Epifanias aleatórias

Pior do que mentir quando perguntam se você está bem, é a pessoa não se importar se a resposta for não.

Eu penso que: Quando alguém gosta da gente, não precisa fingir o contrário.

Só porque Shakespeare disse que beijos não são contratos, não significa que seja verdade.  Beijos são contratos, sim senhores. São escritos à suspiros e olhares que vez-ou-outra se encontram. Frágeis. Facilmente quebráveis por palavras - ou a falta delas.

Será que, um dia, irei conseguir o que quero? Ou querer o que conseguir? Quero querer e quero conseguir, também.

A vida é um palhaço de cara pintada que fica dançando na sua frente, te fazendo rir e brincando com a sua cara. Cruelmente engraçado.

Escrever é o colete salva-vidas que faltava nesse mar de desgosto.

As beiradas vermelhas dos meus lábios latejam de nostalgia. O gosto na boca é amargo.

Existe uma linha tênue entre o desespero e a esperança.

Quando se está tão mal por dentro que não se consegue nem chorar, penso, ainda restam as palavras a serem cuspidas.

Não sei se sonhei ou se pensei realmente que, uma única vez na vida, você era verdadeiro no que dizia.

Falta tanto espaço

Eu só queria saber o que é isso que palpita-feito-louco dentro do meu peito.

É um vazio preenchido de saudade; Uma ausência cheia de medo; Uma mistura de ansiedade e covardia - tudo junto, formando uma confusão danada. Um sentimento em cima do outro, empilhados desordenadamente em uma montanha feia e bagunçada. Um esmagando o outro, outro empurrando um.

Chega pra lá qu'eu sempre ocupei o maior espaço aqui dentro, disse o-que-hoje-eu-já-nem-sei-mais-que-sentimento-é.

Os outros olharam feio para ele e só diminuíram ainda mais o seu lugar, chutando o coitado para o cantinho mais escuro. Esquecido no meio da sujeira.

Imortal

O que me parece é o seguinte: Nascemos predestinados – não à morte – mas à imortalidade. E esperamos o contrário, por acaso?
Após o amanhecer vem o anoitecer e um novo amanhecer seguido de anoitecer. Assim a vida acontece - amanhecendo e anoitecendo, não necessariamente nessa ordem.
Sabendo desse ciclo-sem-fim, já deveríamos estar preparados para a inevitável noite da nossa existência.
Mas, não, nascemos para a imortalidade. Ai de quem disser o contrário.


"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo 'clima’, certa 'preparação'. Certa 'grandeza'. Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano." Caio Fernando Abreu