O que há de vir.

Eu quis te convencer, mas chega de insistir.
Caberá ao nosso amor o que há de vir.
Pode ser a eternidade má,
caminho em frente pra sentir saudade.
Marcelo Camelo

Sabe os dias, Bonita? Esses, que estamos acostumados a viver. Vinte e quatro horas e cada hora com sessenta minutos. Tem gente que reclama da velocidade com que eles passam, acredita? Eu não os entendo. Desde aquele dia cinza, a minha noção de tempo esvaiu-se de mim. Lembro que o sol - junto com a lua e as estrelas - se recusaram a brilhar, ali. E choveu. De lá de cima, até aqui embaixo. Choveu aqui dentro, também. Uma chuva que, quando o coração aperta, me sobe aos olhos. Me faz chorar, sabia? Desculpe, pequena. É essa saudade, tão recente, que ainda não parou de arder aqui dentro.
Os dias, certamente tentando provocar-me, insistiam em demorar. E ainda se demoram, hoje. Passam arrastados, quase não passando. Parei de me guiar pelo tempo cronológico, pois ele já não faz sentido. Agora, te digo sem exageros - nenhum dia eu passei, sem pensar em ti. Era uma busca incansável, pelas lembranças tuas. Rápido, antes que se percam.
Tenho uma coisa a confessar-te, posso? É uma coisa boba, que eu tenho dentro de mim. Quando falo sobre você, de uma maneira estranha, não consigo conjugar os verbos no tempo passado. É um orgulho besta, esse. E te sinto ao meu lado, soltando das suas gargalhadas. Sinto, e sinto falta.

Apenas mais uma de amor

"Se amanhã não for nada disso,
Caberá só a mim esquecer (mas isso vai doer)
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber."
(Apenas mais uma de amor - Lulu Santos)

Estava tudo pré-destinado a ser apenas um amor de verão, e eles nem imaginavam. A única coisa em que conseguiam pensar, era um no outro. Todo o resto era vazio, quando não se tinham. Urgência. Crianças, se aventurando no desconhecido. Insuspeitado.
Cheios de uma falsa alto-suficiência, nem sequer se davam ao trabalho de escutar o que diziam. Os outros duvidavam. E dúvida, não era permitido entre eles. Eles se pertenciam, era a única certeza. A única, que eles preferiam ter.
Teimosos, teimosos. Possuíam os sintomas do amor, e pensavam saber o que era. Se enganavam tentando - em vão - sentí-lo. Coitados. Não poderiam imaginar, que a vida seria traiçoeira e iria tratar de separá-los. Foi-se a certeza. Ele agora, pertencia a outra, que dizia amá-lo - de uma forma errada, que nem a própria sabia. E ela, pertencia a solidão. Era só ausência. Tudo não passou de mais uma de amor.

- Postagem coletiva da semana.

Quer?

- Quer namorar comigo?
- Não se namora com ninguém.
- Não?
- É, se namora alguém.
- Hm
(...)

- Então, você quer me namorar?
- Quero.

Não amo ninguém.

“Se todo alguém que ama, ama pra ser correspondido.
Se todo alguém que eu amo é como amar a lua inacessível,
é que eu não amo ninguém. Não amo ninguém.
Eu não amo ninguém, parece incrível.
Não amo ninguém e é só amor que eu respiro" -
(Não amo ninguém - Cazuza)

Meu coração chora, por não amar ninguém. É um vazio, que invade, de repente. Entra, assim, sem pedir licença. Mal educado! Bagunça tudo. Deixa os sentimentos jogados no chão, uma verdadeira confusão. Machuca, dói. Me ajoelho, então, para tentar ajeitar toda aquela bagunça. É quando vejo todos aqueles sentimentos... Alguns dos quais, eu já havia me esquecido.
Um amor mal-passado. Uma dedicação incansável. Uma saudade insaciável. E.. tantos outros, que saíram do potinho em que estavam e transbordaram. Misturaram-se. E, percebi, não sei mais separá-los. Se tornaram um só, todos aqueles fragmentos. Se entrelaçaram, tal que só o mais forte sentimento seria capaz de separá-los, e colocar tudo em ordem, por aqui.
E eis o sentimento que eu não tenho em mim. O amor. Esse tal, sem o qual não vivo. Mas, não sinto. Suspiro à toa, enquanto fantasio. Mas, falar de amor não é amar. Sorte a minha, se tivesse alguém com quem partilhar esse sentimento.

Desculpe, mas não amo ninguém.

Postagem coletiva da semana.

Coisa de criança

O menino e a menina moravam no mesmo prédio. Desde que ela havia se mudado para lá, ele carregava um sorriso bobo, no rosto. Eu devia saber na minha época de criança, que quando um menino te pirraça, é porque ele gosta de você. Tudo seria imensamente mais fácil, assim. Mais me parece uma tática para camuflar os sentimentos, isso. Quando cresce, é que se percebe.

Então, nas férias, ela viajou com a família. E de cá, a família do menino chegou, para comemorar as festas de fim de ano.

Passado algum tempo, ele já estava ficando inquieto. Queria, porque queria saber o dia da volta dela. E, finjia não se importar, até. Mas não se cansava de falar dela.

No dia da véspera de Natal, enquanto toda a família estava reunida ceiando, ela chegou. O pequeno Guilherme se pendurou no peitoril da janela e a observou carregar as malas, escada acima. E, quando chegou ao topo da escada, Larissa o olhou e acenou, sorrindo. Ele, numa mistura de nervoso e surpresa, acenou também. Deixando cair o copo de vidro das mãos, que se partiu em pedaços, quando tocou o chão.

Lá da sala, a família observava tudo, e sorria. Os adultos sabiam bem, o que Guilherme não entendia, e insistia em negar. Aquilo era gostar.

Da poetisa


Primeiro uma confissão: isso não passa de uma imitação. Mas, como tudo nessa vida não passa de uma imitação, mera repetição, então, tá tudo certo. Se bem que pretendendo falar de quem vou falar, imitação não se encaixa bem, porque de originalidade ela conhece, hum, inovação é com ela mesma.
Ela não é a mais bela nem a mais notada, seus cabelos não batem mais na cintura nem dançam no mesmo balanço do vento, seus pés flutuam mais que andam, em suas mãos poe tanto de si que a qualquer encanta, seus olhos, mais que olhos são janelas sempre abertas a sol e chuva.
Ela se veste, e seu passar desperta o olhar e até o indagar de quem não sabe: "Quem será?". Ela realmente SE veste, se veste de dentro pra fora, quem a vê descobre sem demora que ela se reveste de tudo que adora, pelo mundo afora, tudo que nela há, explora.
Não é muito branca, nem bem morena, magrela, seus lindos cabelos tem estilo, a Pê sabe conquistar as pessoas. Aparenta tanta sensibilidade, e chorona, até dá pra acreditar, mas quem conhece sabe, essa menina é de uma coragem... acho que muitas vezes nem ela percebe, mas quem conhece sabe, a Bê tem na alma força, tem um coração cheio de vontade.
Às vezes, confesso, acho que ela é uma boba por estar sempre suspirando, mas também não sei o que eu faria sem essa menina por perto para ter daqueles papos que só as meninas sabem ter.
Vejo em Brenda uma mente brilhante, porque quando ela escreve as palavras parecem sorrir e chorar, cheias de sentimentos. Essa menina sabe mesmo se expressar. Seus escritos, tão romanticos, fazem o coração da gente suspirar.
Ela quando anda, parece pisar sobre nuvens, imagino que deve pensar em todas as coisas do mundo trocentas vezes sem cessar, com seu andar quase que parando.
Ela quando ganha uma amizade vai de "mala e cuia" morar no coração da pessoa. Não tem nem como explicar de onde vem o amor que ela provoca, nem como expulsar esse amor que nem bate na porta. Bê chegou, nem sei mais como, e ficou, graças a Deus.

Reconhece?

Amor não se mede através do tempo.
Nem pela ausência da distância, ou presença dela.
Sei bem como reconhecer o amor.
Ele vem acompanhado de um brilho no olhar, de quem sente.

Desses, que surgem nos meus olhos, quando repousam sobre você.

Da moça-azul


''E hoje, não importa se chover ou fizer sol.. o dia será lindo de qualquer forma, por ser teu.''

Tudo começou numa troca de gostos parecidos por coisas que hoje nem gostamos mais. As conversas timidas foram substituidas, por animados planos estranhos de roupas e músicas e filmes, e tudo. Os planos, foram substituidos por confissões, segredos, futilidades. Virou cumplicidade, afeto, era amizade. Era, é... e a gente sabe, bem do fundo, que ainda será por muito tempo.
Brenda é meu anjo, como costumo dizer. Meu ''eu'' em outro corpo, com outra voz e outros gostos. E isso ficou concreto, com as conversas rápidas antes do primeiro horário de aulas, os olhares trocados, ela de lá eu de cá com cara de tédio pelos comentários dos professores bobões e com as idas rápidas ao corredor pra contar uma
''coisona que me aconteceu esse fim de semana!'.Brenda conheceu meu lado sério, meu lado riso e minha mania estranha de não parar pra respirar ao contar as coisas, e mudar de assunto a cada frase. E acho que ela se diverte. Acho porque ela sorri toda vez e diz ''Acabou? Posso falar agora?'' e faz aquela cara de ''Brenda'' que me faz calar a boca imediatamente, mesmo tendo outros mil assuntos pra emendar. Faz pouco tempo que nos conhecemos, e mesmo assim, nos sabemos de uma forma inacreditável, como pessoas que cresceram juntas, mal se sabem. "Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra'', e acho que é essa a nossa síntese. Brenda é a melhor companhia pra não fazer nada durante as aulas, e ficar idealizando o nosso livro que vai fazer muito sucesso e iremos publicar ano que vem, ou planejando o próximo filme que veremos no cinema. E sempre vamos ao cinema. É engraçado, nós e o Pablo escolhendo filme, assistindo o filme, catando moedas e pedindo emprestado pra comprar pipoca [entupida do manjar-dos-deuses amarelho que até hoje é um mistério entre nós] e refrigerante. Uma vez, o dinheiro só deu pra água. Bebemos como se fosse champagne, e rimos muito. Eu sempre me divirto com ela. Principalmente devido à nossa falta de sorte com o amor, paixões e coisas do gênero. Nisso também somos iguais, tirando o fato de eu ser tão mais intensa, que me apaixono 24 vezes ao dia e sempre preciso contar uma coisa muito séria e doída, e Brenda mesmo doída também, me ouve, e conclui sozinha com um sorrisão Ele é gay, Má... Viadão! E então, me conta suas desventuras também. Ouvir Brenda me dá esperança. Sinto que não estou sozinha nesse barco e que tenho muito a aprender, mas não sou a única. E é bom, muito bom.
Não temos mil historias pra contar, ainda, mas nosso livro tá sendo escrito. Seremos ainda, e muito.
Só ela me chama de ''moça-azul'' e eu gosto, gosto também de todas as nossas cores, e do verde que nos uniu! Duvido que você lembre, Brenda, mas eu fui a maluca desequilibrada que lhe emprestou o primeiro esmalte não-convencional do ano, e era verde. E daí lhe emprestei também outras coisas de mim e viramos uma só em duas. Tipo, pague uma e leve duas. Com cabelos bagunçados, unhas coloridas e muito rímel [que lhe cai melhor do que em mim]. Verde me lembra você, por isso insisti nesse titulo tosco,e afinal, não tinha título melhor mesmo, era isso ou ''Minha MigUxA q eU Amo'' [assim,com essas letras, pra você rir - como sei que está rindo agora]. Não sei ao certo porque construi esse parágrafo, já pensei em apagá-lo, mas meus dedos não me obedecem, talvez tenha que ser assim incoerente e boboca, pra se parecer comigo... Já que me despi da poesia pra escrever de verdade pra você
. [Fora que nunca houve essa poesia toda em mim mesmo, nessa porra!]


E Brenda, você é foda, e vai me acabar quando ler palavrão no texto que é pra você. Mas você sabe que se eu fico agitada demais, nao consigo manter a pose de boa moça, que não sou.
E eu te amo mesmo, te amei desde o crepúsculo e nossas camisetas-nunca-concretizadas, mas mantive a pose de ''não digo eu te amo em vão'' por alguns meses, mas agora, já quero dizer. E posso. Mas saiba que não foi so agora que percebi que você é uma irmã que eu encontrei fora de casa. Eu sempre soube. É.
Não sei como terminar um texto que escrevo sobre algo que não tem fim [pelo menos em mim].
Então, eu deixo aqui minhas reticencias, pra indicar que ainda tenho muito a dizer e muito a aprender com você, minha tchuca. ;) E feliz aniversário. o/

Amor meu.

O meu amor, que é teu.
eu amo.
o que é teu?
O meu amor

Sem medo.
Todo ele.

II

E a amizade,
um caminho de saudade.

Mistura de saudade

A saudade?
É um mapa da amizade.