Eu não entendo

Por que você não disse que viria?
Logo agora que eu tinha
Me curado das feridas
Que você abriu quando se foi
Por que chegou sem avisar?
Eu queria tempo pra me preparar
Com a roupa limpa, a casa em ordem
E um sorriso falso pra enganar

Eu não entendo a sua volta
Não entendo a sua indecisão
Num dia sou seu grande amor
No outro dia não.
(Eu Não Entendo - Nenhum de Nós)


Demorou. Levou tempo. Uma quantidade absurda dele até que a ferida se cicatrizasse. Os dias se tornaram monocromáticos. Em sua maior parte preto&branco, em outros cinza e mesmo quando a alegria era intensa ele só virava um azul-claro-apagado.
Orando para que o tempo fizesse o papel que dizem ser dele, continuei atropelando os dias. Nada de viver, era tentar sobreviver. Só na ilusão de que tudo não passara de um sonho dos mais lindos, mas que logo – mesmo que relutante – eu esqueceria.
Segui ignorando, abstraindo, esquecendo. Aos poucos. Um pedacinho de cada vez, até que só restasse a imagem embaçada com vultos que diziam coisas incompreensíveis. Bastava. A lembrança havia se tornado distante e de tão distante já não se podia distinguir. Era suficiente.
As cores haviam voltado, em sua maioria. Todas com força, em exceção do vermelho. Foi quando você voltou. Chocou-me. Lembrei com detalhes do filme que havia se tornado embaçado e que agora estava em cores ardentes. Uma pintura esbanjando vermelho-sangue. Desde o rubor nas bochechas até os corações que flutuavam por cima das duas cabeças. Nossas.
Mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar... Principalmente porque você estava ali, na minha frente e não foi sequer capaz de mandar uma carta ou fazer um telefonema avisando que viria.
Apareceu e levou ao chão o muro frágil que eu havia construído por todos aqueles dias, meses e estações. Procurei, no meu semblante perplexo, um sorriso – daqueles que sempre temos guardados para enganar sabe-lá-quem quando é preciso. Achei. Sorri desconcertada e desde então questiono a sua volta.


20 comentários:

ratoderua disse...

Achei seu Blog por acaso. Aí lógico, li o que você postou. Gostei. Hoje no meu, aliás, há minutos atrás acabei de postar uma música do Nenhum de Nós. E o legal que não conhecia essa que você postou, caiu como uma luva pro meu momento atual. Bacana isso. Lendo outras pessoas a gente meio que se encontra e divide coisas semelhantes, né?

Enfim, desculpa a "invasão" mas como "te li" resolvi comentar =)

Fui.

Nathi Delacroix disse...

Aaaaaa Brenda!
Sempre fico toda cheia de mimimi quando te leio ;x

Antônio disse...

A definição da menina acima é interessante: te ler deixa a gente meio "mimimi", hahaha! Soa como bichisse, mas é sensibilidade.
E o melhor de tudo é que, ao final, não dá pra saber se houve reconciliação ou não, o último sorriso deu um tom enigmático de mestre.

Beijo, colega de Postagem Coletiva! =D

Angel disse...

Muito bom, muito bom mesmo.
Adorei a forma como usa as palavras e coloca exemplos tão simples para descrever sentimentos tão complexos.
Me identifiquei bastante, pois é assim que estou vivendo hoje, a margem de uma vida que não quero ver.

Beijos

Noh Gomes disse...

E Nenhum de nós nos fala, nos pinta, e ai?!


Beijos

Sta Olyver disse...

é sempre por acaso que encontramos coisas que nos fazem felizes e compreendidos nem que seja por um instante so...
Lendo esta parte de ti foi como se eu visse um filme que vivi, que vivo, que sinto, que acontece nao por acaso para testar os nossos limites e nos fazer pensar se estamos realmente preparados para dar esse novo passo que pode tirar de nossa vida este ser que outrora nos fez sorrir e sonhar com o para sempre...
Adorei o blog... abracos

Charlie B. disse...

Pessoas voltam, retornam e por mais tempo que demorem a surgir, ainda sim, parece que sempre guardamos um lugar pra elas, sempre a amaremos, sempre esperaremos!

Beijo,

Charlie B.

Luana Gabriela disse...

Bê.. essesmuros que a gente controi não são de concreto são de isopor só pode né? hahaha

Amei o texto!


E amei a foto do kurt Halsey no cabeçalho, achei lindo!

Bjos

Vanessa Romão disse...

Odeio quando ele volta.


:*

Luciana Brito disse...

Essas voltas repentinas são um tormento. Justo quando a gente melhora, os fantasmas voltam do além.

Teu texto ficou ótimo, Bê. Gostei demais.
E o layout está todo lindo.

Beijo!! ^^

Stella Rodrigues disse...

Blog de cara nova *-* ta lindo, essa musica do nenhum de nós é linda, apesar de triste, é bem estranho o tempo que a gent demora pra esquecer alguem e esse alguém simplesmente reaparece. Lindo Brenda <3

Rene Santos disse...

Lindo seu blog, super diferente, simples e muito fofo.
Nem sempre uma reconciliação é o certo. Acho que nos falta coragem para sermos mais corajososas, dar um basta e pedir que se retire.
Adorei sua postagem.
Bjs

Mariana Amorim disse...

Sorrir desconcertada tem sido minha melhor artimanha.

Mayana Carvalho disse...

revivi um sensação estranha. o fato é que sei bem o que é ver ir e querer de volta!

Thaís. disse...

Amei o texto, mesmo. Tuas palavras foram lindas ao decorrer do mesmo. E ah, Nenhum de Nós... gosto muito! Um beijo, @pequenatiss.

Joyce disse...

Essas voltas...

Tudo lindo aqui!

Beijo doce, Brenda!

Ponto de Vista disse...

Nossa.. entendo perfeitamente cada sentimento expressado nessa postagem. Cada palavra usada da forma certa. Meus sinceros parabéns pelo blog! Adorei demais :)

Paulinho Santana disse...

Tudo lindo Bê!

Me segue!

Lara disse...

Sou bem desconfiada com essas visitas fantasmas.

Tainá disse...

A RRA SOU como sempre! Menina, vamos publicar um livro LOGO! :*