Te dedilho.

Esses seus olhos carregam uma melodia que encanta, é intensa e cheia de vida. Espanta quem não entende de poesia-em-forma-de-gente. A cada balanço o seu andar deixa cair um punhado de notas improvisadas. Elas só são audíveis aos que estão atentos a ti. E, veja bem, eu sempre estive e escuto música em cada palavra dita por ti, batidas envolventes em cada risada espontânea. Bonito de se ver. Suave de se ouvir. 

Você deve ser agraciado com um dom ímpar. Isso de cativar pessoas com sorrisos é uma coisa que eu ouso chamar de incrível. Deveras inacreditável. Penso que a culpa é desse coeur de musicien - em francês, mesmo que é mais bonito - que ora bate no ritmo, ora fora dele. E o descompasso das batidas atinge o lado de cá. Se doer em você, dói em mim. Se te trouxer felicidade, também traz a mim. É tudo nessa sincronia, percebe? Deixa estar que eu te cuido, viu? Te abraço com os olhos, te quero um bem danado.

Vai vivendo, caindo nos poços sujos e cheios de limo, levantando, superando, continua o teu caminho, mas não deixa morrer a música que existe em você, boy. Carrega sempre o violão no ombro, toca Los Hermanos e Chico Buarque quando a vida estiver cinza. Canta bem alto. Se quiser pode ligar que eu cantarolo no meu melhor tom desafinado contigo.

Para o Victor, que tem música na alma.

O porquê da quietude.

Fico calada. Silêncio por tudo aquilo que ameaçou a ser e terminou antes do fim. Acabou suspenso no ar, dissipado entre as nuvens. Calo por um medo que restou em mim. Tem dias que ele gela tudo inside, queima mesmo. Fra-gi-li-za.

Mas, ei, essas palavras não são nenhum drama desnecessário, veja bem: eu não me desfiz dos meus sonhos-bobos-quase-utópicos. Eles ainda estão aqui, só que murchinhos.

Vai ver era só dizer a ela assim: Moça, por favor, cuida bem de mim. Você devia ficar mais atento ao que o Camelo diz. É tão simples devolver a boniteza para a rosa. Basta regar.