Tudo se iguala.

Você pode não entender, pode me chamar de fútil, mas do que eu tô precisando agora é de umas dessas doses de amor, pode ser do paraguaio mesmo. Até prefiro que seja. Pode ser um falsificado convincente com dor de cabeça garantida no dia seguinte, efeito colateral de arrependimento, ressaca moral: tô aceitando. 

Preciso que desçam queimando, rasgando a garganta, com careta de amargo no final. Um amor-alcaçuz — doce no começo e amargo no final. Desses de te fazer perder a cabeça e não querer nem lembrar no dia seguinte. Daqueles que só duram enquanto houver lua no céu, estrelas penduradas e fim. 

Depois acaba e não vai pesar. Não há pesar. Antes que você perceba, já passou. É natural que seja assim, é ideal, porque não dá tempo de machucar. Chorar é vão, meu bem. Lágrimas mornas são para as pessoas azuis, só pra elas. É só questão de se bastar.

Já tenho asas.

Quase que eu me perdi nesse abismo interior. Foi por pouco. Não sei como consegui sair viva - diria ilesa, mas machucado foi o que eu mais tirei daí. Os curativos tive que fazer eu mesma, só eu enxergava onde doía. De novo a ferida escancarada, de novo o ácido pingando gota-a-gota nela. Doeu, ardeu, latejou. Dias, semanas, meses. Tempo demais.

Tinha coisa demais na história, também. Pensamentos demais, medos demais, amor demais. E aí eu explodi. De estar cheia de tudo isso - você pode pensar. Não foi. Explodi por não conseguir prender o vazio aqui dentro. Fiquei vácuo, fiquei oca, fiquei nada.

Me desfiz pra me refazer com jeitinho, tentando lembrar dos detalhes meus antes de, buscando na mente as pessoas que realmente importavam e se importavam, resgatando os retalhos perdidos no caminho. E pronto, já me consertei. E agora, veja bem, não tem quem me acorrente com olhares nem sorrisos. Me incluí um par de asas, to aprendendo a voar.

Você vem?

Cansei das conversas jogadas fora, da indecisão que me confunde, do medo de errar que me persegue. Só cansei, sabe? De todo esse dramalhão desnecessário de novelinha mixuruca, das coisas sempre subentendidas. Quando tá tudo subentendido eu prefiro não entender do que entender errado. Gosto das coisas claras, preto no branco - às vezes no cinza, não vejo problema não.

O mau de vocês é ter medo de me machucar. Machuca, cacete. Me faz sentir decepção, dor, tristeza, mas me deixa sentir qualquer coisa além desse vazio dentro de mim mesma. Eu sou pequena assim, magrela assim, delicada assim, mas eu sou forte, sabia? Aqui em casa tem band-aid, álcool iodado, super bonder - se arranhar, sangrar ou quebrar eu conserto. De novo. Já tive que fazer tantas vezes.

Eu perdi o medo. O jeito é se arriscar, babe.

Às vezes de um clichê.

Carta da Rebecca,  feita pela Pamela.

Você me doeu na alma, Rebecca. Puta merda de carta essa, viu. To parado, debruçado na janela, observando a chuva cair, olhando contra a luz amarela do poste. Sentindo o vento fresco das noites assim, sentindo frio. Sentindo você longe. Fecho a janela. Ainda consigo sentir o teu cheiro do lado esquerdo da cama, impregnado nos lençóis, esquecido no travesseiro. Não acredito que você se largou aqui comigo e foi embora.

Eu te acostumei demais, foi isso. Amor demais acostuma e tudo que acostuma demais enjoa com a mesma facilidade. Meu erro foi te amar sem medida, sem fazer um pouco de charme desnecessário, foi não precisar ter ciúmes porque sabia que você era só minha, de corpo e alma, nunca ter recusado um chamado seu – pelo contrário – acordar no meio da noite e atravessar metade da cidade só pra te dar um abrigo. Errei querendo te dar o amor-clichê que toda mulher sonha. Devia ter percebido que você nunca foi igual a elas, era ímpar.

Se eu tivesse tido a chance de me despedir... Ah! Você me diria todas essas coisas e eu diria que: Cacete, eu mudo. Se for pra te manter por perto, eu amo menos. Folgo um pouco o laço. Finjo não ver as ligações, deixo de responder sms por não ter créditos, te deixo com saudades. Paro de mandar flores, viro cafajeste, faço o que precisar pra te manter por perto. Mas eu não tive essa chance e você não está mais aqui.

Fica longe o tempo que precisar, quando der você volta.

Com saudade,
Jhonny.

Subverteu (com Igor Marques)

Alguém me disse que duas pessoas devem se encontrar pelo menos duas vezes na vida. Os nossos (des)encontros passaram disso. Não foram duas vezes, nem o dobro, não. Foram meio infinitos, sabe? Perdi a conta. E não foi só isso que eu perdi. Não sei se você me levou contigo ou se ficou demais em mim. 

Isso de se esquecer no outro nos faz lembrar do que já fomos. Antes do laço apertar, virar nó e entalar na garganta. Quando nós ainda significava eu e você e não o que restou da gente. O sentimento minguou no peito. Apertou e sufocou de uma só vez. Soprei o seu nome e fechei os olhos, mas você não aparecia. Já não lembro do seu cheiro, o seu sorriso torto já não é mais tão descaradamente belo. Não me comove mais. O seu olhar profundo fica cada vez mais distante, embaçando aos poucos. O seu ego já não me torna seu, já faz tempo que não somos um do outro.

Sobre tempo: espero que ele cure todas as feridas como dizem. A minha ainda está aberta e arde. Talvez eu me canse de te esperar pra sempre. Talvez eu me mude pro mar, ou pro céu. Quero morar em uma estrela. Vou desabitar o nosso mundo. Queimar o seu travesseiro. Olhar para lugares inalcançáveis.Com a sua partida, eu sou um recomeço.  

Agridoce

Eu tô bem, eu tô leve, eu tô nuvem. Ou estive por pouco tempo, ou estava até pouco tempo. Não sei definir e nem quero. Ando oscilando freneticamente entre o doce e o amargo. Mas eu tô bem, vê? Tá tudo meio equilibrado daqui, meio bagunçado de lá. No fim das contas não tem nada fugindo muito do controle. 

Eu tô sonhando bastante - mais do que deveria e menos do que o suficiente. Tô na medida exata da metade. Metade esperançosa, metade desanimada, metade cheia de amor, a outra metade seca. Meio-a-meio. Quebrada. Juntar as metades sozinha requer muita paciência e força e fé e remar-remar-remar. Não sei se eu quero. Porque conseguir eu sei que consigo, pode levar o tempo que for, mas eu consigo. Só não quero. E há tantas outras coisas que eu quero mais.

Sabe o que eu descobri? Que eu, por agora, só tô precisada de pessoas. No plural. Daquelas com um ombro amigo, um abraço aconchegante e um sorriso doce. Onde essas foram parar?

Maionese.

Não é que ela tenha do que reclamar por esses dias. E não tem. Anda tudo até muito equilibrado de uns tempos pra cá. Tudo bonito como deveria sempre ser. Vês? Ela lida bem com os desaforos que a vida cospe na sua cara, eu também. E a parte em que fica desesperada sem saber como agir ou que dizer é escondida bem lá por detrás das risadas costuradas no rosto, onde ninguém sequer suspeite.

Mas, veja bem, ninguém consegue fingir por muito tempo. Uma hora a dor fina escapa lá de dentro. Aquela que você se convencia de que já havia passado, que não voltava tão cedo. Você desvia o olhar pra baixo, deixa a cabeça cair num ato involuntário e suspira. Te faz tantotanto bem, mas tanto mal. E dói absurdamente. E ilumina o seu dia com uma frequência incrível. Tanto bem, tanto mal.

E aí? Você continua. Do jeito que conseguir, do jeito que souber continuar. O importante é que se faça. É como você mesma disse: tem gente que sim, tem gente que não. E tem gente que é ímpar, de coração puro, de longos e loiros cabelos que merece uma cesta - com o que não couber no coração - cheia das melhores coisas que alguém pode oferecer nessa vida. Sem fim.

Mais uma das incontáveis conversas com a Patrícia que me fazem escrever textos.

Let me be.

Já faz um tempo que pouca coisa me causa um reboliço por dentro. Um tempo que eu não escrevo e evito ler constantemente. Que me marquem profundamente sem sair correndo depois. Já faz um tempo de tanta coisa, sabe? As palavras são essas: tempo e distância. Elas melhoram um bocado.

Não estou muito certa se consigo continuar além dessas três linhas. Tem que ser verdadeira, a escrita. Nada forçado. Na vida também é assim. Então.. let it be. Let me be.

Antes tarde...

Ô, darling, sai dessa manta cinza, sai. Aqui fora nem tá fazendo tanto frio assim. Deixa esses sentimentos congestionados seguirem em frente. Segue em frente você também. Já passou da hora. Life goes on. Já tá cicatrizando, não tá? Você mesma disse que estava. Então.. desapega, beibe. Não de ninguém, mas dessa mania de dor. Martírio pra quê? Larga disso. Ficar impondo a si mesma esse sofrimento, assim. Para. Até parece que gosta.

Fica tão difícil de ir embora, eu sei. Deixar ir, abrir mão e desistir parecem palavras tão covardes. Nenhuma digna de você. Cansar eu cansei, você também cansou. Mas sentir não é fraqueza não, darling. Sentir não é pecado. É isso que você precisa entender. Não precisa se crucificar desse jeito. Todos estamos sujeitos a isso. Ninguém se salva. O pior é esse. Sobre a hora de parar? A gente sabe quando passa a fazer mais mal do que bem. E aí insistir só machuca.

Enfim, em fim.

Tired.

"I'm tired of trying
Your teasing ain't enough
Fed up of biding your time
When i dont get nothing back"
Tired - Adele


À noite eu coloco um moleton surrado, prendo o cabelo no alto, faço um café forte e fico. Custo a dormir, às vezes. Os dias têm sido difíceis de atravessar. Uma barra passar sozinha por tanta coisa assim de vez. Cheia de amigos ao redor, te ligando, disputando espaço na sua agenda corrida de fim de semestre, mas ainda sozinha. Ando constantemente cansada, que será? Será que o que já foi não volta, baby.

Quando não é você que tropeça nos dias, são eles que te atropelam. E aí desanda tudo. Esse lado meio escondido que a gente tem escorrega das mãos no solavanco e cai. Fica todo espalhado no chão, as folhas voando longe com o vento, a chuva molhando tudo, borrando o papel, disfarçando as lágrimas. Todos param e olham o seu desespero inútil em tentar recolher a bagunça. Tudo escancarado, você jogada ali, toda exposta. Não adianta, menina. Já foi. Recolhe tudo com calma, vai arrumando as páginas na ordem, tem problema se algumas se perderem no processo, não. Deixa elas caírem nas poças e se desfazerem. Melhor pra você.

Que horror viver. Cansa demais. E volto ao cansaço do começo. A rotina me cansou um bocado. Sair da rotina quase me levou à loucura e eu quis - ainda quero - voltar pra ela e não consigo mais. Desestabilizou. Mas continuo. As pessoas me cansaram tanto que, CreinDeusPai! Tomei um abuso delas que só vocês vendo. E continuo. Cansada. Persistindo, com a fé minguada. Mas ali.

O que dizer.

Que te dizer?

Que te ver todos os dias da semana me faz um bem danado e que não ver deixa um nozinho apertado na garganta. Não desata. Que conversar com você faz as palavras ficarem docesdocesdocíssimas e, de tanto doce, pode amargar de vez em quando. Que o seu abraço tem sido o mais sincero dos últimos tempos e te abraçar dá vontade de não largar mais. Que você foi a minha melhor aquisição na categoria 'pessoas' do ano. Que o seu cheiro é muito-seu e pra sentir é só respirar mais fundo do seu lado. Muito-seu. Que você sabe como me irritar com comentários ao mesmo tempo em que sabe muito me fazer chorar com as palavras bonitas que diz. Que as suas sms não cabem mais na caixa de entrada do celular, mas estão todas guardadas em mim. Que eu não sei te dividir com os outros. Que você, sem sombra de dúvidas, é Leão com ascendente em Leão. Ô, se é. Que seu pé podia ficar repousado sobre o meu o dia-inteiro-todo-dia e sobre a perna também. 

Que te dizer, agora, que já disse todas essas coisas?

Consulta

- Onde dói? Perguntou o doutor.

Dói tudo, cada partezinha do meu corpo, cada membro, cada fio de cabelo. Dói nas pernas. Tá muito pesado pra carregar esse fardo sozinha. Tá tudo pesado demais. Essa cadeira também não é das melhores, né. Meus olhos também doem, sabe? Uma certa dificuldade de enxergar. Na verdade tá um pouco escuro, aqui. Você não acha? Ah, é. Minha barriga tem se revirado muito, esses dias. Uma coisa meio vazia, ou cheia de coisa que não devia estar ali. Queria conseguir vomitar. Nunca consegui enfiar o dedo na garganta pra forçar. Queria saber. Hm, onde mais? Meus pés, eles doem sempre que ando um pouco mais além do que o casa-ponto-de-ônibus, ou casa-shopping. Sempre que eu ando demais, procurando desnorteada pelo que não está ali, nem nunca esteve, ou esteve um dia e já se foi. Dói no coração. Esse eu estava guardando pro final. Principalmente nele. Que a cada sístole eu sinto uma dor fina atravessando o peito e com diástole o alívio repentino. Podia ter só sangue preenchendo ele. Mas, não... me inventaram de entupir até a tampa com sentimento. Agora já era. Dói e não para, Doutor.

- É só uma dor de cabeça muito forte que eu tenho sentido faz vários dias, Doutor. Só ela. Tomando um analgésico passa, não é?

A Dora.

Diria que ela é magricela, tem a estatura normal de mulher, cabelos pretos-quase-azulados na altura das costas, olhos igualmente escuros com longos cílios. Diria a quem perguntasse que a Dora é assim, mas ainda não seria capaz de descrevê-la. Jamais conseguiria colocar toda aquela singularidade em palavras. Ímpar, eu posso afirmar. Em ambos os sentidos: que não se pode comparar e que não é divisível por dois. Sim, estava sempre sozinha, apesar de andar constantemente acompanhada de belos rapazes. Não se deixava somar.

Eu entendi e atribuí o conceito ímpar à Dora tarde demais. O estrago já estava consumado. Não fui forte o suficiente para resistir ao cheiro seu perfume doce. Era demais pra mim. Ainda sinto ele no canto do sofá, às vezes. É estonteante. Ai, como a ausência da Dora me dói vezemsempre. Penso&Desejo muito a bendita. Escrevo bastante sobre ela, também. Merda! São sempre as mesmas palavras tresloucadas e excruciantes que ficaram entaladas na garganta quando ela me deu o último beijo pra guardar de lembrança.

Não mencionei, mas nesse exato momento eu estou na mesa do bar. Sozinho, tendo desatinos sobre Dora. Bebi o resto da cerveja do copo, pedi outra pro garçom, traguei o cigarro bem uns três segundos. Veio aquela vontade insaciável que você sente do sorriso da pessoa. Puta, que merda. Fumaça. Mais cerveja no copo. Nunca fui de beber nem fumar assim. Eu tô é enlouquecendo sem essa mulher. Realidade absurda, essa. 

Se eu estivesse em casa colocaria Adele pra tocar. O Cd 21. Deprimente. Tomaria um banho, na tentativa frustrada de lavar Dora da minha cabeça. Tomaria algum remédio e apagaria na cama. Mas eu estou aqui e agora, querendo as mãos dela, uma em cada lado do meu rosto, alisando a minha barba mal feita. merdamerdamerda! Meu Deus, me tira daqui. Tira a Dora de mim.

É assim a Dora, mas ela adora.

Vermelho

"As vezes eu só quero descansar
Desacreditar no espelho
Ver o sol se pôr vermelho
Acho graça
Que isso sempre foi assim
Mas você me chama pro mundo
E me faz sair do fundo de onde eu tô de novo"
(Marcelo Camelo - Vermelho)

A ordem agora é suavizar. Ser leve, se deixar levar. A brisa há de nos carregar para um lugar silencioso. Com uma maré mansa e um sol vermelho se pondo. Deita nessa rede, deixa ela balançar compassada, você ajudando ela um pouco com o pé batendo na parede quando ela ameaçar parar. Fecha os olhos, descansa dessa vida, que ela cansa e não é pouco.

Carrega nos olhos o entardecer, mas amanhece com vontade amanhã. Deixa as coisas inesperadas te fazerem ruborizar, Menina. Vermelhinho nas bochechas e corando. É uma graça, sabia? Todos acham. Você precisa de mais fé em si mesma, porque diferente você já é.

O dia que virá tem que ser vermelho, a gente torce pra que seja. Com força. Vermelho porque é intenso, é marcante, nunca passa despercebido e é amável. O dia que vai vir não pode nunca ser em vão. Os pés tem que carregar alguma coisa que caia pela estrada pra marcar o caminho. Não pode se perder. Não podem te perder assim, por descuido.

O barco vai encontrar a margem. O pôr-do-sol vai guiá-lo.

Palavras para Agosto

Li Machado de Assis desmerecendo Agosto. Li Caio Fernando dando dicas de como atravessar esse mês. Li muito sobre Agosto em Julho. Entendo como uma certa ânsia de que esse mês acabasse logo. Era isso. E eu já to com ojeriza antes mesmo da primeira semana se completar. Não que nunca tivesse vivido Agostos antes, mas... nem me atrevo a continuar.

O mês que passou me disse que todo mundo ainda é analfabeto funcional quando a matéria é Vida. Mas agora o mês é outro. Agosto, me diz: Há gosto em você? Preciso saber como me prevenir contra as barras que podem surgir. Tá punk. Não acredito que horóscopo ajude nessas horas. A órbita dos planetas tá toda bagunçada pro meu lado. Sempre esteve.

Eu até tinha uma coisa incrivelmente boa, mas insuportavelmente efêmera. Tão efêmera que passou antes mesmo de terminar a frase anterior. E tudo me conduziu para este here and now. Eu só quero me sentir bem. Bem longe. Em algum lugar onde os sorrisos ainda sejam coisas sinceras e os abraços, bonitos. Onde o outro importe. Se importe.

Agosto, você pode vir suave. Sem muita pressa de acontecer, bem devagarzinho, se for pra ser azul. Mas não se demore muito a acabar, visse? Que eu fico daqui agoniada com tanta vagareza nos dias, a semana parece que emperra e custa a passar. Dá uma aflição, um aperto aqui no peito. Agosto, essas são palavras pra ti, pra mais ninguém. Pegue elas que ainda estamos no terceiro dia, vai. Anda.

Invasores.

Sua vida tá ali, tranquilinha, calma, sem muitas preocupações, quando surgem os invasores. Vários deles. Eles são muitos e brotam de toda parte. Eles entram e bagunçam tudo, alteram a ordem que as coisas deveriam ser, sentam nas cadeiras sem pedir licença, abrem a sua geladeira esbanjando falta de educação e ficam ali, conversando alto, falando - dentro de você - sobre você. Absurdo.

Quem permitiu eles entrarem? Onde acharam a chave da casa? Vieram eles em paz, ou dispostos a causar terror? Me pergunto daqui enquanto observo eles invadirem a minha vida. Ei, eles até que são bastante espontâneos. Carregam uma coisa branca nas mãos. Vejam: chegaram de bandeirinha branca e tudo. Fico daqui observando essas pequenas criaturinhas intrometidas.

Num canto tem as 4 amigas do ensino médio, sentadinhas em círculo, rindo e falando um pouco alto demais, provavelmente sobre homens. Do outro lado da sala, sentados no chão e em algumas almofadas estão os boêmios demais com os seus vinhos demais, cigarros demais e sonhos franceses.

Em frente à televisão estão os nerds jogando videogame enquanto bebem cappuccino e comem cookies. Conversas que se você piscar o olho já não entende que rumo levou, sabe? É. Andando de um lado pro outro fica o trio da faculdade. Aqueles que se amaram à primeira vista e se amarão pelos próximos quatro anos, no mínimo.

E eu de cá. Amando essa invasão que eu não queria, mas agora não consigo ir em frente sem. Sem compartilhar disso tudo, dos pensamentos, das barras de sentir, das ilusões e desilusões que não são poucas, dessa vida que sem eles seria uma merda de ser vivida.

Para ler pausadamente.

Redes sociais. F5 freneticamente. Música Nacional pra traduzir na minha língua o sentimento. Dança descompassada. Desvios de pensamento. Sorvete, sorvete, sorvete. Abraços com os olhos. O perfume que fica na roupa. O pedaço que vai junto com o tchau. Eu.

Textos do Gabito Nunes. Aposentei Caio Fernando Abreu - ele está precisando de um descanso, diga-se de passagem. Amigos de longe, amigos de muito longe. Fotos posadas. Forjando espontaneidade. Palavras embaralhadas. Sorrisos espalhafatosos. Querer.

Receitas culinárias. Tentativas de costura de uma roupa e outra de remenda do meu coração. Embrulho de edredom. Frrrrrio. Filmes de chorar. He's Just Not That Into You. Lições pra vida. Ou não? Gritos silenciados. Lágrimas enxugadas. Desnecessárias. Indecisão.

Eco

Aquele medo de viver sozinha,
sozinha,
só.
[Meu Bem - O Círculo]

Eu tenho esse medo de que um dia a gente ache a tristeza normal, sabe? A dor, por maior que ela seja, a ferida, por mais que venha a arder, elas não podem ser suficientes para tal acomodação. Perigoso isso de abraçar tudo o que o vento traz consigo. Sempre vem poeira e ciscos que machucam os olhos junto.

A brisa eu sinto, leve, suave, refrescante. Adoro quando ela passa. Mas não basta. O que eu preciso mesmo é de uma alegria palpável, me entende? Isso mesmo que você pensou: uma alegria materializada em gente, que eu possa tocar o rosto, afagar os cabelos, abraçar até cansar. Deus sabe o quanto eu quero e espero por isso.

Antes esse fosse um lado meu que nem todos conheciam ou conheceriam, mas eu grito out loud pra quem quiser ouvir. Parece que quanto mais eu grito, mais eu afundo no poço escuro e frio, mais a minha voz soa como eco, mais quem ouve pensa "é coisa da minha cabeça".

Decisão matinal

Perdi a manhã embaixo do edredom, abraçada com os travesseiros e preferindo passar mais um bocado de dias ali, sem que precisasse levantar pra vida. Nem uma boa noite de sono eu tive, dormi de mau jeito, acordei com dor no corpo, olhos miudinhos e olheiras absurdas.

Aí vocês se perguntam o porquê de eu estar narrando a minha manhã desanimada, mas é só pra chegar até quando eu abro o meu e-mail e me deparo com palavras lindas bordadas de esperança e doçura, daquelas que só a MF sabe escrever - e foi quem as fez.

E esse rascunho de mim as leu - sim, porque ando me desconhecendo muito e desconfio que essa coisa opaca respirando não sou eu. E elas, docesdocesdoces, ecoaram inside. Bocejei um punhado de versos desconexos, eles caíram bem aqui. Pra quem quiser ler e saber que a minha meninice não acaba tão fácil assim.

Eu não sei onde se instala o problema, teimo em não acreditar que seja em mim. Vai que um dia eu cedo. Só vim dizer que não deixarei o azul ser extraviado daqui de dentro, não permito que vire poeira, que se perca no meio dessa bagunça. Continuo aluada, sim senhor. E quero mais que tudo que o amor me amanheça todos os dias.

Quebrando a cara numa porta enferrujada

"Eu estava puto com você. Estou puto com você.
Você foi inconsequente, quase que exagerado. Me deu planos, me colocou em planos. Mudou meu pensamento direcionado a rotina de cada dia.
Me chamou para almoçar, apresentou sua mãe, seus amigos. Compartilhou suas músicas, filmes, histórico afetivo.
Me encheu de palavras divertidas durante as semanas, sabe, encheu de novidade, frio no estômago. Bancou o direto, bancou o amável.
Fez eu me apegar, já que sempre estive vulnerável a qualquer tipo de intenções adoráveis - algumas coisas conseguem me contagiar muito rápido.
Em poucas semanas, você desenvolveu a minha vida a um ponto novo e arriscado. eu não sabia como agir, tinha quase que medo de te afastar com minhas bobagens, fui bobo.
Dormimos juntos, não houve sexo. Houve uma coisa linda, meio los hermanos, meio amélie poulain. Clichê.
Eu beijei seu olho, beijei você."

Do meu lindo Pablo Cordier.

Apesar de.

Greve na universidade é coisa boba, sabe? Você só fica algumas semanas mofando em casa. Lê, escreve quando tem motivo ou inspiração, assiste todo o estoque de filmes antigos da sua casa e volta a ter uma vida virtual, ao invés de social. Periga só o semestre ser cancelado, mas isso só é preocupação pra quando ela acabar.

Pior é a greve no amor que foi deflagrada quando eu nasci e não tem previsão de término. Uma barra. Vocês podem dizer que estou sendo a little bit exagerada ou melodramática, mas eu chamaria de ser realista. É verdade, dói fino bem no fundo, mas a gente aceita pra não ficar alimentando ilusão - que é coisa bem pior, convenhamos.

Então você espera, mas esperar cansa tanto, mon amour. E eu já cansei de estar cansada, vê? Mas que se há de fazer? É preciso continuar, apesar de. Só nos resta a vida inteira. E é esse apesar que tanto pesa em mim.

Te dedilho.

Esses seus olhos carregam uma melodia que encanta, é intensa e cheia de vida. Espanta quem não entende de poesia-em-forma-de-gente. A cada balanço o seu andar deixa cair um punhado de notas improvisadas. Elas só são audíveis aos que estão atentos a ti. E, veja bem, eu sempre estive e escuto música em cada palavra dita por ti, batidas envolventes em cada risada espontânea. Bonito de se ver. Suave de se ouvir. 

Você deve ser agraciado com um dom ímpar. Isso de cativar pessoas com sorrisos é uma coisa que eu ouso chamar de incrível. Deveras inacreditável. Penso que a culpa é desse coeur de musicien - em francês, mesmo que é mais bonito - que ora bate no ritmo, ora fora dele. E o descompasso das batidas atinge o lado de cá. Se doer em você, dói em mim. Se te trouxer felicidade, também traz a mim. É tudo nessa sincronia, percebe? Deixa estar que eu te cuido, viu? Te abraço com os olhos, te quero um bem danado.

Vai vivendo, caindo nos poços sujos e cheios de limo, levantando, superando, continua o teu caminho, mas não deixa morrer a música que existe em você, boy. Carrega sempre o violão no ombro, toca Los Hermanos e Chico Buarque quando a vida estiver cinza. Canta bem alto. Se quiser pode ligar que eu cantarolo no meu melhor tom desafinado contigo.

Para o Victor, que tem música na alma.

O porquê da quietude.

Fico calada. Silêncio por tudo aquilo que ameaçou a ser e terminou antes do fim. Acabou suspenso no ar, dissipado entre as nuvens. Calo por um medo que restou em mim. Tem dias que ele gela tudo inside, queima mesmo. Fra-gi-li-za.

Mas, ei, essas palavras não são nenhum drama desnecessário, veja bem: eu não me desfiz dos meus sonhos-bobos-quase-utópicos. Eles ainda estão aqui, só que murchinhos.

Vai ver era só dizer a ela assim: Moça, por favor, cuida bem de mim. Você devia ficar mais atento ao que o Camelo diz. É tão simples devolver a boniteza para a rosa. Basta regar.

Para o velho e querido pai.

Sei que você nunca leu nada do que eu escrevo, ler logo esse texto pode ser um baque, mas é que se eu escrevê-lo e você não ler ele perderá o sentido e o propósito. Pode chorar porque eu já estou em únicas três linhas.

Eu sei também que a vida tem sido doída, você sofre daí e eu duplamente daqui, paizinho. É difícil nadar contra a correnteza, mas você é forte e foi quem me ensinou a nunca desistir dos sonhos e sempre perseverar. É o que eu te peço agora. Olha pro alto que ajuda. Se apóia na fé e lembra que o meu amor não acaba nunca.

As coisas hão de melhorar. Você nunca tirou aquele bom e velho sorriso do rosto e não é agora que isso vai acontecer. Tudo vai ficar lindo, exatamente como deve ser. Eu acredito e um dia vou me gabar dizendo que "eu avisei, ein".

Um beijo da sua filhota.

Nunca erro

Eu sei que a vida pode cair na mesmice algumas vezes – ou mais vezes do que gostaríamos. E eu não vejo, desculpem a falta de incentivo, nada que esteja ao nosso alcance que possa evitar. É natural e não adianta chorar, espernear, pensar em tirar a vida, desistir de tentar, ficar bêbado, nem muito menos reclamar. Não tem pra onde correr. Esses dias cinzas vêm sem serem convidados e se prolongam se você der espaço.

Deixe estar que as cores vão voltando aos poucos, é só não perder aquela coisa que dizem ser a última que morre – mas que pra mim deveria não morrer nunca, a verdade é essa. A esperança traz de volta uma parte do que se perdeu, ela conserva na memória o essencial. Não perca a esperança nunca, por favor. Não deixe os sonhos se esvaírem daí de dentro. Eles são tão bonitos e doces.

Eu sinto uma coisa bem forte nesse momento. Sinto que as coisas boas estão chegando por aqui – também por todos os lados – e estão lotadas de sorrisos e abraços bons. Minhas intuições e pensamentos estão sempre certos, believe me.

Palavras cuspidas, um desabafo.

Se hoje eu choro, já nem sei mais o porquê. Não entendo tampouco os soluços que intercalam essas lágrimas mornas. Nem quentes, nem frias. Algum lugar intermediário onde não é tanto, nem tão pouco. Não sei onde fica. Mas tem alguém lá que eu conheço de vista. Nada profundo, nem por inteiro.

Estou estilhaçada. Cacos estrelares apagados pelos quatro cantos de mim. E o que posso fazer, se essa dor – ainda que quebrada – continua ardendo como chama acesa? Já faz um tempo que eu virei um rascunho do que quero ser, ou devia ser e não me permito. A coisa ficou punk.

Tenho andado aos trancos, tropeço em cada calçada mais elevada, sou deveras aluada e na minha tentativa frustrada de afastar aquilo que não me faz bem, minhas pernas vacilam e eu desabo. Me derramo. Ando arrastada por um instante, não gosto da sensação de ter falhado. Desanimo numa proporção assustadora, preciso da coragem de uma vida inteira para me erguer de novo.

Mas eu continuo. Com a minha meninice de sempre, sonhos leves e um coração extraviado que não tem previsão de volta.

Everlasting love

Ele é desses que desembrulha o melhor sorriso todas as vezes que te encontra. Desses que te dá vontade de afundar no ninho do seu abraço e morar ali. Que assopra um punhado de pozinho azul nos seus olhos e te deixa cega. De amor. Desses que gosta de se esquecer em você. E eu me esqueço de pensar em outra coisa além dele. De que ele está ali e isso basta.

Ele é desses que consegue empequenar as tristezas do dia, independente de quantas foram. Que decifra o turbilhão de coisas confusas que você tem por dentro e que só de sussurrar que vai ficar tudo bem, tudo já fica escandalosamente doce. Desses cheio de singularidades. E pluralidades. E bonitezas em cada pedaço de si.

Ele é desses que não cabem em um sentimento apenas, é preciso deixá-lo vagar no seu interior e ocupar todos os espaços. Todos os cantos mais escuros e silenciosos. Desses que transbordam ternura, que eternizam palavras.

Ele é desses que me destranca, que me escreve em poesia. Que se escreve em poesia. Ele é desses que evaporam poesia ao caminhar. Ô, Deus, o que eu estou dizendo? Ele é a própria poesia, na sua mais admirável personificação.

Ele é desses que some sem aviso prévio e te deixa pensa pensando "Que raio aconteceu com ele?" com freqüência, mas volta sempre mais lindo. Ele é desses que manda cartas e economiza créditos pra te ligar no dia do aniversário.

Ele é desses. Desses que te ama infinito positivo. E te faz ser duplamente recíproca em tudotudotudo. Ele é desses e me faz ser dessas.

Urgência

Essa coisa de pessoas que doem na gente pode ser bastante perigosa. Você ama a pessoa tantotantotanto, meu Deus. E numa dessas anoitecidas que o dia dá, esse amor esbarra no limite de você mesma. Não dá pra continuar, é arriscado demais.

O amor mingua. Existe isso? Se é amor, não devia mudar, diminuir, acabar. Não é o que dizem? Mas a verdade é que isso é triste mas acontece, baby. Só sobra o cheiro de madrugada cobrindo a cama. Só lágrimas mornas deixando seu rastro molhado pelas bochechas, só o olhar perdido a procurar o que não está mais ali. Só o mesmo nariz-ruborizado de quando eu choro.

O que eu queria era ser infinita, meu bem. Você me ocuparia inteira, todos os cantos e nunca teria uma bendita parede indicando: O fim de mim. Eu não sabia que pessoas acabavam por dentro, mas na vida tudo tem limite, prazo, validade, esses nomes diferentes uns dos outros que querem todos dizer a mesma coisa: FIM.

Acontece que eu me perdi nas tuas linhas e me preciso de volta. My love is still the same. Devolva-me a mim.

Não me levem a sério. Outro dia eu amanheço cheidiamor de novo e querendo rabiscar essas palavras.

Querer inevitável

Eu quero um amor vermelho-laranja-amarelo-verde-azul-anil-violeta. Um arco-íris no dedo anelar da mão esquerda. Acordar às 11 horas do domingo com o rosto amassado dos lençóis, o cabelo mais-bagunçado-impossível! e me deparar com um par de olhos mornos, secretamente me observando enquanto dormia e que agora me olham curiosíssimos. Curiosidade não sei porquê, se ele sempre sabe com quem eu sonho.

Eu quero ler bilhetes românticos espalhados pela cômoda, em cima da mesa da cozinha ou grudados no espelho. Que todos os cantos da casa exalem o amor mais bonito. Que música seja ouvida mesmo com o aparelho de som desligado. Melodia suave, envolvente. Quero danças ao som das batidas descompassadas e aceleradas dos nossos corações. Um pisão no pé sem querer, a risada inevitável a seguir.

Eu quero o ciúmes sem nenhum motivo, quero as brigas com todos eles. Quero isso de não conseguir dormir sem estar tudo bem. De não conseguir dormir só pela insônia dos dois, passar a madrugada numa conversa-muda de olhares. Ou em divagações sobre temas difíceis demais para serem discutidos à luz do dia. Momentos de epifania, muitos deles.

Eu quero um happy ending. E um happy beginning too. Eu quero tudo isso. Eu quero tanto isso.

Em qualquer lugar, com alguns trapos, às 01:26 am.

Não estou fazendo sentido por dentro, nem por fora, nem do avesso. A mornidão, que tem me pintado de cinza-chumbo nesses últimos dias, finda com a brisa gelada da madrugada. Isso de uma dor substituir a outra acontece. A antiga é facilmente esquecida e todo o mecanismo de defesa emocional - claro, de que outra área eu poderia estar falando? - do seu corpo se volta para a ameaça iminente.

Agora eu estou moída, triturada, desfeita em incontáveis pequenos pedaços. Um trator-de-emoção passou por cima de mim, e isto já havia se tornado natural. Todos os dias eu sabia que ele viria, mas ainda que corresse, uma hora ele me alcançaria. E aí o estrago seria em proporções mais cruéis.

Já havia se tornado deveras enfadonho carregar tamanho fardo. Mas eu representava bem. Ninguém percebia que os meus olhos estavam mais fundos, sinceramente me condenando pela dramatização bem-sucedida.

A única coisa que teria o poder de me trazer de volta desse poço sujo era você. O seu sorriso. Eu poderia bordá-lo levemente nos meus cílios e adormecer ainda o contemplando.

De Maria e Brenda, para o mundo II.

I.

B: Olha só aquele casal. Aquilo não é amor nem de longe. Nem que eles quisessem muito, seria. Eu ficaria melhor ao lado dele.
M: Ele parece estar pensando em outra coisa. Quer dizer, sempre que ela abaixa a cabeça pra rir, ele olha pros lados e lhe dá tapinhas nas costas. QUAL É A DELE?
B: A dele é a de todos. Aposto toda a minha falta de sorte no amor que ele não está interessado na conversa, que nem se lembra da última frase.
M: Homens são todos iguais, partindo desse conceito. Nenhum deles me parece interessado nas conversas...
B: Devem se distrair observando o seu decote, ou imaginando quando você irá calar a boca e ele possa te beijar.
M: Ou quando ele vai poder sair dali... Sabe, eu fosse você eu iria ali, pediria licença com bastante educação e o arrancaria de lá.
B: Não preciso de outra desilusão, minha esperança está murchando. Seria implorar por um fim mais rapidamente.
M: Não fale besteiras, você vive se lamentando e não faz nada mudar a situação. Aliás, eu sei que é complicado..
B: Homens nunca percebem as coisas.
M: Verdade..Eles nunca percebem, por exemplo, que a gente sorri bem mais quando está apaixonada. Nem que a voz sai tremida por causa do coração saltando.
B: Ou quando olhamos pra baixo só pra não nos perdermos num olhar muito demorado e denunciador. A facilidade com que mordemos os lábios por não saber o que dizer.
M: Eu falo demais. Nem penso direito, acho graça lembrando depois. E às vezes pareço muito romântica, fico olhando pro nada...
B: Gente babaca fica olhando pro nada. Os românticos... Ah, o que fazem os românticos, mesmo?
M: Gente romântica é babaca.

Coisas minhas e sem sentido (pt. II)

Mais coisas.
Sou irremediavelmente viciada em internet. (Shiu, não contem para a minha mãe). Tenho medo de ficar sozinha em casa. Ouço barulhos bizarros quando estou com medo. Odeio ter pesadelos. Sonhos bonitos deixam meu dia mais feliz. Receber mensagem de texto no celular me faz ir no céu e não voltar. Principalmente algumas.

Gosto de sorvete de menta. Nunca consigo tomar um milkshake inteiro. Perguntei se o Açaí era feito de banana, da primeira vez que eu provei. Como muita besteira. Falo muita besteira. Penso e sinto mais besteiras ainda. Faço drama em excesso por coisas que num dia parecem terríveis, mas no outro eu nem encontro motivos para ficar triste.

Corto o cabelo quando estou down, querendo uma mudança na vida. Cortei ele faz dois dias. Está parecendo o da Amélie Poulain. Quero mudança. Quero pessoas diferentes. Quero experiências novas. Quero muita coisa e não consigo nada. Nada está me fazendo rir, nesses últimos dias. Sou a pessoa mais fácil pra dar risada.

Meu sonho é trabalhar na edição de uma revista de moda. Eu queria ser estilista, mas já desisti da ideia. Ainda desenho alguns croquis. Os desenhos são horríveis e estão espalhados por Recife e Salvador. Quando eu trabalhar e ganhar dinheiro, irei economizar para visitar os amigos bonitos que moram longe. Me esperem.

Esse texto e o anterior não têm poesia nenhuma, nem uma palavra bonita sequer. Seco. É pra falar de mim, mesmo que ninguém se interesse em ler. Agora que já fiz, prometo voltar aos floreios e mimimi's de sempre.

Coisas minhas e sem sentido

Eu tenho 18 anos, mas isso não muda nada para a minha mãe, que ainda quer me manter presa em uma gaiola. Sou tímida com gente que eu não conheço. Não sei quebrar um silêncio constrangedor e começar uma conversa. Com os amigos eu me transformo. Viro eu mesma. Minha mãe e minha avó brigam, reclamando que eu sorrio mais quando estou com eles. Eu penso "Mas vocês não são engraçadas, ué." e ignoro. Já aprendi a relevar tanta coisa.

Sou minimalista, cada detalhe é precioso para que os ouvintes - ou leitores - entendam a dimensão das coisas. Sou tão prolixa quanto hiperbólica. Odeio com todas as forças que me interrompam enquanto estou falando. E aqui vem a contradição: É raro isso não acontecer. Desisto de falar. Sofro de esquecimento agudo. Já nem lembro mais como eu queria que esse texto saísse.

Gosto de muita gente. Pessoas são deveras interessantes, apesar de me enjoarem com rapidez. Sou uma amiga relapsa. Mas fiel. Amo o cheiro único que cada um possui. Amo as vozes, gírias que elas utilizam e o sotaque notável. Tenho amigos (de verdade) que conheci pela internet e nunca vi. Não entendo gente que duvida que essas relações existam.

Odeio a distância, essa maldita. Odeio o final das coisas, também. Final de colégio, final de romances, final de dinheiro, final da vida. Eu amo escrever. E ler. E amo quando alguém lê o que eu escrevo e elogia. Quero publicar um livro. Quero comprar vários livros. Quero morar no Rio de Janeiro. Quero achar o amor da minha vida que irá me fazer feliz incondicionalmente.

Tenho paixonites platônicas por vários caras legais e eles nem suspeitam disso. Às vezes elas duram anos, alguns meses ou nada mais que uma semana. Sofro por causa delas. Estou aprendendo a passar por cima sem muito nhenhenhe. Minha fé no amor está minguando. Sad, but true.

Meu problema é acreditar nas pessoas. Sou facilmente enganada. Mentiras me dão náuseas. Esse texto não ficou nem perto do que eu queria. Desaprendi a escrever. As frases estão ficando cada vez mais sem sentido, mas escrever faz bem. Me sinto mais leve. Esvazia.

Puro sentimentalismo barato

Eu não havia percebido que, ao andar em meio às rosas, os espinhos poderiam me arranhar. E realmente o fizeram. Não pouco, como era de costume. Os cortes foram profundos e se abriam sob a minha pele como marcas da confusão dos feelings, da ausência aguda. Porque com o belo sempre vem o que machuca, a parte que faz mal - para equilibrar, eu suponho.

Novamente pingam ácido na ferida escancarada, mas não dói. Não mais do que doeu nas outras vezes. Eu me acostumei com a dor. Ela já estava tão presente nas minhas noites que não encharcar o travesseiro com vontade derretida e quente era um alívio. Dormiria banhada de luar e teria sonhos - não bonitos, mas também não desesperados. Esperançosos, talvez.

Acordei com o rosto abatido, olhos pequenos, olheiras fortes, uma dor de cabeça que não suporta ouvir barulho algum - todos os sintomas de ressaca, sem ser. Ressaca só se for de um sentimentalismo barato, da sensibilidade exacerbada que ainda insiste em me habitar. Preciso que os expulsem daqui. Alguém?

Sonhos têm recheio de magia

Teus beijos cálidos me cobriam de ternura. Meus suspiros eram lépidos – aliviados por te possuírem ali, now. Os corpos estavam colados; Expressavam o desejo da não-separação, já tão intrínseco no nosso interior. Nosso. Nossa! Quando as coisas são profundas demais, não é possível disfarçá-las nos gestos. Saem totalmente seguras de si, imperceptíveis aos olhos dos donos. Absurda aos dos que estão por perto.

Tão leve aquilo me deixava por dentro que eu chegava a flutuar de tanta belezura. Leve. Me leve. Só peço que não demore. Se apressa, eu quero você. O sonho, aquele que aparece como uma nuvem em cima da nossa cabeça, sabe? Foi assim. A desesperança apodrece os sonhos, sweetheart. Não deixe isso acontecer nunca. Desesperança é o fim. Sonho é o começo. Sem sonho, não há vida.

E o meu amor entra trôpego pela porta principal, esbarrando em móveis, tropeçando no carpete e derrubando a xícara de café - já frio - deixada na noite anterior ao lado do sofá. Desesperado para te encontrar. É do complemento que tanto precisamos, não tem mistério nenhum. E tem mágica. É o que torna tudo épico.

A noite é segura

Eu tenho uns pensamentos-loucos-suicidas, vez em quando. Neles dá vontade de abandonar tudo o que me faz bem - por algum impulso de repelir coisas boas, ou só por medo, mesmo. O medo me tem sido tão companheiro durante os dias cinzas. Só durante os dias, já que nas noites tudo fica azul - mesmo que escuro - e cheio de pontinhos brilhantes no céu. 

As estrelas carregam tanta esperança na sua luz que logo eu deixo de lado os pensamentos matinais para dar lugar aos noturnos. Devaneios da madrugada. E, no meio dessa confusão de turnos e feelings, aparece você: Carregando a mala que transborda uma fé imensa e sonhos incontáveis. Tudo fica lindo demais.

Eu ouço a minha fraqueza gritar, implorar para que eu não seja covarde e fuja. Seria impossível prosseguir carregando uma culpa tão suja, eu percebo. Coisas bonitas vêm acompanhadas de dores finas. Elas se chamam saudade.