Loucura poética

Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer.
Vinícius de Morais

Poetas são suicidas em potencial. Sem motivo nem explicação entendível, eles sentem e sofrem, no mínimo, três vezes mais do que todo o resto. Nós somos assim. Somos acometidos de uma loucura literária terrível e nunca, nem por um segundo, abandonamos as palavras.

"Escritores são uns desocupados. Tudo gente que não tem nada pra fazer na vida", me disseram uma vez. Não ousei discordar. Tanta coisa nessa vidinha mais ou menos de meu Deus e eu fui escolher logo o extremo. A poesia. Poeta é, na melhor das hipóteses, um traficante de sentimentos e emoções. Um fora da lei. Larga o lápis e vai viver!

E quem disse que poeta não vive?

Existe uma linha tênue entre a poesia e a loucura. Cuidado, meus amigos, quando a coisa começar a ficar psicodélica demais é sinal das primeiras pontadas de insanidade dando um alô.

Oração de Natal

Deus, lindo do meu coração, oi!
(Não estranhem o jeito de chamar Papai, é que é com muito carinho)

Já faz um tempo, eu sei, que não conversamos assim, me desculpe. Pela milésima vez, eu peço desculpas. Uma vergonha, eu sou. Mas não vim aqui para dizer lamentos. Quero agradecer. Obrigada. Por ter a certeza que o Senhor nunca desistiu de mim - com uma fé e irresponsabilidade tão pequena! - e nunca desistirá de vários que lerão esse texto. Obrigada pela minha vida, eu tentarei fazer ela valer o preço pago na cruz. Obrigada, Pai, pelo amor. O Teu, o da família, o dos amigos e daquele outro que eu nem sei nomear. Obrigada pelas pessoas. Elas são irritantes, orgulhosas, fofoqueiras, imbecis, mas são importantes. As minhas pessoas são importantes. Obrigada pela poesia, essa que me inspira e me sustenta em tantos dias ruins, ou bons. Obrigada por esse ano. Se fosse avaliar, ele seria o melhor e pior ano da minha vida. Os dois ao mesmo tempo. Mas quer saber? Foi bem melhor do que pior. É, foi melhor, mesmo. O pior se reduz ao miúdo, quando comparado. Obrigada por tudo. E mesmo que eu não tivesse nada disso para agradecer, eu agradeceria.

Por último, obrigada pelo Natal, Deus. Mesmo sabendo que Jesus não nasceu nesse dia, que é só uma data comemorativa e independente de alguns enxergarem hipocrisia... Obrigada pelo que ele significa para mim. Salvação. Obrigada por Ti.

Ah, e antes que eu me esqueça, um último pedido: Que a vida dê certo pra mim. Independente de como ela aconteça. Só quero que dê certo.

*Em nome de Jesus, amém* Acabei, Paizinho. Beijo aí pra cima.

Feliz Natal, seus lindos!

(Final)mente

Cansei de ficar à mercê da vontade tua, do querer do outro lado -  porque do lado de cá já transbordava sem que eu me desse conta. Cansei de brincar de aventureira, não sou destemida coisa nenhuma. Eu tenho é muito medo aprisionado, só que o escondo com muito esforço de todos. Cansei de fazerem o meu coração de bobo. Eles insistem, enganam, quebram as promessas, me jogam no chão e ainda pisam em cima.

Cansei. Arranquei tudo o que você havia plantado contra a minha vontade. Pela raiz. Estraçalhei tudo que era bonito. E o que era ruim, também. Só para não restar um punhado de nada. Nenhum vestígio da sua passagem por mim.

E como se nada tivesse acontecido, eu me levanto, sacudo a poeira da alma e ando em direção à esperança. E essa última me parece tão radiante ultimamente.

O tipo de homem para mim.

Ele não precisa ser alto, forte e musculoso. Até porque, de homem musculoso demais eu tenho horror. Parecem ogros enormes que só estão esperando uma oportunidade para te sufocar num abraço. E logo eu, tão fininha! Pode ser magrelo, alto ou baixo - eu abro mão de usar salto alto, sem problemas. Mas se tiver o abdômem definido eu não iria reclamar. Prometo.

Se morasse perto seria um facilitador de encontros. Quando batesse a saudade não teria que esperar muito. Mas pode morar longe, também, que com distância eu já me acostumei. Em outra cidade, ou outro estado. Eu economizo para viajar. Outro país está fora de cogitação, é exigir demais do meu pobre coração. Rimou, mas não era para. Dizem que quando a gente fala rimando é porque tem muito doce por dentro. Mentira, não dizem. Eu que acabei de dizer.

Não precisa ser médico, advogado, arquiteto, nem ganhar muito dinheiro. Artista independente, escritor ou produtor de cinema já seria lindo. Mas tem que ganhar bem para sustentar a prole, não esqueça disso. Não precisa ser nada, nem precisa ser tudo. Só precisa ser meu. E dessa parte eu faço questão. Única e exclusivamente. Meuzinho da Silva Xavier. Possessiva e ciumenta do jeito que sou, é a única exigência da lista. Sendo meu, eu tenho que ser sua. Só e simplesmente.

Eu não preciso de nada disso. Só preciso de você ao meu lado. Que me ligue nas madrugadas por motivo nenhum, ou só pela desculpa esfarrapada de estar com saudades - sendo que teríamos nos despedidos meia hora atrás. Que me traga flores em um dia especial, ou só me traga você. Isso basta.

Esse é o meu tipo de homem: Nenhum. Só o seu tipo.

Espera insuspeitada

O vestido branco de renda me cai perfeitamente no corpo, os cabelos estavam um pouco bagunçados, presos em um rabo de cavalo meio frouxo e a cara amassada denunciava que tinha acabado de acordar. Estou aqui, sentada no mesmo banco de sempre da praça, segurando as mesmas flores de nunca.

No horário de todos os dias você aparece; Bordado de um querer-ainda-insuspeitado, você se aproxima de mim - Bom diiia, olha as flores que eu trouxe pra você, amoooor - e passa - a música para - você não percebe, como também não havia notado a minha presença ali.

Veja: As minhas flores já estão quase murchas, coitadas. Você é tão desatento e anda sempre tão apressado, Moço. Eu te espero aqui. Aqui. Se você prestasse um pouco - só um tiquinho - mais de atenção... Se ao menos olhasse para o lado.

Vida cinematográfica

Não sei vocês, mas eu tenho achado a vida tragicamente engraçada, nesses últimos dias. Farei divagações sobre, mesmo sabendo que vocês não irão entender. Que se dane. Não é pra entender, nunca foi.

Sinto que vivo em um cinema, pulando de sessão em sessão. Ora comédia, ora tragédia, uma pequena pausa no romance, mas logo segue adiante, suspense, drama. Todos os gêneros imagináveis. É divertido, mas seria mais se eu tivesse o controle da situação - só que esse já fugiu das minhas mãos em um dos primeiros capítulos do filme.

É tão trágico que dá vontade de rir com tanta desgraça acontecendo. Tudo isso junto, ao mesmo tempo e sob uma mesma pessoa? Hilário. Sofredora mesmo é a protagonista que fica louca com a troca repentina de roteiros, tentando entender a trama, o que os outros personagens estão pensando e atuar como se soubesse o que está dizendo e fazendo. Uma farsa.

A bagunça está instalada no set de gravação. Ninguém mais sabe o que fazer, nem pra onde ir. Diretor fanfarrão! Se o meu papel fosse da Rainha de Copas, diria: "CORTEM-LHE A CABEÇA!". Mas nem para isso eu sirvo. Calo-me, pois. Não falo mais nada. Papel após papel, cenário após cenário, deixo passar. Espero o dia em que hei de recuperar a dignidade perdida e ser premiada com Oscar.