Coisa de criança

O menino e a menina moravam no mesmo prédio. Desde que ela havia se mudado para lá, ele carregava um sorriso bobo, no rosto. Eu devia saber na minha época de criança, que quando um menino te pirraça, é porque ele gosta de você. Tudo seria imensamente mais fácil, assim. Mais me parece uma tática para camuflar os sentimentos, isso. Quando cresce, é que se percebe.

Então, nas férias, ela viajou com a família. E de cá, a família do menino chegou, para comemorar as festas de fim de ano.

Passado algum tempo, ele já estava ficando inquieto. Queria, porque queria saber o dia da volta dela. E, finjia não se importar, até. Mas não se cansava de falar dela.

No dia da véspera de Natal, enquanto toda a família estava reunida ceiando, ela chegou. O pequeno Guilherme se pendurou no peitoril da janela e a observou carregar as malas, escada acima. E, quando chegou ao topo da escada, Larissa o olhou e acenou, sorrindo. Ele, numa mistura de nervoso e surpresa, acenou também. Deixando cair o copo de vidro das mãos, que se partiu em pedaços, quando tocou o chão.

Lá da sala, a família observava tudo, e sorria. Os adultos sabiam bem, o que Guilherme não entendia, e insistia em negar. Aquilo era gostar.

23 comentários:

Vanessa. disse...

Lindo por demais esse gostar!


:*

ticoético disse...

Uma coisa de amores infantis e visões de anjos está tomando a mente dos blogueiros que acompanho ultimamente,seria um sincronismo amoroso e angelical,hehehe,mas enfim,belo texto e que ótimo ficou teu novo canto.
abraço !

- maria elis disse...

o gostar infantil é tão puro e tão lindo *-*

beijas bê ;*

Pâmela Marques. disse...

Lindo, Bê.

Acredito que a gente começa a amar na infância, sabe? Uma época de descobertas. Tive o meu Guilherme e sabe que até hoje a sente borboletas quando nos vemos.

Noh Gomes disse...

Lindo três vezes, linda a casa nova, linda as palavras e lindo o sentimento.


bju

Joyce Carolini. disse...

Eu amei!
Tua casinha nova e o texto tão fofo!

Beijos pra ti, Bê!

Luana Gabriela disse...

Lindo.
Só que quando a gente cresce não é o copo que se quebra, né?

Adorei seu canto novo.

Bjos

Natália Corrêa disse...

Esse gostar inocente é tão gostoso... Queria voltar no tempo.

(Isso ficou lindo! Que bom que você voltou).

Katrina disse...

saberia isso um dia, e para sempre

Tays Esquivel disse...

Que bom, Bê, que voltou a escrever lindas palavras que, muitas vezes, penso que foram escritas pra mim.
Eu não sei porque, menina, mas tu me encantas de uma forma linda. Desde o "Sons de riso, Sombras de amor..." tirei (não sei de onde, mas tirei) uma afinidade com você e com suas palavras.
Obrigada pelos lindos textos que escreve, e parabéns.

Dandara disse...

amor pueril.

Mariana Andrade. disse...

isso sim é amor, e não essa coisa que só quer, e nem borboletas provoca.
aah.. e se isso não passar?

conheço alguém que o tem até hoje.

Carolda disse...

Texto leve, simples, e inocente. Mas mesmo assim, carregado de sentimentos. Assim como crianças. Adorei.
Certos amores de infância não acabam jamais, ouvi dizer por aí (:
Um beijo

Luh* disse...

Acho que isso é amor né?! simples e bonito!
beijos

sucesso no novo blog viu!

Mais um imundo no mundo impuro. disse...

é um gostar ingênuo, sem influências de coisas que não agregam, é tão bonito que parece ser utópico, mas só parece.

Filipe Garcia disse...

Ah, os pequenos também amam.

Erica Ferro disse...

Me lembrou o filme 'ABC' do amor.

E ficou lindo!

Beeeijo.

Jaya disse...

E eu, que até hoje gosto assim?

Não quero amar como adulto.

Beijo, Brenda.

renata carneiro disse...

o gostar assim, tão puro e inconsequente, é tão lindo de se ver.

linda a casa nova!
beijo.

Atroar disse...

que blog lindo. animal o texto.
mais um para minha lista de favoritos. *-*



beeijo

Amanda • disse...

A bê sabe (ponto)

Daniel Barros disse...

lindo e verdadeiro texto. chamo isso de "amor-de-primário". bem coisa de escola mesmo, de crianças, no começo de tudo. sempre foi assim, a tentativa de irritar talvez fosse uma maneira de chamar atenção (mesmo que involuntariamente) pra se fazer presente. o texto trás boas lembranças!

abraço.

Noubar Sarkissian Junior disse...

E agora, olhando "de longe" (com a distância dos anos), é tão nítida a cumplicidade dos adultos que, como vc tão bem disse, sabem melhor que as crianças que elas estão gostando de alguém. Que lindo o texto, e que linda essa indefinição do sentimento infantil/juvenil.

(parabéns, no geral, pro blog também!)