Eco

Aquele medo de viver sozinha,
sozinha,
só.
[Meu Bem - O Círculo]

Eu tenho esse medo de que um dia a gente ache a tristeza normal, sabe? A dor, por maior que ela seja, a ferida, por mais que venha a arder, elas não podem ser suficientes para tal acomodação. Perigoso isso de abraçar tudo o que o vento traz consigo. Sempre vem poeira e ciscos que machucam os olhos junto.

A brisa eu sinto, leve, suave, refrescante. Adoro quando ela passa. Mas não basta. O que eu preciso mesmo é de uma alegria palpável, me entende? Isso mesmo que você pensou: uma alegria materializada em gente, que eu possa tocar o rosto, afagar os cabelos, abraçar até cansar. Deus sabe o quanto eu quero e espero por isso.

Antes esse fosse um lado meu que nem todos conheciam ou conheceriam, mas eu grito out loud pra quem quiser ouvir. Parece que quanto mais eu grito, mais eu afundo no poço escuro e frio, mais a minha voz soa como eco, mais quem ouve pensa "é coisa da minha cabeça".

Decisão matinal

Perdi a manhã embaixo do edredom, abraçada com os travesseiros e preferindo passar mais um bocado de dias ali, sem que precisasse levantar pra vida. Nem uma boa noite de sono eu tive, dormi de mau jeito, acordei com dor no corpo, olhos miudinhos e olheiras absurdas.

Aí vocês se perguntam o porquê de eu estar narrando a minha manhã desanimada, mas é só pra chegar até quando eu abro o meu e-mail e me deparo com palavras lindas bordadas de esperança e doçura, daquelas que só a MF sabe escrever - e foi quem as fez.

E esse rascunho de mim as leu - sim, porque ando me desconhecendo muito e desconfio que essa coisa opaca respirando não sou eu. E elas, docesdocesdoces, ecoaram inside. Bocejei um punhado de versos desconexos, eles caíram bem aqui. Pra quem quiser ler e saber que a minha meninice não acaba tão fácil assim.

Eu não sei onde se instala o problema, teimo em não acreditar que seja em mim. Vai que um dia eu cedo. Só vim dizer que não deixarei o azul ser extraviado daqui de dentro, não permito que vire poeira, que se perca no meio dessa bagunça. Continuo aluada, sim senhor. E quero mais que tudo que o amor me amanheça todos os dias.

Quebrando a cara numa porta enferrujada

"Eu estava puto com você. Estou puto com você.
Você foi inconsequente, quase que exagerado. Me deu planos, me colocou em planos. Mudou meu pensamento direcionado a rotina de cada dia.
Me chamou para almoçar, apresentou sua mãe, seus amigos. Compartilhou suas músicas, filmes, histórico afetivo.
Me encheu de palavras divertidas durante as semanas, sabe, encheu de novidade, frio no estômago. Bancou o direto, bancou o amável.
Fez eu me apegar, já que sempre estive vulnerável a qualquer tipo de intenções adoráveis - algumas coisas conseguem me contagiar muito rápido.
Em poucas semanas, você desenvolveu a minha vida a um ponto novo e arriscado. eu não sabia como agir, tinha quase que medo de te afastar com minhas bobagens, fui bobo.
Dormimos juntos, não houve sexo. Houve uma coisa linda, meio los hermanos, meio amélie poulain. Clichê.
Eu beijei seu olho, beijei você."

Do meu lindo Pablo Cordier.