Everlasting love

Ele é desses que desembrulha o melhor sorriso todas as vezes que te encontra. Desses que te dá vontade de afundar no ninho do seu abraço e morar ali. Que assopra um punhado de pozinho azul nos seus olhos e te deixa cega. De amor. Desses que gosta de se esquecer em você. E eu me esqueço de pensar em outra coisa além dele. De que ele está ali e isso basta.

Ele é desses que consegue empequenar as tristezas do dia, independente de quantas foram. Que decifra o turbilhão de coisas confusas que você tem por dentro e que só de sussurrar que vai ficar tudo bem, tudo já fica escandalosamente doce. Desses cheio de singularidades. E pluralidades. E bonitezas em cada pedaço de si.

Ele é desses que não cabem em um sentimento apenas, é preciso deixá-lo vagar no seu interior e ocupar todos os espaços. Todos os cantos mais escuros e silenciosos. Desses que transbordam ternura, que eternizam palavras.

Ele é desses que me destranca, que me escreve em poesia. Que se escreve em poesia. Ele é desses que evaporam poesia ao caminhar. Ô, Deus, o que eu estou dizendo? Ele é a própria poesia, na sua mais admirável personificação.

Ele é desses que some sem aviso prévio e te deixa pensa pensando "Que raio aconteceu com ele?" com freqüência, mas volta sempre mais lindo. Ele é desses que manda cartas e economiza créditos pra te ligar no dia do aniversário.

Ele é desses. Desses que te ama infinito positivo. E te faz ser duplamente recíproca em tudotudotudo. Ele é desses e me faz ser dessas.

Urgência

Essa coisa de pessoas que doem na gente pode ser bastante perigosa. Você ama a pessoa tantotantotanto, meu Deus. E numa dessas anoitecidas que o dia dá, esse amor esbarra no limite de você mesma. Não dá pra continuar, é arriscado demais.

O amor mingua. Existe isso? Se é amor, não devia mudar, diminuir, acabar. Não é o que dizem? Mas a verdade é que isso é triste mas acontece, baby. Só sobra o cheiro de madrugada cobrindo a cama. Só lágrimas mornas deixando seu rastro molhado pelas bochechas, só o olhar perdido a procurar o que não está mais ali. Só o mesmo nariz-ruborizado de quando eu choro.

O que eu queria era ser infinita, meu bem. Você me ocuparia inteira, todos os cantos e nunca teria uma bendita parede indicando: O fim de mim. Eu não sabia que pessoas acabavam por dentro, mas na vida tudo tem limite, prazo, validade, esses nomes diferentes uns dos outros que querem todos dizer a mesma coisa: FIM.

Acontece que eu me perdi nas tuas linhas e me preciso de volta. My love is still the same. Devolva-me a mim.

Não me levem a sério. Outro dia eu amanheço cheidiamor de novo e querendo rabiscar essas palavras.

Querer inevitável

Eu quero um amor vermelho-laranja-amarelo-verde-azul-anil-violeta. Um arco-íris no dedo anelar da mão esquerda. Acordar às 11 horas do domingo com o rosto amassado dos lençóis, o cabelo mais-bagunçado-impossível! e me deparar com um par de olhos mornos, secretamente me observando enquanto dormia e que agora me olham curiosíssimos. Curiosidade não sei porquê, se ele sempre sabe com quem eu sonho.

Eu quero ler bilhetes românticos espalhados pela cômoda, em cima da mesa da cozinha ou grudados no espelho. Que todos os cantos da casa exalem o amor mais bonito. Que música seja ouvida mesmo com o aparelho de som desligado. Melodia suave, envolvente. Quero danças ao som das batidas descompassadas e aceleradas dos nossos corações. Um pisão no pé sem querer, a risada inevitável a seguir.

Eu quero o ciúmes sem nenhum motivo, quero as brigas com todos eles. Quero isso de não conseguir dormir sem estar tudo bem. De não conseguir dormir só pela insônia dos dois, passar a madrugada numa conversa-muda de olhares. Ou em divagações sobre temas difíceis demais para serem discutidos à luz do dia. Momentos de epifania, muitos deles.

Eu quero um happy ending. E um happy beginning too. Eu quero tudo isso. Eu quero tanto isso.

Em qualquer lugar, com alguns trapos, às 01:26 am.

Não estou fazendo sentido por dentro, nem por fora, nem do avesso. A mornidão, que tem me pintado de cinza-chumbo nesses últimos dias, finda com a brisa gelada da madrugada. Isso de uma dor substituir a outra acontece. A antiga é facilmente esquecida e todo o mecanismo de defesa emocional - claro, de que outra área eu poderia estar falando? - do seu corpo se volta para a ameaça iminente.

Agora eu estou moída, triturada, desfeita em incontáveis pequenos pedaços. Um trator-de-emoção passou por cima de mim, e isto já havia se tornado natural. Todos os dias eu sabia que ele viria, mas ainda que corresse, uma hora ele me alcançaria. E aí o estrago seria em proporções mais cruéis.

Já havia se tornado deveras enfadonho carregar tamanho fardo. Mas eu representava bem. Ninguém percebia que os meus olhos estavam mais fundos, sinceramente me condenando pela dramatização bem-sucedida.

A única coisa que teria o poder de me trazer de volta desse poço sujo era você. O seu sorriso. Eu poderia bordá-lo levemente nos meus cílios e adormecer ainda o contemplando.

De Maria e Brenda, para o mundo II.

I.

B: Olha só aquele casal. Aquilo não é amor nem de longe. Nem que eles quisessem muito, seria. Eu ficaria melhor ao lado dele.
M: Ele parece estar pensando em outra coisa. Quer dizer, sempre que ela abaixa a cabeça pra rir, ele olha pros lados e lhe dá tapinhas nas costas. QUAL É A DELE?
B: A dele é a de todos. Aposto toda a minha falta de sorte no amor que ele não está interessado na conversa, que nem se lembra da última frase.
M: Homens são todos iguais, partindo desse conceito. Nenhum deles me parece interessado nas conversas...
B: Devem se distrair observando o seu decote, ou imaginando quando você irá calar a boca e ele possa te beijar.
M: Ou quando ele vai poder sair dali... Sabe, eu fosse você eu iria ali, pediria licença com bastante educação e o arrancaria de lá.
B: Não preciso de outra desilusão, minha esperança está murchando. Seria implorar por um fim mais rapidamente.
M: Não fale besteiras, você vive se lamentando e não faz nada mudar a situação. Aliás, eu sei que é complicado..
B: Homens nunca percebem as coisas.
M: Verdade..Eles nunca percebem, por exemplo, que a gente sorri bem mais quando está apaixonada. Nem que a voz sai tremida por causa do coração saltando.
B: Ou quando olhamos pra baixo só pra não nos perdermos num olhar muito demorado e denunciador. A facilidade com que mordemos os lábios por não saber o que dizer.
M: Eu falo demais. Nem penso direito, acho graça lembrando depois. E às vezes pareço muito romântica, fico olhando pro nada...
B: Gente babaca fica olhando pro nada. Os românticos... Ah, o que fazem os românticos, mesmo?
M: Gente romântica é babaca.

Coisas minhas e sem sentido (pt. II)

Mais coisas.
Sou irremediavelmente viciada em internet. (Shiu, não contem para a minha mãe). Tenho medo de ficar sozinha em casa. Ouço barulhos bizarros quando estou com medo. Odeio ter pesadelos. Sonhos bonitos deixam meu dia mais feliz. Receber mensagem de texto no celular me faz ir no céu e não voltar. Principalmente algumas.

Gosto de sorvete de menta. Nunca consigo tomar um milkshake inteiro. Perguntei se o Açaí era feito de banana, da primeira vez que eu provei. Como muita besteira. Falo muita besteira. Penso e sinto mais besteiras ainda. Faço drama em excesso por coisas que num dia parecem terríveis, mas no outro eu nem encontro motivos para ficar triste.

Corto o cabelo quando estou down, querendo uma mudança na vida. Cortei ele faz dois dias. Está parecendo o da Amélie Poulain. Quero mudança. Quero pessoas diferentes. Quero experiências novas. Quero muita coisa e não consigo nada. Nada está me fazendo rir, nesses últimos dias. Sou a pessoa mais fácil pra dar risada.

Meu sonho é trabalhar na edição de uma revista de moda. Eu queria ser estilista, mas já desisti da ideia. Ainda desenho alguns croquis. Os desenhos são horríveis e estão espalhados por Recife e Salvador. Quando eu trabalhar e ganhar dinheiro, irei economizar para visitar os amigos bonitos que moram longe. Me esperem.

Esse texto e o anterior não têm poesia nenhuma, nem uma palavra bonita sequer. Seco. É pra falar de mim, mesmo que ninguém se interesse em ler. Agora que já fiz, prometo voltar aos floreios e mimimi's de sempre.

Coisas minhas e sem sentido

Eu tenho 18 anos, mas isso não muda nada para a minha mãe, que ainda quer me manter presa em uma gaiola. Sou tímida com gente que eu não conheço. Não sei quebrar um silêncio constrangedor e começar uma conversa. Com os amigos eu me transformo. Viro eu mesma. Minha mãe e minha avó brigam, reclamando que eu sorrio mais quando estou com eles. Eu penso "Mas vocês não são engraçadas, ué." e ignoro. Já aprendi a relevar tanta coisa.

Sou minimalista, cada detalhe é precioso para que os ouvintes - ou leitores - entendam a dimensão das coisas. Sou tão prolixa quanto hiperbólica. Odeio com todas as forças que me interrompam enquanto estou falando. E aqui vem a contradição: É raro isso não acontecer. Desisto de falar. Sofro de esquecimento agudo. Já nem lembro mais como eu queria que esse texto saísse.

Gosto de muita gente. Pessoas são deveras interessantes, apesar de me enjoarem com rapidez. Sou uma amiga relapsa. Mas fiel. Amo o cheiro único que cada um possui. Amo as vozes, gírias que elas utilizam e o sotaque notável. Tenho amigos (de verdade) que conheci pela internet e nunca vi. Não entendo gente que duvida que essas relações existam.

Odeio a distância, essa maldita. Odeio o final das coisas, também. Final de colégio, final de romances, final de dinheiro, final da vida. Eu amo escrever. E ler. E amo quando alguém lê o que eu escrevo e elogia. Quero publicar um livro. Quero comprar vários livros. Quero morar no Rio de Janeiro. Quero achar o amor da minha vida que irá me fazer feliz incondicionalmente.

Tenho paixonites platônicas por vários caras legais e eles nem suspeitam disso. Às vezes elas duram anos, alguns meses ou nada mais que uma semana. Sofro por causa delas. Estou aprendendo a passar por cima sem muito nhenhenhe. Minha fé no amor está minguando. Sad, but true.

Meu problema é acreditar nas pessoas. Sou facilmente enganada. Mentiras me dão náuseas. Esse texto não ficou nem perto do que eu queria. Desaprendi a escrever. As frases estão ficando cada vez mais sem sentido, mas escrever faz bem. Me sinto mais leve. Esvazia.