Imortal

O que me parece é o seguinte: Nascemos predestinados – não à morte – mas à imortalidade. E esperamos o contrário, por acaso?
Após o amanhecer vem o anoitecer e um novo amanhecer seguido de anoitecer. Assim a vida acontece - amanhecendo e anoitecendo, não necessariamente nessa ordem.
Sabendo desse ciclo-sem-fim, já deveríamos estar preparados para a inevitável noite da nossa existência.
Mas, não, nascemos para a imortalidade. Ai de quem disser o contrário.


"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo 'clima’, certa 'preparação'. Certa 'grandeza'. Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano." Caio Fernando Abreu

5 comentários:

Marie Raya disse...

Grande Caio Fernando Abreu, gostei da reflexão. Adoro os posts, beijão :*

Má Midlej disse...

E nunca vamos saber se viver é mesmo isso.

beijo love

Mai disse...

Resta-nos ir vivendo e existindo da melhor maneira que conseguirmos.

Eis a condição humana.


abraços.

P.S.


cheguei até aaqui pelos caminhos da net.

Luã disse...

acho que tão inevitável quanto a noite deva ser o dia.
talvez a morte seja um profundo acordar para dentro e para alem de si mesmo.
quem saberia dizer?!

Tainá disse...

Que bom que ela não é o fim. Somos mesmo imortais. :*