Vim dizer adeus

"Assim que quer, assim será, eu vou pra não voltar
Toma este anel, que é pra anular o céu, o sol e o mar
Eu não queria ir assim
Tão triste, triste (...)"
Assim será - Los hermanos

Ser assim, é necessário. Eu sei e você sabe. Eu sei que sabe, e tu sabes que sei. Não quero, nem você o faz. Eu sei e você sabe. Eu sei que sabe, e tu sabes que sei. O que não pode ter continuidade, é essa nossa insistência no incerto. Forçar o que nunca conseguiu ser, e nem nunca conseguirá. Qual o propósito dessa teimosia? Fingimento, foi o que se tornou.
Enganamos com classe, a quem observa. Olhares são facilmente influenciados por coisa qualquer, que julga ser o que não é. Certamente os sentimentos insistem em sobreviver num lugar profundo, que chega a ser quase esquecido. E teimam em dar cambalhotas eufóricas quando te sentem por perto.
Portanto, não tente me impedir. Não me peça para ficar. Não se declare, por favor. Eu te peço. Irei, sim. Leve, por conseguir finalmente partir. Vou seguir, na minha busca incansável por alguém que me queira - como você não quis. Não há outro caminho, é essa a verdade.
A vida há de te fazer encontrar o teu amor. Então, eu vou. Levo comigo o teu cheiro, que impregnava em mim quando abraçava-te. Levo as tuas palavras bonitas - e não as esqueço. Levo comigo a tua dança, o teu xote, a nossa chuva.
Carrego-te sempre comigo. Só te peço que não me esqueça, e eu irei feliz. Irei. Adeus, você.

Querida Mabel,

Te escrevo agora, pois cansei de te ver de longe. Há tempos venho te observando - peço que não se assuste, só gostaria de entender essa tua atitude de impedir minha aproximação.
Ouvi dizer que você anda falando muito de mim. Que pergunta por aí onde eu posso estar escondido, e como seria me encontrar, me sentir, me ter.
Devo admitir que chega a ser engraçada essa contradição: Como alguém que sutilmente me afasta, parece querer tanto a minha presença?
Confesso: Não consigo mais me manter longe de você. Mesmo com essa tua relutância, resolvi arriscar.
Talvez não seja capaz de ser tudo isso que você quer.
Talvez eu venha a frustrar as tuas expectativas.
Talvez eu não fiquei contigo para sempre.
Mas, se você se permitir, se você me permitir, não olhar para trás e sorrir, vai saber, vai entender, vai sentir.
Então, Mabel, pare de me procurar nos teus sonhos, nas tuas paixões - aliás, você tem me confundido bastante com elas. Quero que você pare de agir como se eu fosse fruto da sua imaginação. Eu não sou, eu existo.
Me deixe entrar nessa tua vida, e você verá que é mais simples do que sempre imaginou.

O Amor.

Mabel é metade Maria, e metade Brenda.
Meio a meio, certinho.

Os três culpados

Ah, por favor, não culpe só a mim! Somos os três culpados. E dos três, eu sou a maior, confesso.
Te escrevo, sim. Sonho as lembranças, ainda frescas e claras. Deixo as lágrimas subirem aos olhos, vez em vez. E sempre penso em ti. Já é coisa inconsciente, essa de o fazer. Ainda que, não com menos sentimento.
Peço-te desculpas, então. A todos vocês, que não entendem a razão. É o amor. Vem como uma onda que invade, sem pedir licença. Vês? É forte, e não pretende ir embora. Nem eu o quero longe de mim. É bonito, ainda sem te ter. Deixa tudo doce, aqui dentro. Sinto-me inundada das tuas cores. O branco, da tua pele. O amarelo, dos teus cabelos. O azul, dos teus olhos. Um arco-íris, saindo de mim.
E tem também o medo, sabia? O medo de te perder, dentro de mim. Medo do tempo, querendo fazer estragos, ir levando aos poucos, as tuas lembranças. Vejo uma rosa, e te tenho ali. Nas rosas brancas, nas rosas rosas. Na suavidade e leveza, que elas me passam. Me lembram. A tua simpatia e doçura está espalhada em cada canto, desse mundo. Nas esquinas, na areia, nas ondas do mar. Exergo-te. E nos teus amados, eu te encontro. Entre abraços, sorrisos e pensamentos, te sinto.
Essencialmente, naqueles três corações. Eles te carregam nos olhos. Carregam a tua dor, que arde. Quando os contemplo, a minha incerteza se esquece de existir e então, eu entendo que é impossível te perder.

Sobre se apaixonar...





















... É uma ausência em mim. Coisa curiosa, que há tanto eu não sinto.