo. E apagam, um tempo depois. Enquanto elas ainda estão vermelhas, vocês tomam café, cozinham juntos – nachos, lasanha, macarrão, jogam poker, assistem filmes enrolados debaixo do cobertor. Alguns abraços, alguns amassos, mas não passa daí. O que se ama aqui é a idealização, o tipo de relação que vocês possuem, não a relação em si. Você ama os bares freqüentados, os filmes assistidos e as muitas risadas juntos. Depois fica tudo incrivelmente entediante. Você faz questão de estar sempre perto, mas uma hora só restam cinzas.

O lema é "seja leve, leve, me leve, leve o coração". Acontece naturalmente, vê? Essas são as pessoas-verdes, aquelas que você sente que conhece a anos-luz, desde a infância, ou de vidas passadas e se pega pensando como-não-tinha-conhecido-antes. Desde então, independente de estudar na mesma faculdade, ou viver na mesma cidade, vai durar. Podem ficar separados por meses, anos, extintos de contatos por celular ou Facebook, mas o reencontro vai acontecer e, acredite, será sincero. Porque é assim que elas são... verdadeiras. Pessoas de verdade.

Elas são pedaços de nuvens que têm desenhos engraçados, as pessoas-azuis. Com elas – e apenas com essas pessoas – é que você consegue ser totalmente você. Da cor que for. Vocês podem se abraçar bêbados, dormirem abraçados e passar protetor solar um no outro sem estragarem as coisas. Podem sentir ciúmes do primeiro que tentar chegar mais perto - ou tão perto - quanto você, brigar cons.tan.te.men.te por causa de ciúmes e ainda acordar no dia seguinte com um desejo de “bom dia” sonolento. Acontecem beijinhos despretensiosos na boca, pés entrelaçados e várias e várias poesias inspiradas. Íris na íris, mão na mão e abraço de urso. É azul, é permitido acontecer.

É colorido e é bonito, é só chegar.

Devagarinho

Andei cheia de meninice por esses últimos tempos. Coisa de enrolar lenço na cabeça, andar de touquinha de crochê por aí, sapato azul no pé. Avoada um tiquinho, também. Inevitavelmente nuvem. Sabe como é? Meio num mundo aqui, noutro lá. Distraída como sempre, tropeçando em pensamentos mais do que nunca. Eu só fico de cá lembrando, analisando, pensando e trepensando a vida. Que é bonita, apesar de tanto pesar. Eu penso também que não se pode deixar ela ir se perdendo assim, só dentro da nossa cabeça, aí paro de pensar e vou lá pra fora. Tem que se deixar ser levado pelo vento, mas levando sempre o guarda-chuva na mão em caso de tempestade - elas sempre chegam de surpresa, assustando quem não tá preparado... e nunca estamos, né? 

Se quiser, vem comigo que eu arranjo até um guarda-sol pra não chover na gente.

Enquanto isso, lá e cá.

"Odeio despedidas
Mas tudo bem
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo (...)"
Cícero - Tempo de Pipa


Odeio despedidas. Odeio saber antes de encontrar que vou ter que deixar partir. Odeio essa necessidade de estar perto o tempo todo só por saber que vou ficar longe mais tempo ainda. Eu quero ficar perto sabendo que no outro dia eu posso estar ainda mais. Vê? Tá difícil demais sem ninguém aqui. É ruim demais a distância, Bem, não se engane. 

Doem tanto "os últimos". O último abraço, o último beijo, o último olhar vendo o ônibus partir, a última vez que senti o perfume, a última vez que ouvimos aquela banda tocar, a última vez que esteve aqui. Aqui é a palavra certa, mas não aqui-aqui, aqui-do-meu-lado eu quero dizer - aí do seu também.

Ah, perdoa, vai. Eu tô assim só porque tô sendo contrariada em não poder ter quem eu quero na hora que eu quero. To fazendo birrinha com a vida. Juntei os dedos pra ela cortar. Mas, óh: Eu tô bem demais, viu? Fica bem daí... bem azul.

O que fica.

E finalmente vem a coragem de se aproximar e deixar o outro te aproximar. Porque, vezemquando, conseguimos atrair essas coisas que fazem bem pra gente. Por mais raro que essas coisas aconteçam, ainda acontecem. Os lindos sempre se vão para assombrar a memória, mas continuam lindos e sem machucar a gente.

Transparente feito um copo d'água, só que sem a tempestade. Dois signos de terra. Leve e doce, dos que eu estava precisando. Com carinhos, assim. Mão na mão. O vento traz o abraço pra perto e o perfume pra camisa. Me beija os olhos. Deposita ali um punhado de estrelas quentes que escorregam, se penduram nos meus cílios e fecham minhas pálpebras. Te beijo. 

E foi azul. Tal qual sua íris. Me fez bem.

doismiledoze

E pra 2O12? Prometi que não ia prometer nada. Essas promessas de virada de ano vão embora junto com as sete ondas puladas, só sobra você com os pés sujos de areia. Mas que mal há em querer? É sempre a opção mais despreocupada e é disso que as nossas vidas estão precisando tanto. A minha, principalmente.

Falando em precisar, né? Desatar os nós cegos estão no topo da lista. Laços me bastam. Bonitos e leves. Vou juntando todos na mesma caixinha decorada que estão as lembranças-de-sempre. O cotidiano não cabe em vinteequatro horas, pulsa desajustado, quase transbordando pela noite. Acumulo nasceres e pores-de-sol enquanto a vida acontece.

Não sei, aprendi a ajeitar as coisas de maneira que elas sempre se encaixem em mim. E eu nos outros. Porque às vezes, e só às vezes, percebo que despenco em queda-livre, cheia de ausência, vazia de tudo. Aí eu fecho os olhos e desejo baixinho: eu quero muito azul e alguns vermelhos de paixão. E volta, o dia, as pessoas, as batidas cardíacas aceleradas.