Em qualquer lugar, com alguns trapos, às 01:26 am.

Não estou fazendo sentido por dentro, nem por fora, nem do avesso. A mornidão, que tem me pintado de cinza-chumbo nesses últimos dias, finda com a brisa gelada da madrugada. Isso de uma dor substituir a outra acontece. A antiga é facilmente esquecida e todo o mecanismo de defesa emocional - claro, de que outra área eu poderia estar falando? - do seu corpo se volta para a ameaça iminente.

Agora eu estou moída, triturada, desfeita em incontáveis pequenos pedaços. Um trator-de-emoção passou por cima de mim, e isto já havia se tornado natural. Todos os dias eu sabia que ele viria, mas ainda que corresse, uma hora ele me alcançaria. E aí o estrago seria em proporções mais cruéis.

Já havia se tornado deveras enfadonho carregar tamanho fardo. Mas eu representava bem. Ninguém percebia que os meus olhos estavam mais fundos, sinceramente me condenando pela dramatização bem-sucedida.

A única coisa que teria o poder de me trazer de volta desse poço sujo era você. O seu sorriso. Eu poderia bordá-lo levemente nos meus cílios e adormecer ainda o contemplando.

6 comentários:

Vanessa disse...

Que lindo, Brenda! Quanto sentimento, quanta verdade transparecendo ao leitor.É sempre muito bom "te ler"!

Tays Esquivel disse...

O sofrido às vezes é bonito, não é? A gente fica até rindo da dor de vez em quando, porque por mais cinza que seja, continua sendo bonita. É como filme antigo do Chaplin...

Você, Brenda, merece todos os meus comentários cheios de elogios. Você é linda em cada letra que escreve. Escritora em cada texto que termina. Fantástica em cada vírgula. És digna de todas as minhas palavrinhas bobas. Infinitos parabéns.

Um cheiro.

Vagner Amaral disse...

incrível como o sofrido eh bonito [ parafraseando Tays Esquivel ]... aliás, eh realmente inexplicável essa atração que a melancolia costuma exercer.. você, de uma forma fantástica, conseguiu traduzir isso em palavras...

o texto eh simplesmente excelente!

Tainá Facó disse...

Brenda, seu texto me tocou tanto que fiquei me perguntando até que ponto eu comecei a me perder dentro de mim. Essas coisas todas do coração que ninguém explica, só sente.

Lindo demais.

Meu abraço, bonita.

Vanessa disse...

Brenda, senti vontade de voltar aqui para ler de novo este post. E não me dei por satisfeita com aquele comentário que já fez sobre ele. Queria te dizer novamente o quanto o texto me encantou. Parabéns pela forma linda e sensível que usa as palavras. Escreva mais e nos presenteie com isso! Beijos com cheiro e brilho de estrelas.

Ju Fuzetto disse...

Cinza- chumbo. Ás vezes parece que essa cor caminha junto comigo. Sabe que um sorriso bordado nos olhos brilha mais forte do que as estrelas?! Aqui tb as estelas pulsam feito coração.

Beijo Brendinha!