Feito magia.

É com lágrimas nos olhos e um nariz-vermelho-tomate que eu acordo nesse dia. Cheio de nuvens - que vez ou outra ameaçam a chover e deixam cair uma garoa fina para nos assustar, sem brilho e sem cor. O brilho estava nos teus olhos azul-celeste, que transbordavam da própria alegria. Celestial, como você. A cor estava dentro de ti e irradiava quando sorria.


Restou essa ferida não cicatrizada, que é regada pelas minhas lágrimas noturnas de saudade. As pérolas, os diamantes e as estrelas caindo dos meus olhos, repousando no travesseiro. Pérolas, diamantes e estrelas, Pequena. Quando o sentimento é bonito as lágrimas caem mágicas, assim. Espero pelo dia em que a ferida pare de arder e seja só bonita. Vire oca. É o que o Caio Fernando fala, Meu bem. Que lateje louca nos dias de chuva.

É com o mesmo coração em pedaços que termino o dia. Entardeço, e comigo a noite chega. Escura, com o céu vazio. Parecendo respeitar a minha dor. Agradeço-te, pois.


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Veja só, Raio de Sol, ontem eu ganhei uma irmã-do-coração-que-mora-longe.
E hoje a minha dor é maior, porque somei com a dela.
Cuida bem do Moço dela, viu? Eu cuidarei dela daqui de baixo.

Rosas-vermelhas, por favor.

"Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além de que te amo,
se o que quero dizer-te é que te amo?"
(Fernando Pessoa)


Onde estão as cores? Elas se esconderam de mim, por acaso? Os dias estão cinza-nublado-sem-graça e a vida perdeu o seu charme. O que posso fazer, com essa pequena caixinha de lápis de cor que está do meu lado? São tão limitadas as opções e tão frágeis os lápis que estão dentro dela. Desenharei a terra, com uma pequena semente em cima. O sol, as nuvens e o regador. Cuidarei dela todos os dias, eu prometo. Chamarei ela de Amor. Amor, Amorzinho, Amore Mio, Mon Amour. Se eu planto amor, colho amor.

O amor já começou a brotar, vês? É aquela plantinha ali, no meio do desenho. Fragilzinha, coitada. De tão pequena, ninguém a enxerga. Os distraídos passam sem notá-la e pisam nela sem perceber. Não desenhei gente na pintura, por causa disso. Deixa ela crescer mais um tiquinho.

Que bela rosa a minha sementinha se tornou! E olhe essas pétalas... brancas? Quero rosas vermelhas! Venha já aqui, lápis-de-cor-vermelho e pinte as minhas rosas com cor de rubor, como o amor – ou eu chamarei a Rainha de Copas.

Agora sim, suas pétalas exalam o cheiro doce do sentimento mais bonito. Está perfeita. A minha rosa, eu guardei num daqueles potinhos de vidro, como n’A Bela e a Fera. Quando a última pétala cair – é sinal de que cansei de esperar – e o meu amor chegou.

Seria suficiente?

Espere. Pare de fugir só por um momento. Olhe nos meus olhos, com toda a tua sinceridade e me diga: O que você procura? Durante todo esse tempo você esteve correndo de um lado para o outro em busca de nada, ou coisa qualquer. Em vão foi a tua busca.

Ah, não... não se vá! Não vê que o que você precisa sempre esteve aqui? Tire essa venda dos olhos, levante o teu rosto e deixe que eu enxugue essas lágrimas. Não chore, meu bem. Estou aqui - como sempre estive - e estarei para sempre. Cuidarei de ti, não se preocupe. Quando precisar de mim é só chamar. Pode gritar, se preciso for. E se eu tiver saído, ligue. O número está anotado no guardanapo e guardado na sua carteira. Até me escreva uma carta, se necessário - como estou fazendo agora. Eu virei.

Preciso te confessar. Quero que saiba do meu amor por ti. Desculpe-me, querido, isso deve ter te assustado. Notícia dessa não se dá assim. Eu já tentei lutar contra ele, segurá-lo aqui dentro - preso, mas não adianta fingir que ele não existe. É forte, inevitável de sentir. Nunca te deixarei ir, Bonito. Pelo menos, não do meu coração. Estarás guardado bem no fundo, ao lado das lembranças tuas.

Lá vai outra de minhas confissões desajeitadas, posso? Então moço, temo que o meu amor - ainda que sendo sem medida - seja pouco. Que não seja suficiente para ti.
Por isso, quem vai agora, sou eu. Estou envergonhada, meu olhar lacrimeja e as minhas mãos já estão suando de nervosismo.

Só me impeça se o que sente por mim for sem medida,fugir de explicações e não tiver cura. Do contrário, não venha atrás de mim.


Deixo um beijo dos mais doces e o meu adeus, moço.
Te levo dentro de mim.

Pouco aparente, mas necessário

"Não posso exprimi-lo, mas de certo tu tens, como toda a gente, uma vaga ideia de que há, de que deve haver fora de nós uma vida que ainda é nossa. (...) Se tudo perecesse, mas ele ficasse, eu continuaria a existir. E, se tudo permanecesse e ele fosse aniquilado, o mundo inteiro se tornaria para mim uma coisa totalmente estranha. Eu não seria mais parte desse mundo. (...)
Meu amor por Heathcliff assemelha-se aos rochedos imotos que jazem por baixo do solo: fonte de alegria pouco aparente mas necessária."
(Capítulo IX), O Morro dos Ventos Uivantes.


Tu sabes, que eu sei. Sabes dos amores que eu não vivo, que não me deixam viver ou não querem viver comigo. Sabes
dos gostares que não se concretizam, apesar das paixões-platônicas-corriqueiras que eu deixo espalhadas por aí. E sabes, acima de todos esses, dos
meus sentimentos por ti. És um divisor em meio à bagunça em que estou.

Antes de ti... era vazia. Só superficial e amedrontada, não fazia lá muito sentido.
Quando te conheci... foi como se as estrelas finalmente brilhassem, diante da escuridão e eu pude enxergar o quanto elas eram lindas e radiantes. A luz me permitiu perceber o que estava fora do lugar, o que faltava e tudo de errado que havia. O vazio, a superficialidade e o medo esvaíram-se. Tudo é bonito, agora. Cada manhã é uma nova esperança que renasce, uma coisa linda de sentir.

És a nova razão. Se tudo acabar e eu ainda tiver a ti, estarei satisfeita. Plenamente feliz. Disse no princípio, fostes o divisor. Depois que chegastes, tomou conta do meu coração e já não sei viver sem te ter por perto. Tu e as tuas palavras doces que tanto me encantam.

São as pequeníssimas coisas que se tornaram essenciais. Coisas bobas, mas necessárias. Daquelas que ninguém da muita importância, sabe? Eu valorizo nas alturas e me apego. Aos afetos, às palavras, aos carinhos, a você.