Já tenho asas.

Quase que eu me perdi nesse abismo interior. Foi por pouco. Não sei como consegui sair viva - diria ilesa, mas machucado foi o que eu mais tirei daí. Os curativos tive que fazer eu mesma, só eu enxergava onde doía. De novo a ferida escancarada, de novo o ácido pingando gota-a-gota nela. Doeu, ardeu, latejou. Dias, semanas, meses. Tempo demais.

Tinha coisa demais na história, também. Pensamentos demais, medos demais, amor demais. E aí eu explodi. De estar cheia de tudo isso - você pode pensar. Não foi. Explodi por não conseguir prender o vazio aqui dentro. Fiquei vácuo, fiquei oca, fiquei nada.

Me desfiz pra me refazer com jeitinho, tentando lembrar dos detalhes meus antes de, buscando na mente as pessoas que realmente importavam e se importavam, resgatando os retalhos perdidos no caminho. E pronto, já me consertei. E agora, veja bem, não tem quem me acorrente com olhares nem sorrisos. Me incluí um par de asas, to aprendendo a voar.

5 comentários:

Vanessa disse...

Acho que é assim que amadurecemos, né? Mas às vezes amadurecer endurece e nos faz mudar demais. O que importa mesmo é estar bem consigo mesmo! Beeijo

Nathália Azevedo disse...

"Me incluí um par de asas, to aprendendo a voar"... Isso sim que é ser lindo do início ao fim! ADOREI! *-*

Mariana Andrade disse...

eu te digo com a maior felicidade do mundo que me vi no teu post inteiro. a gente consegue ultrapassar tudo, bê.. sempre consegue.

beijo grande.

A autora. disse...

Nossa...que lindo! Me identifiquei do início ao fim. E quero bis!

:)

Apple disse...

Seus textos são lindos, este particulamente é espetacular. Você sabe por cada palavra em seu exato lugar e no final sai esse texto maravilhoso, que eu e aqueles que o leem se identificam. Parabens pelo talento menina.