Você vem?

Cansei das conversas jogadas fora, da indecisão que me confunde, do medo de errar que me persegue. Só cansei, sabe? De todo esse dramalhão desnecessário de novelinha mixuruca, das coisas sempre subentendidas. Quando tá tudo subentendido eu prefiro não entender do que entender errado. Gosto das coisas claras, preto no branco - às vezes no cinza, não vejo problema não.

O mau de vocês é ter medo de me machucar. Machuca, cacete. Me faz sentir decepção, dor, tristeza, mas me deixa sentir qualquer coisa além desse vazio dentro de mim mesma. Eu sou pequena assim, magrela assim, delicada assim, mas eu sou forte, sabia? Aqui em casa tem band-aid, álcool iodado, super bonder - se arranhar, sangrar ou quebrar eu conserto. De novo. Já tive que fazer tantas vezes.

Eu perdi o medo. O jeito é se arriscar, babe.

Às vezes de um clichê.

Carta da Rebecca,  feita pela Pamela.

Você me doeu na alma, Rebecca. Puta merda de carta essa, viu. To parado, debruçado na janela, observando a chuva cair, olhando contra a luz amarela do poste. Sentindo o vento fresco das noites assim, sentindo frio. Sentindo você longe. Fecho a janela. Ainda consigo sentir o teu cheiro do lado esquerdo da cama, impregnado nos lençóis, esquecido no travesseiro. Não acredito que você se largou aqui comigo e foi embora.

Eu te acostumei demais, foi isso. Amor demais acostuma e tudo que acostuma demais enjoa com a mesma facilidade. Meu erro foi te amar sem medida, sem fazer um pouco de charme desnecessário, foi não precisar ter ciúmes porque sabia que você era só minha, de corpo e alma, nunca ter recusado um chamado seu – pelo contrário – acordar no meio da noite e atravessar metade da cidade só pra te dar um abrigo. Errei querendo te dar o amor-clichê que toda mulher sonha. Devia ter percebido que você nunca foi igual a elas, era ímpar.

Se eu tivesse tido a chance de me despedir... Ah! Você me diria todas essas coisas e eu diria que: Cacete, eu mudo. Se for pra te manter por perto, eu amo menos. Folgo um pouco o laço. Finjo não ver as ligações, deixo de responder sms por não ter créditos, te deixo com saudades. Paro de mandar flores, viro cafajeste, faço o que precisar pra te manter por perto. Mas eu não tive essa chance e você não está mais aqui.

Fica longe o tempo que precisar, quando der você volta.

Com saudade,
Jhonny.

Subverteu (com Igor Marques)

Alguém me disse que duas pessoas devem se encontrar pelo menos duas vezes na vida. Os nossos (des)encontros passaram disso. Não foram duas vezes, nem o dobro, não. Foram meio infinitos, sabe? Perdi a conta. E não foi só isso que eu perdi. Não sei se você me levou contigo ou se ficou demais em mim. 

Isso de se esquecer no outro nos faz lembrar do que já fomos. Antes do laço apertar, virar nó e entalar na garganta. Quando nós ainda significava eu e você e não o que restou da gente. O sentimento minguou no peito. Apertou e sufocou de uma só vez. Soprei o seu nome e fechei os olhos, mas você não aparecia. Já não lembro do seu cheiro, o seu sorriso torto já não é mais tão descaradamente belo. Não me comove mais. O seu olhar profundo fica cada vez mais distante, embaçando aos poucos. O seu ego já não me torna seu, já faz tempo que não somos um do outro.

Sobre tempo: espero que ele cure todas as feridas como dizem. A minha ainda está aberta e arde. Talvez eu me canse de te esperar pra sempre. Talvez eu me mude pro mar, ou pro céu. Quero morar em uma estrela. Vou desabitar o nosso mundo. Queimar o seu travesseiro. Olhar para lugares inalcançáveis.Com a sua partida, eu sou um recomeço.  

Agridoce

Eu tô bem, eu tô leve, eu tô nuvem. Ou estive por pouco tempo, ou estava até pouco tempo. Não sei definir e nem quero. Ando oscilando freneticamente entre o doce e o amargo. Mas eu tô bem, vê? Tá tudo meio equilibrado daqui, meio bagunçado de lá. No fim das contas não tem nada fugindo muito do controle. 

Eu tô sonhando bastante - mais do que deveria e menos do que o suficiente. Tô na medida exata da metade. Metade esperançosa, metade desanimada, metade cheia de amor, a outra metade seca. Meio-a-meio. Quebrada. Juntar as metades sozinha requer muita paciência e força e fé e remar-remar-remar. Não sei se eu quero. Porque conseguir eu sei que consigo, pode levar o tempo que for, mas eu consigo. Só não quero. E há tantas outras coisas que eu quero mais.

Sabe o que eu descobri? Que eu, por agora, só tô precisada de pessoas. No plural. Daquelas com um ombro amigo, um abraço aconchegante e um sorriso doce. Onde essas foram parar?

Maionese.

Não é que ela tenha do que reclamar por esses dias. E não tem. Anda tudo até muito equilibrado de uns tempos pra cá. Tudo bonito como deveria sempre ser. Vês? Ela lida bem com os desaforos que a vida cospe na sua cara, eu também. E a parte em que fica desesperada sem saber como agir ou que dizer é escondida bem lá por detrás das risadas costuradas no rosto, onde ninguém sequer suspeite.

Mas, veja bem, ninguém consegue fingir por muito tempo. Uma hora a dor fina escapa lá de dentro. Aquela que você se convencia de que já havia passado, que não voltava tão cedo. Você desvia o olhar pra baixo, deixa a cabeça cair num ato involuntário e suspira. Te faz tantotanto bem, mas tanto mal. E dói absurdamente. E ilumina o seu dia com uma frequência incrível. Tanto bem, tanto mal.

E aí? Você continua. Do jeito que conseguir, do jeito que souber continuar. O importante é que se faça. É como você mesma disse: tem gente que sim, tem gente que não. E tem gente que é ímpar, de coração puro, de longos e loiros cabelos que merece uma cesta - com o que não couber no coração - cheia das melhores coisas que alguém pode oferecer nessa vida. Sem fim.

Mais uma das incontáveis conversas com a Patrícia que me fazem escrever textos.