Adeus, ano velho

Feliz Ano Novo!

Do jeito que acontece

A praça estava relativamente vazia, em comparação ao dia. Era a tarde do dia vinte e cinco de dezembro. Logo, esperava-se uma super lotação ali. A fila dentro da sorveteria nem chegava perto das enormes, que já haviam se tornado costumeiras. Nem se atreviam a sair pelas portas, na realidade. E, rápido como previ, já estava com o meu sorvete de Chocolate Branco nas mãos. Literalmente. Porque o sol, não teve nem pena do coitado. Foi derretendo-o, me obrigando a sair rodeando o sorvete com a colherzinha, diversas vezes seguidas. O formato do sorvete ficou mais parecendo uma concha marinha, eu percebi. E soltei risadinhas, em seguida.

Fiquei ali, a me deliciar com o sorvete e olhar em volta. Sentados no banco da frente, haviam dois casais de jovens. Dois homens, com duas mulheres. Riam alegremente, enquanto conversavam entre si. Logo depois, se levantaram e saíram, de mãos dadas. Bonito, bonito. No prédio da frente, no último andar, uma senhora apareceu na janela, enquanto sacudia as almofadas empoeiradas. Deixou-as ali, para observar o movimento na praça, também.

Hippies iam e vinham, carregando os seus produtos artesanais, e grandes mochilas nas costas. Conversavam distraídos, entre si. Eles iam, e uma garota chegava. Chegava de mansinho, com uma câmera fotográfica na mão, como quem não quer nada. Usava um jeans surrado com uma regata branca, um wayfarer branco no rosto, e havaianas nos pés. Se agachou nos degraus da pracinha, e começou a fotografar. Depois subiu, mirou as árvores, e fotografou novamente. Havia um cafezinho, na parte de cima da praça, onde um senhor esperava o seu pedido, encostado numa pose de quem sabia estar sendo fotografado.

A menina saiu, analisando as fotos recém-tiradas na sua câmera. Chegou, na mesma hora, uma família. Admirados, observavam a pequena menina montada em sua bicicleta, dar voltas na praça. E falavam empolgados, que ela acabara de perder o medo e ganhar a autoconfiança. Se distraíram, enquanto a menininha ia rumo à calçada. O pai correu e agarrou a bicicleta, antes que caísse, no outro lado da rua.

É desse jeitinho que acontece com a gente, eu refleti. É desse jeitinho que acontece, com o amor.

Quando percebi, fui hipnotizada.

Situações como a que aconteceu essa tarde, parecem ter dia e hora marcada para acontecer. O dia: Aquele no qual o seu humor está péssimo, junto com o seu cabelo, as suas roupas, e a sua não-maquiagem. A hora: Na qual você estiver mais desprevenida, possível. Cansada, de tanto entrar e sair de lojas. Com metade de um Big-sorvete, por terminar e um óculos quebrado na mão.

Essa era eu, quando entrei naquela loja. Logo que entrei, realizei - toda a população feminina estava ali, comprando e vendendo sapatos. E, desatenta, como sempre estou, não percebi que havia alguém a me olhar. Só quando me esbarrei nele, que notei. Dois segundos levaram, para eu ficar hipnotizada. O moço me deu o Boa Tarde mais educado e lindo, que eu já tinha recebido. Que veio acompanhado de um sorriso, que eu juro, podia me fazer sentir bem. Estranhamente completa, eu diria. Não consegui retribuir a educação, gaguejei. E, trocamos alguns olhares. Coisa mútua inesperada essa, que me surpreendeu, confesso.

Existia, aquele moço lindo? Ou, seria, coisa da imaginação fértil - que me pertence? Mas, imaginação não vem com doses de hipnose, deveras. Seu porte atlético, tão mais alto que o meu, era bonito de se admirar. Os cabelos estavam levemente emaranhados, dum jeito irresistível. E, me chamou a atenção que tínhamos em comum, o alargador. Meus pensamentos já tinham ido muito longe, daquele lugar. O que me trouxe de volta, foi quando ouvi uma das vendedoras gritando "Igor, blablablá.." Não prestei atenção em mais nada, além do nome dele.

Eu podia ficar ali, o dia todo, olhando para ele. Ia me sentir plena. Feliz, de ter aquele sorriso pra mim. Mas, não podia. Era apenas mais um desses encontros ao acaso, que nunca voltam a acontecer.

Meu primeiro beijo

"Meu primeiro beijo foi doce a atrapalhado.
Meu primeiro beijo foi mágico, mas rápido." The Happy Losers.


Eu até que tentava, me fazer de difícil. Mas meu coração já havia se rendido há muito, desde então. Promessas e promessas, foram feitas. Declarações, até não acabar mais. E a minha razão, sempre tentava dominar a emoção. Mas era um esforço, totalmente em vão.Ele, já havia até perdido as esperanças, coitado. Mal sabia ele, que elas vieram todas correndo para mim. Foi muita esperança, depositada ali. Tanta, que superou até a covardia. E ajudou a coragem, a prevalecer. Admiti, o que eu sentia e que estava guardado, sem ninguém saber.

Ele não saía da minha cabeça, nos últimos meses. Dia e noite, sem parar. Fosse dormindo, ou acordada. As mínimas coisas, os pequenos detalhes. Tudo, tudo, tudo. Seu cheiro. Seu abraço. Sua voz. Seu olhar. Eram as únicas variações de pensamentos, que eu conseguia ter.E, quando entramos naquele cinema, eu tive a certeza. Certeza de que nunca estive mais nervosa, em toda a minha vida. Era um reboliço de borboletas, aqui dentro. E essas, já haviam saído do estômago faz tempo. Se espalharam por todo o corpo. Desde a ponta dos pés, me deixando fraca, sem conseguir me manter em pé. Até a cabeça, bagunçando todos os pensamentos, ali. E no coração, foi onde elas resolveram se concentrar. O bichinho apertava, acelerava, pulava. Eita, que quase saía pela boca!

Sentamos, na fila da lateral direita, de quatro cadeiras. E, não com muito tempo de filme, ele pegou na minha mão. Típico de filme americano, todos devem estar pensando. E era, realmente. Mas uma boba-apaixonada como eu, ia no céu e voltava, com isso. Nessa altura, eu já podia ser considerada a personificação de um cuzcuz. Estava suando, feito um. E, no paradoxo, eu morria de frio. O cinema estava, excepcionalmente, gelado hoje. Foi quando, ele me abraçou. Me senti bem. Era confortável, parecia que minha cabeça se encaixava perfeitamente no seu ombro. Pena que esse sentimento bom não ficava em mim, tanto tempo. Meu pescoço parecia ter empedrado, na direção da tela.

Ele esticou a mão e tocou o meu rosto, virando-o para sua direção. Ficamos nos olhando, nos segundos seguintes. Ainda com a mão no lado esquerdo do meu rosto, ele foi se aproximando. E tremendo que só, eu hesitei um pouco. Foi pouco, mesmo. Porque não tinha mais forças, e me rendi ao sentimento avassalador, que gritava daqui de dentro. Fechei os olhos, e fui beijada, pela primeira vez. Entrei noutra dimensão, que não sei dizer. Só lembro que foi doce. Delicado, como toda moça devia ser beijada, eu penso. Daqueles, recheados com sentimento bonito. E depois, foi forte. Com intensidade. Vontade, de quem quer ter. Ali, agora. Ele se afastou de mim devagar, como se não quisesse nunca ir. Nunca me deixar. Afagou a minha cabeça em seus braços, e beijou a minha testa. E eu, suspirei.

Outros beijos: Sarah, Pam, Andrey, Lara, Luciana

Meu raio de sol.

Ela simplesmente, se foi. Como se explica, os dias parecerem uma eternidade? Se arrastam, devagarinho. O sol, parece querer prolongar o seu nascer e o seu pôr.
E, tudo continua assim, vazio. Acordo e durmo, pensando nela. O flash back de cada sentimento, insiste em voltar. E não passa, não passa, não passa.
A saudade, também não passa. Só restaram as lembranças. E, me corrijo, quando digo "só". Porque, são a melhor parte.
Alegria, constante, em minha vida. Presente, desde sempre, em minha lembrança. E todos os dias, nos meus sonhos.

Sinto saudades, pequeno raio de sol.

Não é sempre sobre amor?

Quando digo que só sei escrever sobre amor, ninguém entende.

Sou uma maluca apaixonada.
Por uma idéia:
O amor.