Da moça-azul


''E hoje, não importa se chover ou fizer sol.. o dia será lindo de qualquer forma, por ser teu.''

Tudo começou numa troca de gostos parecidos por coisas que hoje nem gostamos mais. As conversas timidas foram substituidas, por animados planos estranhos de roupas e músicas e filmes, e tudo. Os planos, foram substituidos por confissões, segredos, futilidades. Virou cumplicidade, afeto, era amizade. Era, é... e a gente sabe, bem do fundo, que ainda será por muito tempo.
Brenda é meu anjo, como costumo dizer. Meu ''eu'' em outro corpo, com outra voz e outros gostos. E isso ficou concreto, com as conversas rápidas antes do primeiro horário de aulas, os olhares trocados, ela de lá eu de cá com cara de tédio pelos comentários dos professores bobões e com as idas rápidas ao corredor pra contar uma
''coisona que me aconteceu esse fim de semana!'.Brenda conheceu meu lado sério, meu lado riso e minha mania estranha de não parar pra respirar ao contar as coisas, e mudar de assunto a cada frase. E acho que ela se diverte. Acho porque ela sorri toda vez e diz ''Acabou? Posso falar agora?'' e faz aquela cara de ''Brenda'' que me faz calar a boca imediatamente, mesmo tendo outros mil assuntos pra emendar. Faz pouco tempo que nos conhecemos, e mesmo assim, nos sabemos de uma forma inacreditável, como pessoas que cresceram juntas, mal se sabem. "Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra'', e acho que é essa a nossa síntese. Brenda é a melhor companhia pra não fazer nada durante as aulas, e ficar idealizando o nosso livro que vai fazer muito sucesso e iremos publicar ano que vem, ou planejando o próximo filme que veremos no cinema. E sempre vamos ao cinema. É engraçado, nós e o Pablo escolhendo filme, assistindo o filme, catando moedas e pedindo emprestado pra comprar pipoca [entupida do manjar-dos-deuses amarelho que até hoje é um mistério entre nós] e refrigerante. Uma vez, o dinheiro só deu pra água. Bebemos como se fosse champagne, e rimos muito. Eu sempre me divirto com ela. Principalmente devido à nossa falta de sorte com o amor, paixões e coisas do gênero. Nisso também somos iguais, tirando o fato de eu ser tão mais intensa, que me apaixono 24 vezes ao dia e sempre preciso contar uma coisa muito séria e doída, e Brenda mesmo doída também, me ouve, e conclui sozinha com um sorrisão Ele é gay, Má... Viadão! E então, me conta suas desventuras também. Ouvir Brenda me dá esperança. Sinto que não estou sozinha nesse barco e que tenho muito a aprender, mas não sou a única. E é bom, muito bom.
Não temos mil historias pra contar, ainda, mas nosso livro tá sendo escrito. Seremos ainda, e muito.
Só ela me chama de ''moça-azul'' e eu gosto, gosto também de todas as nossas cores, e do verde que nos uniu! Duvido que você lembre, Brenda, mas eu fui a maluca desequilibrada que lhe emprestou o primeiro esmalte não-convencional do ano, e era verde. E daí lhe emprestei também outras coisas de mim e viramos uma só em duas. Tipo, pague uma e leve duas. Com cabelos bagunçados, unhas coloridas e muito rímel [que lhe cai melhor do que em mim]. Verde me lembra você, por isso insisti nesse titulo tosco,e afinal, não tinha título melhor mesmo, era isso ou ''Minha MigUxA q eU Amo'' [assim,com essas letras, pra você rir - como sei que está rindo agora]. Não sei ao certo porque construi esse parágrafo, já pensei em apagá-lo, mas meus dedos não me obedecem, talvez tenha que ser assim incoerente e boboca, pra se parecer comigo... Já que me despi da poesia pra escrever de verdade pra você
. [Fora que nunca houve essa poesia toda em mim mesmo, nessa porra!]


E Brenda, você é foda, e vai me acabar quando ler palavrão no texto que é pra você. Mas você sabe que se eu fico agitada demais, nao consigo manter a pose de boa moça, que não sou.
E eu te amo mesmo, te amei desde o crepúsculo e nossas camisetas-nunca-concretizadas, mas mantive a pose de ''não digo eu te amo em vão'' por alguns meses, mas agora, já quero dizer. E posso. Mas saiba que não foi so agora que percebi que você é uma irmã que eu encontrei fora de casa. Eu sempre soube. É.
Não sei como terminar um texto que escrevo sobre algo que não tem fim [pelo menos em mim].
Então, eu deixo aqui minhas reticencias, pra indicar que ainda tenho muito a dizer e muito a aprender com você, minha tchuca. ;) E feliz aniversário. o/

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