Puro sentimentalismo barato

Eu não havia percebido que, ao andar em meio às rosas, os espinhos poderiam me arranhar. E realmente o fizeram. Não pouco, como era de costume. Os cortes foram profundos e se abriam sob a minha pele como marcas da confusão dos feelings, da ausência aguda. Porque com o belo sempre vem o que machuca, a parte que faz mal - para equilibrar, eu suponho.

Novamente pingam ácido na ferida escancarada, mas não dói. Não mais do que doeu nas outras vezes. Eu me acostumei com a dor. Ela já estava tão presente nas minhas noites que não encharcar o travesseiro com vontade derretida e quente era um alívio. Dormiria banhada de luar e teria sonhos - não bonitos, mas também não desesperados. Esperançosos, talvez.

Acordei com o rosto abatido, olhos pequenos, olheiras fortes, uma dor de cabeça que não suporta ouvir barulho algum - todos os sintomas de ressaca, sem ser. Ressaca só se for de um sentimentalismo barato, da sensibilidade exacerbada que ainda insiste em me habitar. Preciso que os expulsem daqui. Alguém?

Sonhos têm recheio de magia

Teus beijos cálidos me cobriam de ternura. Meus suspiros eram lépidos – aliviados por te possuírem ali, now. Os corpos estavam colados; Expressavam o desejo da não-separação, já tão intrínseco no nosso interior. Nosso. Nossa! Quando as coisas são profundas demais, não é possível disfarçá-las nos gestos. Saem totalmente seguras de si, imperceptíveis aos olhos dos donos. Absurda aos dos que estão por perto.

Tão leve aquilo me deixava por dentro que eu chegava a flutuar de tanta belezura. Leve. Me leve. Só peço que não demore. Se apressa, eu quero você. O sonho, aquele que aparece como uma nuvem em cima da nossa cabeça, sabe? Foi assim. A desesperança apodrece os sonhos, sweetheart. Não deixe isso acontecer nunca. Desesperança é o fim. Sonho é o começo. Sem sonho, não há vida.

E o meu amor entra trôpego pela porta principal, esbarrando em móveis, tropeçando no carpete e derrubando a xícara de café - já frio - deixada na noite anterior ao lado do sofá. Desesperado para te encontrar. É do complemento que tanto precisamos, não tem mistério nenhum. E tem mágica. É o que torna tudo épico.

A noite é segura

Eu tenho uns pensamentos-loucos-suicidas, vez em quando. Neles dá vontade de abandonar tudo o que me faz bem - por algum impulso de repelir coisas boas, ou só por medo, mesmo. O medo me tem sido tão companheiro durante os dias cinzas. Só durante os dias, já que nas noites tudo fica azul - mesmo que escuro - e cheio de pontinhos brilhantes no céu. 

As estrelas carregam tanta esperança na sua luz que logo eu deixo de lado os pensamentos matinais para dar lugar aos noturnos. Devaneios da madrugada. E, no meio dessa confusão de turnos e feelings, aparece você: Carregando a mala que transborda uma fé imensa e sonhos incontáveis. Tudo fica lindo demais.

Eu ouço a minha fraqueza gritar, implorar para que eu não seja covarde e fuja. Seria impossível prosseguir carregando uma culpa tão suja, eu percebo. Coisas bonitas vêm acompanhadas de dores finas. Elas se chamam saudade.